A questão do salário pornográfico dos 2.978 funcionários da Justiça chega às raias do escárnio. Num país de tantas mazelas [Vejam bem: de tantas mazelas é diferente de com tantas mazelas. Essa última construção passa a idéia de uma possível transitoriedade, de algo que pode ser sanado, ao passo que a primeira, que é o caso do Brasil, mostra um problema crônico, estrutural, permanente e mais arraigado], das mais variadas formas, esses magistrados, pensionistas e servidores da ativa e aposentados, bem como desembargadores, que ganham acima, muito acima do teto, se acham especiais demais, o supra-sumo do gênero humano. Eles refletem uma “disfunção” bem nossa conhecida. Ganhar tanto assim, até R$ 34.814,61 (Na boa, sem demagogia: estes centavinhos fazem falta para muita gente), é desfrutar de uma série de mordomias de uma casta privilegiadíssima de seres humanos. Nossos marajás têm mais vigor, mais status, mais grana e mais suntuosidade do que os de lá, da Índia. E muito mais insensibilidade também. Mas acabam aqui as comparações. Naquele país asiático, a divisão da sociedade em castas está associada a um aspecto histórico-cultural-religioso-sociológico e pode ser compreendida nesse âmbito. Ao passo que aqui, nesta terrinha brasilis, a clivagem se dá na base da esperteza, da institucionalidade do jeitinho, graças à interpretação pseudocientífica da lei. É todo um aparato para legitimar a velha e boa vigarice. Vá ver se em país sério acontece isso. É mais um produto com a marca registrada deste imenso, feliz, carnavalesco, pujante e lindíssimo país do futuro. País de frouxos.
Com brasileiro, não há quem possa. Nem o risco remotíssimo de darmos certo…



