Lá se vai mais um ano cheio de altos e baixos. Para mim, foi um ano de vazio de realizações significativamente positivas. Tropecei algumas vezes, conheci gente nova, aprendi a aprender, desaprendi um bocado de coisas, me desfiz de algumas ilusões, criei outras, me deparei com palavras novas, conceitos novos, filmes novos, livros novos, autores e autoras novas, ouvi muita música, encasquetei com algumas coisas, mandei outras para a Ponta da Miçonga do Jabaculanga. Em suma: estou mais rodado, como todo mundo.
O que gostaria de ter feito e não fiz: lido mais, visto mais filmes, escrito mais, viajado mais. Bem, acho que foi só. Só?!
Agora sério:
Em vez de arrolar aqui meus projetos, prefiro crer que há um imenso horizonte ainda a ser desbravado. Que há a necessidade de me desvencilhar um pouco do passado. Captar a essência da jogada: que viver é um ato contínuo, que tudo é uma página em branco, que as possibilidades de que a vida é fértil são uma inspiração, são aliados, são nosso consolo. Ou não, o que para alguns pode ser trágico.
Em outras palavras, à massa amorfa composta pelas circunstâncias, pela mais variada e inimaginável combinação de circunstâncias, a isso tudo, a esse contingente “selvagem” e cego, acrescentar nossa capacidade de dar sentido àquilo que se encontra aparentemente além de toda e qualquer definição. Definida, domada, toda contingência passa a estar (dentro do possível) a nosso favor, a gerar todo um novo mundo de possibilidades, ao infinito, num círculo nada vicioso que nos é, em último grau, danação ou alento, limitação ou virtude, Tânato ou Eros, morte ou vida.
Garanto-lhes que a alternativa ao viver não me atrai em nada!
Portanto, mãos à obra! Nada mudará no cosmo infinito, nas conjunções dos astros, mas a mudança de approach com relação à complicada arte de viver, uma mudança para melhor, nunca pode ser subestimada.
Eis um momento propício.
Saudações ao deus-Tempo. Que é implacável e tirânico!
Ao som de: João Gilberto, Stan Getz e muito blues de John Lee Hooker


