Para que escrever?
Alinhavar palavras, tecer comentários, escolher termos, cortar outros, ligar idéias aparentemente desconexas. Escrever, escrever mesmo para que ninguém mais leia. Encher a folha ou a tela em branco. Inserir letras, sílabas, palavras, frases, orações, períodos, parágrafos. Tirar conclusões, observar uma idéia se desenvolver, tomar forma, ganhar corpo, vida. Engravidar as palavras com novos sentidos, fecundá-las, fazê-las plenas de vidas autônomas. Tomar, por meio das palavras, o mundo nas mãos. Analisar a vida, virá-la do avesso, torná-la entendível. Escutar a voz interna que dita o ritmo das palavras. Elas, as palavras, que são a criação mais poderosa de que o ser humano dispõe. O poder que elas têm de vivenciar, relembrar, deslocar, criar, destruir, sugerir, sintetizar, explicar, mostrar, ensinar.
Escrever, seja um romance, um conto, uma crônica, um poema, uma ode, um bilhete, um e-mail, um comentário subjetivo em um blog: basta acionar as palavras, pinçá-las, retirá-las de seu estado frio de dicionário, escrevê-las, juntá-las e dessa ação tão mecânica a nós, dessa combinação infinita de possibilidades, de potencialidades, domar o mundo e seus fenômenos (nós incluídos), domesticá-lo, torná-lo algo passível de controle, de entendimento.
Precisa-se de um outro motivo para escrever?
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Ao som de Billie Holiday, Stormy Weather
Que belo esse texto. Também me fez pensar no assunto. Para que escrever?
No meu caso a resposta é simples: quando não há mais ninguém para ouvir, falo comigo e registro a conversa.
Olá, amiga. Muito obrigado pela visita.
Que bom que meu post tenha tido uma acolhida tão boa e despertado em alguém uma simples centelha de reflexão.
Quanto à escrita, vamos nos reescrevendo, passando para o papel ou a tela em branco o que nos mais capta a sensibilidade ou o senso crítico.
É isso.
Fique à vontade!