Estou pasmo, frustrado, triste, revoltado!

   Por intermédio do meu amigo Otávio Martinez, fiquei sabendo (e no primeiro momento não acreditei, achando que fosse talvez uma brincadeira) da mudança pela qual a querida Rádio Cultura, sobre a qual escrevi dia desses aqui, vai passar a partir de amanhã, 1º de julho. E lhe digo: o pasmo, a frustração, a tristeza e a revolta são grandes. Lá se foram o DIÁRIO DA MANHÃ (apresentado por Salomão Schvartzman), JAZZ CONCERT (meu Deus!), LINHA IMAGINÁRIA (“As várias tendências do jazz”), entre outros. Tudo isso por quê? Com a nova diretoria da Fundação Padre Anchieta, encabeçada pelo jornalista Paulo Markun (que decepção!), a Cultura FM voltará ao que era quando da sua criação: uma rádio eminentemente erudita. Adeus, diversidade e ecletismo, adeus, comentários brilhantes, bom-humor, adeus!

  Meu caro Otávio, os fundamentalistas venceram…

  Estou sem palavras. Paro por aqui. Sob o risco de ter um piripaque precoce. Que dia triste!

O universo de Anton Tchékhov em apenas um clique.

 

Um dos magos do gênero conto, mestre como o francês Guy de Maupassant e nosso Machado, Anton Pavlovitch Tchékhov, em alfabeto cirílico, “Анто́н Па́влович Че́хов”, que fez muito pelo teatro, era um prolífico autor que nunca, aliás, perdia o controle de sua arte. Viveu no final do século dezenove e morreu há 103 anos. Seus contos, que tanta influência tiveram sobre muitos autores do século passado e ainda atualmente, estão disponíveis neste link, para quem lê em inglês: http://chekhov2.tripod.com/
É uma bela oportunidade para quem ainda não conhece esse autor cujas muitas histórias praticamente sem enredo fazem com que o mundo interior das personagens se sobressaia.

Além de servirem de inspiração para aqueles que almejamos a carreira literária. Mesmo que ilusoriamente.

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Ao som da Sinfonia nº 3 – POLONESA em ré maior, op.29, de Piotr Tchaikovsky

Uma nação blasé

 

Foi-se o tempo em que a Copa América em geral e a seleção canarinho em particular despertavam atenção da massa. Hoje, quando nosso selecionado (argh, que coisa mais antiga! Mesmo no tempo em que eu era um pirralho, uns vinte anos atrás, esse termo já era anacrônico) estréia contra nossos hermanos da terra do sombreiro no país do demagogo-mor, o que vemos é o tédio, o desalento e o desânimo. Seleção brasileira? Futebol-arte? Empolgação da “pátria de chuteiras”? Isso tudo é algo tão distante no tempo e tão desconectado da gravidade das questões prementes que nos envolvem, tão fútil, tão…

Ah, mas acho que estou redondamente enganado. Lá fora buzinas agitadas devem estar a soar euforicamente, bandeiras tremulam, a torcida grita em uníssono: Brasil!, Brasil!, Brasil!, a nação pára para ver nossos heróis patriotas e abnegados…

É, eu devo estar delirando com essa história de tédio, de indiferença, só pode ser. Juntar-me-ei à massa. Esperem por mim…!

"Querem matar minha honra". EXTRA! Dramalhão no Senado!

 

 

   São estas as inacreditáveis palavras do Presidente do Senado, Renan Calheiros, leio na Folha de hoje.
Pergunto: ele também vai querer sair da vida para entrar na História?
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  Era tudo que faltava para termos um dramalhão de quinta. A mise en scène está montada, os canastrões estão a postos, a peça vai começar. Pegue seu lenço, prepare-se para assistir ao espetáculo mais lacrimoso e tocante dos últimos anos vindo de Brasília. A catarse valerá a pena!

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  A canastrice de nossos políticos, aliada à hipocrisia e total falta de senso do ridículo de nossas esçselênçssias, faz-nos a todos descrer cada vez mais da tal representatividade de nosso sistema político.
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  Ao som da Eldorado FM de S.Paulo.

Que progresso efêmero esse, hein, ministro?

   O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, seguindo o exemplo da Ministra do Turismo, Marta Suplicy, deixou sua contribuição para o Rol de Besteiras Petistas Já Ditas, o RBPJD (quando o PT sair de onde está alojado, depois de sua farra, vamos ter todo um calhamaço dessas besteiras. Vamos fazer a festa na campanha eleitoral!). Para quem não soube, o perspicaz e sutil ministro disse que a situação de caos nos aeroportos era apenas e tão-somente (que genialidade!), fruto do progresso de nosso adorado Brasil varonil.

   Bem, leio nas agências de notícias que a situação está sob controle. Depois da voz grossa da FAB, ufa, até que enfim aquele caos nada excitante (sorry, dona Marta!) acabou. Que bom, hein? Que bom nada! Se aquele caos era resultado do vigor econômico e pujança financeira dos brasileiros, quer dizer então que a bonança já se foi também, certo?, já que  no caos estava implícito o progresso. Extinto o caos, extinto o progresso. Trata-se do espetáculo do crescimento de mais curta duração da Terra! Mais uma originalidade nossa! Mas, puxa, justo agora que eu iria aproveitar para comprar uma tv de plasma, uns 30 livros, 15 dvds etc etc… Alegria de gente próspera dura pouco!

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Ao som de Charles Mingus, Caroline Keiddi Mingus

O que fazer nestas circunstâncias, além de querer cometer um bombardeio cirúrgico?

   Ouço a Rádio Cultura FM de São Paulo há mais de dez anos. Nunca, nesse tempo todo, havia acontecido o que está acontecendo há uns dez dias. Eis que o que eu sempre temia chegou: bem na freqüência da rádio em que aprendi a gostar de Bach, Vivaldi, Chopin, Beethoven, Mozart, jazz, música instrumental em geral e eduquei meus ouvidos, bem nos 103, 3, está uma “rádio” (Stereo Líder) com o pior que a humanidade fez em termos “musicais”: axé music, sertanejo da pior qualidade, funk e todo o rol de detritos sonoros que nossos compatriotas tão bem sabem criar, fruto da criatividade mestiça e pujante do nosso povo… Adeus, música de qualidade… Aqui em São José dos Campos, cujas emissoras FMs são de dar pena, a coisa atinge proporções catastróficas.

  (Fora os “comerciais”: Padaria Isso, Farmácia Aquilo, Auto-mecânica X. No lugar dos programas da Cultura FM, vamos de “MC” Alguma Coisa, “Bonde do Tigrão”. Que Chopin que nada! “Rio Negro e Solimões”…).

  Nada contra quem ouça essas porcarias. Tudo contra quem comete uma atitude criminosa de, além de outros males, apropriar-se do sinal de uma rádio para colocar no lugar uma “rádio” que não teve licença para atuar…

  Cultura FM agora, para mim e outros ouvintes de S.J.C., apenas na web. Ah, tivesse eu como bombardear a tal da “rádio”… Um bombardeio cirúrgico, claro, para não descontar em quem não tem nada a ver…

  A quem recorrer?

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Ao som do programa Jazz Concert, da Cultura FM

Hoje, com o quarteto do baixista Ron Carter, num show sensacional gravado no Mistura Fina, no Rio de Janeiro, em abril de 2000. Neste instante, ouço os caras tocando o clássico dos clássicos: “So what”, do Miles

Ah, se mais gente descobrisse o jazz…

Com pouco se faz muito.

  O Papai dizia a ela que ela precisava de muito estudo para ser uma grande engenheira. A Mamãe lhe buzinava nos ouvidos que modelo de verdade precisava de muita coisa mais do que um rostinho bonito, como o dela, a menina. A Vovó apontava com a agulha do crochê um futuro promissor para ela, desde que ela arrumasse um marido honrado e trabalhador. O Vovô, entre uma cachimbada e outra, dizia que ela precisava de um bom pé-de-meia.

  Cansada daquilo tudo, ela arranjou apenas uma bolsinha, uma míni-saia e deu um jeito na vida.

  Para melhor, dizem.

Por quê?

  Por que é tão difícil encontrarmos alguém que tenha um pouco da capacidade de não-julgar-avaliar-esquadrinhar o outro antes que este último tenha a oportunidade de mostrar que não é apenas a figura monolítica e altamente destituída de matizes que outros insistem em ver? 

  Por que é tão laborioso proporcionar ao outro uma mínima que seja possibilidade/oportunidade para ele mostrar sua potencialidade e nuances? Por que insistimos tanto em ver o outro como uma massa única? É por puro comodismo? É cegueira? É o quê?

O espírito do tempo, segundo um míope.

   Os tempos são austeros. As necessidades, enormes. As possibilidades de se encontrar a paz de espírito, cada vez menos disponíveis.  No entanto, nunca, nessas três décadas que me coube passear meus átomos por esta zona habitável do universo, nunca, dizia eu, me deparei com tanto cinismo, hipocrisia, interesses mesquinhos, glórias vãs. As relações sociais estão permeadas pelos mais absurdos e repugnantes interesses. Tudo se resume ao desfilar constante de vaidades enfastiadas, almas vazias e rotas, destituídas de significado mais transcendente do que o amor-próprio. Vive-se tão porca e rudimentarmente nessa fase que nos coube viver, que às vezes me pergunto o que os neandertais pensariam disso tudo. Era esse o tão sonhado grau de civilização que almejaram nossos antepassados?

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    As pessoas hoje valem por aquilo que parecem ter, não por aquilo que essencialmente são.

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    Felizmente ainda há exceções. Pena que elas existem apenas no plano das utopias…

Neurônios em ebulição

  Houve um tempo em que eu acreditava que a gente nasce, vive, morre, nasce, vive, morre, nasce, vive… e assim ao infinito. E cada vez que vivêssemos, teríamos os mesmos pais, irmãos, amigos, roupas, casas, animais… Com o tempo, felizmente me desvencilhei dessa teoria furada. Hoje, se não acredito mais no caráter permanente de tudo que é, na verdade, não-permanente, também não caio na balela de que o não-permanente esteja, em todas as circunstâncias, a limitar e condicionar as possibilidades e potencialidades do permanente no não-permanente.

E agora?

 

 

Manchete da Folha de S.Paulo de hoje:

Buraco negro não existe, diz trio de físicos dos EUA

Pesquisadores propõem solução para enigma elaborado por Stephen Hawking

Estudo é debatido há um ano e passou pelo crivo de publicação rigorosa; autor diz que pode testar idéia em acelerador de partículas

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E agora, meus caros, temos um baita de um enigma. Explico: o que será feito das toneladas de metáforas, analogias, comparações, argumentos, pseudocertezas, discussões oratórias e filosóficas de todo tipo e matiz que tinham por base o conceito de buraco negro como o escoadouro para o nada, o lugar-nenhum mais inviolável e avesso ao olhar humano? Onde vamos jogar toda essa tranqueira que de agora em diante de nada mais nos serve? Adeus, chavão querido, ciao, lugar-comum tão útil, farewell, muleta lingüística adorada! Já sinto até saudades, vejam como sou emotivo…

O certo é que nunca mais diremos algo como: onde está a vergonha da maioria dos nossos políticos? Ah, não sejamos inocentes: ela foi tragada por algum buraco negro… Ou ainda: esse filme, esse roteiro, esse livro, ah… há neles buracos negros que o autor deixou para que preenchamos com nossa visão, nossas expectativas etc…

Vão com Deus (não seria mais uma peça do Diabo?), adorados buracos negros.

…Mas, antes, alguém pode me dizer para onde vão os buracos negros que descartamos do universo das nossas transitórias hipóteses?

"My name is CHARLES FOSTER KANE!"

                                              

   Acabei de assistir pela quinta vez a esse filme seminal: segundo a crítica especializada, o maior filme de todos os tempos. Há tanto o que se comentar sobre essa obra-prima de um gênio do cinema, que é impossível, obviamente, no espaço de um post, ficar à altura dela. Portanto, presto minha reverência ligeira mas não menos absolutamente embasbacada a esse filme soberbo - o épico de uma alma, se tal definição é possível -, obra no mínimo quarenta anos à frente de seu tempo.

   Na virada da década de 30 para 40, ainda não havia os filmes noir, que tão bem retratariam o clima de desencanto causado pela guerra que grassava naqueles anos. Mas é possível ver a influência de Welles, um visionário, um artista múltiplo, ali. Os enquadramentos, a atmosfera, a montagem, a movimentação de câmera, tudo isso é muito conhecido por todos que se interessam pelo cinema, e que têm uma visão holística dessa arte. E aqui cabem parênteses: apenas quem de fato vai às fontes de uma arte pode falar dela. Em outras palavras: é duro, mas temos que reconhecer que sem conhecer as obras inovadoras e criativas de uma arte, é impossível querer criticá-la apenas em suas manifestações atuais. Fechando os parênteses.

  É aquele tipo de filme que nos faz esquecer de que aquilo tudo é apenas uma representação, uma recriação da realidade. Você simplesmente vive aquilo tudo!

  Se você ainda não viu esse filme, o que está esperando? O dvd que tenho em mãos traz o documentário “A Batalha por Cidadão Kane”,  um muito aprofundado estudo do contexto em que esse filme foi criado e também um retrato do que foi o mito Orson Welles. E sobretudo a figura que inspirou Charles Foster Kane: William Hearst.

  Narra a trajetória de um homem obcecado pelo acúmulo de poder. Sua ascensão e queda, seus momentos de fraqueza, de mau e bom humor, de solidão, suas idéias e sobretudo sua maneira peculiar de querer sempre o máximo de tudo, custasse o que custasse. Na antológica cena inicial, uma das mais famosas do cinema, vemos seu castelo, como se fosse um daqueles mal-assombrados que fazem parte do nosso imaginário. A câmera vai indo do geral para o específico: começa com um enquadramento distante e se aproxima de uma janela iluminada.

 

 

 

 

Ali, naquele exato instante, o poderoso Kane dá seu último suspiro, pronuncia “Rosebud”, deixa cair uma bola de vidro com pequenas partículas brancas, que simulam neve caindo sobre um casebre. E o que diabos seria Rosebud? É sobre essa busca, é exatamente esse o fio de estória que irá desenrolar toda a história, que começa, portanto, do fim: mostra a morte de Kane. Daí em diante, o caro leitor e a querida leitora podem ter idéia do que vem pela frente: uma aula de cinema!

 

 

Uma palavra pode resumir uma vida? Rosebud: eis o enigma cuja resolução você encontra numa boa locadora.

 

 

 

 

 

 

 

 

  Esse filme é único, insubstituível e, repito, seminal na história do cinema. Englobando aí desde o roteiro, passando por direção de atores, figurinos, maquiagem e enquadramentos ousados, como o genial e então inovador uso da profundidade de cena.

E, de quebra, descubra o porquê de ele, quase unanimemente, ser citado como o mais, isso mesmo, o mais importante filme de todos os tempos!

De calhas e quedas em geral até desembocar em Cidadão Kane, de Orson Welles

   
                                       

   Tudo o que sobe, desce. Isso vale para tudo.

    A calha, artefato tão útil, faz com que a água da chuva não fique represada. Faz com que ela flua, escorra, dilua e geralmente caia. No chão. E se vá. E seque. E finalmente evapore. 

    Calheiro, termo menos usado que calheira, seu sinônimo, é da família de calha. Trata-se de um cano aberto na parte superior, ou sulco, usado para… escoar água. Tudo que passa por um calheiro é escoado, segue seu rumo natural. De preferência, a evaporação, o nada do nada.

     O Senador Renan Calheiros - enroladíssimo com questões pesadas envolvendo documentos que, ao invés de tirar-lhe as suspeitas, apenas tiram-lhe a autoridade; denúncias de superfaturamento, notas fiscais frias e envolvimento com lobistas e empreiteiras, e cujas terras são uma verdadeira Xanadu* cabocla (cascatas d’água, campos verdejantes, rios caudalosos, plantações, animais bem-tratados) encravada em pleno sertão de Alagoas, como li ontem no Estadão – está caindo. No conceito de milhões de brasileiros, já caiu há muito tempo. Apenas a arrogância desse Charles Foster Kane* do nordeste explica sua permanência no cargo. Sem falar, claro, do corporativismo obsceno de seus colegas de parlamento.

    Que este senhor seja levado pelas águas do esquecimento. Que seja evaporado da condição de presidente do Congresso. Ou, medida mais apropriada, que sua insolência e altivez ridículas o levem para o esgoto da história!

    Sua queda não tem conserto. Seria negar a lei da gravidade se tal gravidade acontecesse.

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*Xanadu e *Charles Foster Kane. Este último, personagem do filme sobre o qual escrevo acima (em muitas listas, nada menos que o melhor filme de todos os tempos) Cidadão Kane, de Orson Welles (que tinha na época apenas 25 anos, ex-garoto-prodígio), de 1941. Kane foi baseado descaradamente na figura de William Hearst, o magnata da imprensa que viveu seu apogeu nas primeiras décadas do século passado, a imagem exata da arrogância, da falta de escrúpulos, do ego faraônico, da total falta de limites para sua ambição e soberba, para as quais não havia oponentes. O faraó da imprensa moveu mundos e fundos para impedir que sua vida fosse parar nas telas do cinema. Conseguiu por uns tempos. Mas no começo da década de 50 o filme virou um dos mais cultuados de todos os tempos. Welles, que teve carta branca inédita para produzir, dirigir e tocar o projeto praticamente sozinho, nunca mais atingiu o grau de perfeição. Já o império império de Kane-Hearst (que começou com a fortuna herdada da mãe, que lhe transmitira a exploração de uma mina de ouro na Califórnia) o permitiu construir um castelo grandioso, símbolo do luxo estravagante e inspirado na lenda de Xanadu, construída por Kubla Khan, e que reprensenta no imaginário ocidental a perfeição na terra, algo equivalente ao Eldorado, o Éden na sua forma mais avançada.

Idiossincrasias.

    Ando às voltas com pensamentos para lá de cinzentos, lúgubres, sombrios. Não, não penso em encurtar a vida por mim mesmo. Nem, tampouco, estou deprimido, macambúzio ou sem rumo na vida. Nada disso. Sei lá, é uma vontade quase irreprimível de sumir do mapa, misturada com o desejo não menos intenso de expressar-me pela via da ficção, da literatura, mais especificamente falando. É como se eu fosse tomada pela urgência de me entregar de vez à tarefa laboriosa mas altamente compensatória da literatura. Compensatória não apenas em termos financeiros – isso é uma conseqüência – mas no de esvaziar as angústias represadas, de dar voz aos fantasmas interiores enjaulados, de retrabalhar ficcionalmente as frustrações e as epifanias e as descobertas e tudo mais que me toma os pensamentos. Tudo trabalhado, ressalto, pela via da literatura: pela busca constante do termo exato, das palavras buriladas e dos insights em potencial. É como se aqueles pensamentos cinzentos, lúgubres e sombrios fossem pontos de saída, portos para mares ignotos, ilhotas em potencial e altamente expressivas, caos criativo, turbilhão de idéias e sensações grávidas de ressonâncias, ecos e desdobramentos latentemente ricos de um ponto de vista artístico-literário.

     Mas, sei não: tudo pode ser, apenas e tão-somente, efeito de um desequilíbrio entre meus neurotransmissores, um curto-circuito neuroquímico…

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Ao som de Chet Baker, My Funny Valentine

Chinatown é aqui sim senhor!

        

Lendo as notícias estarrecedoras com as quais o Conselho de E(s)tética do Senado Federal e essa própria Casa têm nos brindado ultimamente, não há como não se lembrar do final do filme Chinatown (de Roman Polanski, EUA, 1974), filme que acabei de rever e cujo roteiro (de Robert Towne) está sempre na lista dos melhores do cinema. Um companheiro de um Jack Nicholson (o detetive Jake J. Gittes) desolado e que se vê impotente na sua missão de esclarecer ou consertar as coisas, lhe diz: “Esqueça, Jake, (isso) é Chinatown”, se referindo àquela região infestada pela criminalidade, onde se constatava a gratuidade de qualquer medida saneadora, enfim, um lugar onde a justiça era pisoteada e o mal sempre prevalecia. Hoje, podemos dizer, “Esqueça, Brasil, isso é o Senado Federal!”.

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Ao som de John Coltrane, “My favorite things”

Ciranda eterna

Era uma vez um país que era criticado pelo próprio povo que era criticado pelo presidente que criticava também a imprensa que mostrava a realidade nua e crua que por isso era (a imprensa) criticada pelo povo que era criticado pelo presidente…

 

A “chave” para interpretar o que vai acima vocês encontram nos jornais da semana…

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Ao som de gatos se amando pelos telhados banhados pela luz da lua…

Mendicância em todos os sentidos.

Lula diz que Vavá é ingênuo, mas não esclarece “bronca” (Manchete da Folha de S.Paulo de hoje).

 

Penso cá com os meus botões: realmente, um sujeito enrolado com lobistas (ele mesmo um lobista?) que pede descaradamente para outro sujeito encrencado, “ô, me arruma dois pau pra eu” (sic ao infinito!) é uma grande síntese do que vivemos politicamente nestas terras tropicais.

(Realmente, usar do português dessa forma é muita “ingenuidade”, Vavá!. Grave “não” é o irmão de Lula pedir dinheiro para operar suposto lobby).

Agora sem o laivo da ironia: realmente, o irmão do presidente da República não ter o pingo de circunspecção compatível com o que se espera de alguém tão próximo ao homem mais poderoso da nação, é de fazer chorar. Bem, sou do tempo em que irmãos eram próximos, pelo menos no sentido mais fraternal do termo… Mas, espera aí. Com relação ao português morto-vivo do senhor Vavá, o que esperar do irmão do “ómi”, que ele recitasse Camões?

E é incrível a proximidade de pessoas ligadas ao excelentíssimo enroscadas em assuntos muito, muito feios…

Só não reparem no caráter realmente errante deste post.

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Ao som de Ella Fitzgerald, Lullaby of Birdland

O homem que amava as palavras

                       

         A mulher já não o tolerava. Os filhos o evitavam. Os amigos fingiam compromissos cada vez que ele ligava marcando um dia para colocar a conversa em dia, no boteco do Jair, onde poderiam tomar uma bebida alcoólica fermentada, feita de lúpulo e cevada, ou outros cereais, pessoal, depois do expediente. Nada.

        Há dias Romualdo estava com aquela mania que ninguém sabia de onde viera, nem da parte de quem. Era um tal de falar umas palavras invocadas, estranhas, difíceis, verdadeiros palavrões! E (que voltas o mundo dá!) ao mesmo tempo, ele se tornava um leitor compulsivo de dicionários. Cada mês comprava um mais caro. Chegava em casa com pacotes de livrarias dos mais diversos tamanhos: lá vinha outro dicionário… E outro. E mais outro…. Homem, pra que tanto dicionário?, perguntava a mulher. Ela não tinha que se preocupar, era cultura, saber, instrução, querida minha, objeto do meu amor. E ele lhe beijava e dizia que aquilo era um ósculo para uma alma cândida, íntegra e abnegada. A mulher, ofendida: aquilo era xingamento, que parasse já com aquele palavrório complicado, o povo já falava, que parasse com aquilo que não tinha graça não, senhor, as crianças já eram vítimas de piadinhas, a filha mais velha até brigara com o namorado quando esse perguntou (pigarreando, todo dedos) a ela se o pai da moça poderia dizer como se dizia, naquele linguajar de doutor, fazer certas coisas, você sabe, amorzinho, aquelas coisinhas …

        Um belo de um estratagema, digamos, uma bela de uma desculpa esfarrapada. Mas a moça ficou mais indignada com a referência sem graça ao pai, seu tão adorado (até alguns dias atrás) pai – agora o palhaço involuntário da cidadezinha!- do que com o sentido nada oculto do gracejo.

       Por onde quer que ele fosse, gracejo era o que perseguia Romualdo. Que, por sua vez, continuava a estudar com afinco seu arsenal de dicionários. Ficava até tarde a decorar listas de palavras, criava frases, recitava textos arrevesados. Só para se referir ao príncipe das trevas ele sabia de cor bem umas 0itenta palavras! Cruz-credo! Ou melhor: persignemo-nos!

       Acordava cedo, ia ao trabalho, onde deixava entre espantado e orgulhoso seu chefe e estupefatos e meio enciumados seus colegas. E era um tal de se fazer círculo em volta dele, todos querendo constatar com os próprios ouvidos aquele talento tão intempestivamente adquirido, ele que há pouco tempo mal sabia falar parele… paralepe… paralelepípedo! Romualdo, qual a maior palavra do português mesmo? A resposta saía redonda, fluente: pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico, oras. Pasmo geral, assobios, aplausos. Um talento daqueles apertando parafusos numa fábrica!

       Já a arraia-miúda da cidade, essa tecia, com prazer nada dissimulado, as mais criativas, maledicentes e estapafúrdias suposições: ele enlouquecera, nunca os enganara! Era um homem esforçado, um exemplo para esses jovens que nunca liam nada, a não ser esse troço de imeiu e coisas que tais. Que nada, ele queria mesmo era se candidatar pra alguma coisa no próximo ano…

      Romualdo, com o tempo, foi se integrando à paisagem da cidade. Já não chamava atenção, havia até pessoas que, sem dicionário em casa, davam um pulinho até a casa do Homem dos Dicionários. Que ele as ajudassem, tinha uma palavrinha danada de difícil que atrapalhava a vida etc e tal.

      A família até gostava daquilo tudo. A filha se reconcilou com o namorado e até disse a ele (após consulta a seu sábio pai) como se falava aquilo em língua de doutor. Era… E aprendera (e ensinara!) também, vejam só, sinônimos nunca ouvidos para o verbo ceder.

      O tempo foi célere: já lá tinham passado quase seis anos!

      Romualdo fora chamado para trabalhar como consultor de uma editora especializada em dicionários. Havia virado um lexicógrafo renomado. Fizera fortuna. Abandonora há muito tempo seu antigo emprego de metalúrgico, ou, como ele dizia com muito orgulho, o artífice que tinha a incumbência de fazer a manipulação dos metais numa escala industrial.

       A família mora num condomínio de alto padrão, atualmente. A filha, rápida e prática em aprender verbos novos, deu a Romualdo três netos, objeto de minha mais alta estima pessoal, dizia o orgulhoso (e não menos mago das palavras) vovô.

      Romualdo, segundo a voz corrente, nunca disse a ninguém o porquê da paixão arrebatadora e súbita pelas palavras.

      O que há apenas são suposições. Dizem, por exemplo, entre outras hipóteses tresloucadas, insanas e disparatadas – e os adjetivos em questão são uma homenagem ao grande Romualdo - que tudo foi por causa de um pacto. Ou algo do tipo. Com quem ou com o quê já é querer saber demais.

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Ao som de Chet Baker , As time goes by, But not for me e I fall in love too easily

O avesso do avesso da auto-ajuda. Ou a síndrome do Jovem Werther revisitada.

 

Meus caros, minhas caras:

 Parece que meu texto aí embaixo, no qual comento meu orkuticídio, está dando muito (para os meus padrões, notem bem!) ibope. Só neste domingo, foram 56 acessos apenas a esse post. Acho que os mecanismos de busca estão remetendo o termo “orkuticídio” ao meu querido e adorado blog. Se cada clique me rendesse uns caraminguás, vá lá… Brincadeira: o importante é saber que estou, mesmo sem querer, fazendo um serviço de utilidade pública: saiam do Orkut e vão ler um livro ou ver um filme ou assistir a uma peça de teatro ou… que seja!, namorar,  pois o dia dos namorados, essa data tão afetuo$a, está chegando…

Trata-se do avesso do avesso da auto-ajuda… Ou seria a síndrome do Jovem Werther de Goethe revisitada e sob outra roupagem, guardadas as devidas (e bota devidas nisso!) proporções? Será que vem aí uma onda avassaladora de orkuticídio? Será que meu post um dia irá servir de manifesto do movimento? Irá a fama chegar para mim? Terei eu os minutinhos de fama a que segundo Andy Warhol todos têm direito?

 (Mitomania? Megalomania? Ou falta do que dizer/fazer/escrever/pensar mesmo?)

 Com preguiça de botar para funcionar o scroll? Clique aqui e veja o polêmico, controverso e famosíssimo post!

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 Ao som de Noel Rosa, Com que roupa eu vou?

Resultado do meu flanar pelas livrarias: abastecido para três semanas de leitura

 

  Vagando por livrarias hoje e ontem, comprei alguns títulos para garantir a leitura dos próximos 21 dias. São eles: de Francis Scott Fitzgerald: O Diamante do Tamanho do Ritz e outros contos; de Dalton Trevisan: Continhos Galantes (ambos da L&PM); de Richard OsborneFreud para Principiantes (da Objetiva); de Flávio de Campos: Roteiro de Cinema e Televisão (da editora Jorge Zahar); de Lawrence C. Katz e Manning Rubin: Mantenha seu cérebro Vivo (da Sextante). E sem esquecer  do número especial da Revista Língua Portuguesa: Psicanálise e Linguagem (da Segmento).

   Bem, o primeiro é do grande autor norte-americano que melhor do que ninguém conseguiu captar todo o ritmo alucinante da Era do Jazz, os tresloucados anos 20 do século passado nos Estados Unidos, que iriam passar o diabo dali a algum tempo com o crack da bolsa em 1929.

   O segundo é uma compilação de contos do Vampiro de Curitiba, nosso J. D. Salinger: Dalton Trevisan, o mais misantropo e misterioso dos nossos escritores. Os textos sucintos, de uma já clássica concisão de mestre, nos dão uma visão geral do seu talento absurdo para fixar tipos, desnudar preconceitos e nos mostrar a vida de seres em estado de crueza existencial.

  O livro de Osborne, também autor de Filosofia Para Principiantes (da mesma editora), é muito original. Apresenta-nos, sem reducionismos fáceis e simplistas, as principais idéias e conceitos do mestre austríaco, tão citado mas pouco entendido (e muito distorcido) ainda hoje. E tudo isso, pasmem, sob a forma de quadrinhos, sem dispensar um bom-humor muito equilibrado.

  O “Roteiro…” é um livro completo para aqueles que desejam se aprofundar no metiê de roteirista, tanto de cinema como de televisão. É o primeiro de uma série de títulos relacionados ao tema em que quero mergulhar de cabeça: a arte de dar vida a personagens, tanto no âmbito literário quanto no de roteiro de cinema. VIDA, ESTÓRIA E NARRATIVA; NARRADOR, PONTO DE VISTA E PONTO DE FOCO; TEMPO E PROGRESSÃO; RITMO E GRADAÇÃO e muito mais são apenas alguns dos tópicos do livro, pelos quais me interesso cada vez mais. Para quem sempre teve muito interesse em teoria literária, como eu, é um prato cheio (sorry pelo clichê).

  Em  “Mantenha seu cérebro vivo”83 exercícios neuróbicos para prevenir a perda de memória e aumentar a agilidade mental viemos a conhecer a Neuróbica. Trata-se da descoberta do potencial mais do que benéfico do ato de acionar nossos circuitos internos que fazem disparar novas áreas do cérebro. É uma idéia não-milagreira, sem charlatanices caça-níqueis. É algo de fácil constatação: ao fugirmos da rotina, fazendo com que nosso cérebro não se acomode e passe a estabelecer novas disposições que podem criar os nutrientes necessários que fazem nossos neurônios não “enferrujarem”, estaríamos colocando em prática a neuróbica. Sacaram? Aeróbica dos neurônios, isso é possível. Katz, que teve a ajuda do publicitário Rubin, é autoridade no assunto, respeitado na comunidade científica.

  A edição da Revista Língua Portuguesa, que tem como principal matéria  O IDIOMA DO INCONSCIENTE - OS SEGREDOS DOS PSICANALISTAS QUE CONSEGUEM ANALISAR AS PESSOAS APENAS PELA INTERPRETAÇÃO DAS PALAVRAS QUE ELAS USAM, traz também: A FILOSOFIA DA MENTE: COMO A PSICANÁLISE CONFIA EM SEUS RESULTADOS SEM LIDAR COM “VERDADES CIENTÍFICAS” - POESIA INTERIOR - A LINGUAGEM POÉTICA E A PSICANALÍTICA AJUDAM O HOMEM A DESCOBRIR QUEM ELE É – OS PAIS DA PALAVRA - O LEGADO DE FREUD E LACAN PARA OS ESTUDOS DA MENTE A PARTIR DA LINGUAGEM.

    Ficaram com água na boca? Numa livraria perto de vocês…

    Agora com licença que vou mergulhar na leitura…

Em entrevista comigo mesmo (?!), explico o porquê do orkuticídio

- Elienai, você poderia dizer aqui para nós por que cometeu orkuticídio?

- Você se refere ao fato de eu ter optado por sair daquele mundinho de mediocridades e futilidade (“requinte” esse que dispenso!) descerebrada? Bem, pra começo de conversa eu me cansei daquilo. Tá, tudo bem. Quase dois anos atrás eu fiz a mesma coisa: dissera que havia enjoado daquela atmosfera viciante e entorpecente, os mesmos analfabetos funcionais se passando pelo que não são, uma indigência cultural avassaladora etc e tal e mesmo assim acabei tendo uma recaída. Mas dessa vez é pra valer: não tem volta. Cansei legal. E foi um “castigo” pra mim mesmo: aquela b**** tomava quase todo meu tempo na web. Essa saída atribuo ao meu superego, aquela instância que volta e meia, ou seja, a todo momento, nos dá um “pito” por certas atitudes nossas, por certas asneiras etc… Aquelas comunidades repletas de gente que mal escreve uma frase com coerência… Argh!  Cortei o mal pela raíz. Quero me dedicar com afinco a outras coisas mais intelectualmente enriquecedoras. Só não tive tempo para mandar um e-mail ou recado de despedidas para alguns poucos amigos… Também não quero mais ser um sujeito facilmente alcançável, acessível, e entendam como quiser isso. Quero ficar incógnito, isolado, esquecido (Na medida do possível e do que é permitido a uma pessoa mentalmente saudável, claro. Foi uma opção, frisemos bem). E quanto menos exposto, melhor. A não ser aqui neste blog semi-morto, por quanto tempo não sei, expressarei (algumas das) minhas parcas idéias, dos meus disparates pseudo-literários.

- Mas não era apenas uma questão de você se impor limites, ao invés de eliminar de vez uma ferramenta poderosa para criar novas amizades, estabelecer um intercâmbio cultural e uma possibilidade de aumentar sua network? E outra: você usou e abusou da “ferramenta” Orkut e pode parecer, para alguns, bem hipócrita sua atitude.

- Network o escambau! Reconheço que há sim possibilidades de vir a se conhecer gente interessante (leia-se: gente que leu pelo menos meia dúzia de livros na vida!) ali. Eu mesmo conheci várias pessoas assim. E não creio que eu esteja sendo hipócrita. Ainda bem que tive como acordar a tempo.

E deixo aqui meu e-mail para quem quiser (quem???) entrar em contato comigo: elienaiaraujo@gmail.com. E não estou sendo incoerente. Suponho que quem pode me escrever são uns gatos pingados, exatamente gente com conteúdo cujo nome tive a honra de ter na minha seleta lista de amigos. Mas foi uma questão de foro íntimo, quer dizer, de vontade soberana, ou seja… ah, entendeu, né?

- Não.

- Então vai-te … Bem… O que importa é que o Orkut vai continuar o mesmo sem mim, eu é que vou mudar (para melhor!) sem ele. Aos três ou quatro seres que conheci ali, o meu grande abraço e vamos parando por aqui que está ficando piegas demais.

 

 

Essa saída atribuo ao meu superego, aquela instância que volta e meia, ou seja, a todo momento, nos dá um “pito” por certas atitudes nossas, por certas asneiras etc…

 

 

- Algum momento marcante no Orkut?

- Nenhum.

- Vai ficar com saudades?

- Ah, tenha dó!

- Volta um dia?

- Você tá de brincadeira!

- Em uma semana, aposto: você volta.

- (impublicável). Apaguei meu perfil lá para manter minha paz de espírito intacta.

 

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Ao som de Valsa do Adeus, de Chopin.