Acabei de assistir pela quinta vez a esse filme seminal: segundo a crítica especializada, o maior filme de todos os tempos. Há tanto o que se comentar sobre essa obra-prima de um gênio do cinema, que é impossível, obviamente, no espaço de um post, ficar à altura dela. Portanto, presto minha reverência ligeira mas não menos absolutamente embasbacada a esse filme soberbo - o épico de uma alma, se tal definição é possível -, obra no mínimo quarenta anos à frente de seu tempo.
Na virada da década de 30 para 40, ainda não havia os filmes noir, que tão bem retratariam o clima de desencanto causado pela guerra que grassava naqueles anos. Mas é possível ver a influência de Welles, um visionário, um artista múltiplo, ali. Os enquadramentos, a atmosfera, a montagem, a movimentação de câmera, tudo isso é muito conhecido por todos que se interessam pelo cinema, e que têm uma visão holística dessa arte. E aqui cabem parênteses: apenas quem de fato vai às fontes de uma arte pode falar dela. Em outras palavras: é duro, mas temos que reconhecer que sem conhecer as obras inovadoras e criativas de uma arte, é impossível querer criticá-la apenas em suas manifestações atuais. Fechando os parênteses.
É aquele tipo de filme que nos faz esquecer de que aquilo tudo é apenas uma representação, uma recriação da realidade. Você simplesmente vive aquilo tudo!
Se você ainda não viu esse filme, o que está esperando? O dvd que tenho em mãos traz o documentário “A Batalha por Cidadão Kane”, um muito aprofundado estudo do contexto em que esse filme foi criado e também um retrato do que foi o mito Orson Welles. E sobretudo a figura que inspirou Charles Foster Kane: William Hearst.
Narra a trajetória de um homem obcecado pelo acúmulo de poder. Sua ascensão e queda, seus momentos de fraqueza, de mau e bom humor, de solidão, suas idéias e sobretudo sua maneira peculiar de querer sempre o máximo de tudo, custasse o que custasse. Na antológica cena inicial, uma das mais famosas do cinema, vemos seu castelo, como se fosse um daqueles mal-assombrados que fazem parte do nosso imaginário. A câmera vai indo do geral para o específico: começa com um enquadramento distante e se aproxima de uma janela iluminada.
Ali, naquele exato instante, o poderoso Kane dá seu último suspiro, pronuncia “Rosebud”, deixa cair uma bola de vidro com pequenas partículas brancas, que simulam neve caindo sobre um casebre. E o que diabos seria Rosebud? É sobre essa busca, é exatamente esse o fio de estória que irá desenrolar toda a história, que começa, portanto, do fim: mostra a morte de Kane. Daí em diante, o caro leitor e a querida leitora podem ter idéia do que vem pela frente: uma aula de cinema!
Uma palavra pode resumir uma vida? Rosebud: eis o enigma cuja resolução você encontra numa boa locadora.
Esse filme é único, insubstituível e, repito, seminal na história do cinema. Englobando aí desde o roteiro, passando por direção de atores, figurinos, maquiagem e enquadramentos ousados, como o genial e então inovador uso da profundidade de cena.
E, de quebra, descubra o porquê de ele, quase unanimemente, ser citado como o mais, isso mesmo, o mais importante filme de todos os tempos!
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Ainda não aluguei o filme, mas está aqui na minha listinha. Sua resenha é demasiado perssuasiva.
Um abraço
Sr. Elienai!
A verdadeira mansão Xanadu que foi de W H Hearst está a venda por 160 milhões de dólares.
A atriz Louise Brooks, amiga de Hearst e de sua amante, foi quem revelou o que significava ROSEBUD, alías, isto que mais irritou Hearst, que tentou acabar com o filme (a propósito assista A BATALHA DO CIDADÃO KANE).
Rosebud era o nome que Hearst dava aos genitais de sua amante, Marion Davies, que era boa atriz…diga-se de passagem.
Olá,Paulo.
Sobre toda a fofoca que gerou este filme, li a respeito em ROTEIRO DE CINEMA E TELEVISÃO, de Flavio de Campos, da editora Jorge Zahar. A origem do termo “rosebud” foi essa mesmo. E tudo por causa do astuto roteirista Herman Mankiewks, um grande fofoqueiro e na mesma medida um excelente autor de roteiros…
Um grande abraço!
[...] No Comments Nesta sexta (4/4) vamos conversar mais um pouco sobre os exemplos que nosso amigo Charles Foster Kane nos deixou para o exercício do jornalismo.E, para não ficar só com o lado B, vamos relembrar um [...]