"And days of auld lang syne, my dear…!"

Tudo bem, 2008, pode vir!

Os momentos de tristeza, contrariedades, desânimo e desalento serão inevitáveis, inescapáveis muitas vezes. Mas que os de alegria, contentamento, descobertas, júbilo, aprendizado, superação e exuberância interior sejam em muito, mas muito maior número!

A todos nós.

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Ao som de The British Choir,  Auld Lang Syne.

Sejamos um pouco Jano, mas sem tanto olhar para trás!

Que fique bem claro: a divisão do tempo é uma mera convenção humana. Tá certo: facilita nossa vida bastante, nos situa melhor numa escala para lá de útil. Mas, sabemos hoje, o tempo é um continuum. E se é uma constante que ruma ao infinito, só há divisões nele por mera criação dos humanos, esse povinho arrogante e interesseiro. Puxa, desde os primórdios nossos velhos ancestrais já dividiam o tempo, já tentavam domá-lo, criando e difundindo a ilusão de que ele, o tempo, é algo que pode ser encerrado dentro de nossas categorias do inteligível. Tudo isso, prezado internauta, meiga leitora cibernética, para lhes dizer que este que “vos fala” achava, uns tempos atrás, uma baboseira só esse troço de estabelecer metas para o ano que chega, como se por decreto só porque a folhinha no calendário (nosso déspota imortal) mudou, tudo há de mudar. Pensava eu que atribuir a um acontecimento exterior um sem-número de revoluções interiores (“Vou ser bonzinho com papai e mamãe”, “Vou gostar mais da Madalena”, “Vou ser, a partir de amanhã, um bom pai” etc) era de uma grande ingenuidade…

Mas, contudo, todavia…

Eis que existe uma palavrinha que muda tudo: convicção. Como assim? A convicção é o sentimento da certeza, não? Ora, estando convictos de algo, podemos ter muito mais possibilidade de realizar esse algo, seja um projeto, uma meta, o que for!

Onde quero chegar?

Simples como detestar o Chávez: a virada do ano, por ser algo simbólico, vá lá, de uma renovação, de um sentimento de reinício (Janus, ou Jano, o deus romano que deu nome ao mês de Janeiro, era o senhor da portaria celestial, tinha duas cabeças representando o início e o término, o passado e o futuro e era encarregado de abrir e fechar as portas para o ano, por isso era representado por duas cabeças: afinal, as portas abrem-se para distintos lados), nos dá um ensejo para estabelecer metas factíveis, com base em nossas vivências.

Outra coisa bem diferente são as retrospectivas. Apegar-se demasiadamente àquele tipo de retrospectiva que apenas nos pede uma postura passiva, de contemplação dos tempos idos é de uma tolice descomunal. Claro que podemos, ao fazer um balanço típico de fim de ano, repensar muitas das nossas atitudes naquele ano que termina. Mas ficar só nisso não conta, não acrescenta nada: devemos estar mesmo é de olho no futuro, em o que faremos de nosso tempo escasso.

Olhemos o futuro, isso sim! Sem nos esquecermos do passado, claro, mas sem superestimá-lo.  

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Ao som de Yamandu Costa, Chorinho e Tristeza do Jeca

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Um ponto de partida e de referência para pesquisa sobre o universo de Bergman

“Cinema não é um ofício. É uma arte. Não significa, de forma alguma, trabalho em equipe. Há um que está sempre só, seja no set ou ante a página em branco. E, para Bergman, estar só significa levantar questões. Fazer filmes significa respondê-las. Nada poderia ser mais classicamente romântico”.
Jean-Luc Godard, sobre Bergman

Acabei de achar um site interessantíssimo para nós (você que vier parar aqui também neste blog!), bergmaníacos. Chama-se INGMAR BERGMAN FACE TO FACE, está em sueco… E, claro, na língua de Shakespeare também. O link é este aqui. Para quem quer aprender muito mais sobre a vida e a obra deste artista único, multifacetado e grandioso. Vale muitos cliques! E já está como minha página inicial…

Bem, agora que estou fazendo uma retrospectiva particular de seus principais filmes, vem bem a calhar.

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Ao som de Scott Joplin, The Entertainer

e Sonny Stitt, Sunset

Listinha de filmes para (re)ver nestas férias (atualizada)

1.   O SÉTIMO SELO, de (Ingmar Bergman)…. [será a décima vez, suponho eu...]
2.   MORANGOS SILVESTRES (idem)
3.   A FONTE DA DONZELA (idem)
4.   ATRAVÉS DE UM ESPELHO (idem)
5.   LUZ DE INVERNO (idem)
6.   O SILÊNCIO (idem)
7.   PERSONA (idem)
8.   GRITOS E SUSSURROS (idem)
9.   O GRITO, de Michelangelo Antonioni 
10. A AVENTURA (idem)
11. A NOITE (idem)
12. O ECLIPSE (idem)
13. O DESERTO VERMELHO (idem)
14. BLOW UP (idem)
15. PROFISSÃO: REPÓRTER (idem)
16. A TERRA TREME, de Luchino Visconti
17. BELÍSSIMA (idem)
18. VERÃO VIOLENTO, de Valerio Zurlini
19. PSICOSE, de Alfred Hitchcock
20. UM CORPO QUE CAI (idem)
21. O DESESPERO DE VERONIKA VOSS, de Rainer Werner Fassbinder
22. FAHRENHEIT 451, de François Truffaut
23. VIRIDIANA, de Luis Buñuel
24. CASABLANCA, de Michael Curtiz
25. TERRA EM TRANSE, de Glauber Rocha
26. AMÉRICA, de D.W. Griffith
27. LAVOURA ARCAICA, de Luiz Fernando Carvalho

Um filme que serve como introdução ao universo de Bergman

 

 Noites de Circo

 

 

 NOITES DE CIRCO.

Eis um filme que a gente assiste e reconhece logo de cara: aí tem a assinatura do autor. Em cada plano, em cada detalhe há, escondida, a intenção de um artista que iniciava ali sua fase mais autoral e se tornaria um dos maiores do cinema e cuja morte ocorreu neste ano, no mesmo dia em que outro genial diretor morria, o italiano Michelangelo Antonioni.

Já no começo Bergman nos situa naquela atmosfera sombria: num amanhecer triste, a viagem de uma caravana circense por uma estrada esburacada em algum lugar perdido na Suécia do início do século passado. E vejam a antítese: uma trupe de circo, que num outro contexto nos remete a um universo de alegria, aqui serve como um elemento que acaba acentuando, via contraste, o “mundo-cão” existencial que veremos a seguir. A história do decadente Circo Alberti e seu infeliz, angustiado e desajustado proprietário; de sua amada jovem; do palhaço Frost, cuja mulher decide se banhar, totalmente nua, para a alegria de todo um regimento… Desses fios de estória, Bergman constrói um filme pungente na expressão (para muitos, um filme com fortes laços com o expressionismo) da “dor do viver”.

Daí em diante, o genial sueco apenas confirmaria sua maestria e sua fama como o “cineasta da alma”.

Um filme para pessoas de mente aberta. Pode ser pessimista, para alguns desagradável, mas a arte é isso: algo que nos incomoda e nos faz vislumbrar a vida e seu avesso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Título original: Gycklarnas Afton
Ano: 1953
País: Suécia
Duração: 89 min.
Gênero: Drama
Diretor: Ingmar Bergman
Trilha Sonora: Karl-Birger Blomdahl
Elenco: Åke Grönberg, Harriet Andersson, Hasse Ekman, Anders Ek, Gudrun Brost, Annika Tretow, Erik Strandmark, Gunnar Björnstrand, Curt Löwgren, Kiki
Distribuidora do DVD: Versátil Home Vídeo

 

 

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Ao som de The Beatles, Here Comes the Sun e Yesterday

O Cristo de Pasolini

 

Assisti no feriado de Natal a um filme surpreendente. Bem, em se tratando de PIER PAOLO PASOLINI, a surpresa é sempre uma constante. Trate-se do O EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS (Itália, 1964). Para um diretor-escritor-poeta maldito, cujas idéias estavam sempre à frente de seu tempo, homossexual assumido, descrente dos valores atuais, cético, visionário, intelectual de concepções sempre polêmicas, desbocado e acima de tudo, genialmente rebelde, é de ficar de queixo caído ao se saber que de suas mãos tenha saído uma obra tão respeitosa à figura de Jesus Cristo. Tanto que até a Igreja Católica o recomenda entre os filmes com temática religiosa! O Pasolini de DESAJUSTE SOCIAL e TEOREMA, só para citar dois filmes com alta carga explosiva, nos apresenta momentos da vida de Cristo de uma forma artisticamente limpa, sem qualquer conotação pejorativa. A dissonância buscada entre os elementos imagem-música nos surpreende muito, mas de uma maneira positiva. Por exemplo, no momento em que o menino Jesus é apresentado aos três magos, o que ouvimos é um lamento em forma de blues, isso mesmo!, em inglês, o que aumenta nosso envolvimento com tudo aquilo. Pasolini enfatiza a palavra de Cristo, suas pregações, em detrimento de ocasiões da vida do Messias. Independentemente da crença religiosa, ou se a pessoa que assiste tenha alguma religião ou não, é, acima de tudo, arte no mais puro sentido do termo. A arte do cinema em sua força. Um cinema que insiste em existir, apesar dos pesares.

Mas a pergunta não cala: como foi que um comunista fez o filme mais fiel a respeito da vida de Jesus Cristo, segundo as escrituras?

O documentário sobre o grande diretor que vem nos extras também é digno de aplausos.

 

 

Simão, o reticente…

À Paula R., que contribuiu com o tema

 

Dizem que Simão Boaventura era a pessoa mais reticente deste mundo. E de outros, se existissem. Tudo o que ele fazia seria o exemplo acabado daquilo que chamamos de incompleto, vago, errante, incerto, vacilante, inconstante e hesitante. Supostamente dissimulado e indecifrável, ele agiria sempre pela metade, fosse por astúcia, por preguiça ou por superficialidade. Ou seria tudo apenas uma questão de índole. Torta, mas índole. Que seja: a definição própria de suas atitudes seria exatamente aquilo que o caracterizaria: a imprecisão. A indefinição o definiria?

Supostamente sem contornos precisos ou fronteiras delimitadas, o mínimo que fossem, Simão Boaventura não parecia nem um pouco (ou fingiria tão bem?) incomodado por dar tal impressão… reticente. Seria como se as reticências fossem sua bandeira, seu código particular de conduta.

Era um homem de idade incerta quando fiquei sabendo de sua existência no mundo. Funcionário público apagado (o que em seu caso poderia ser visto como uma faceta de sua personalidade ambígua), excessivamente apegado à rotina, solteiro, sem amigos nem tampouco vida social. Ele simplesmente se deixava ir no ritmo da correnteza, resignado e ensurdecedoramente taciturno.

No trabalho, como eu mesmo presenciei, era de uma discrição que o deixava quase invisível. Ali, só pela rotina, todos intuíamos que ele era, tinha sido e inexoravelmente seria ainda por longos anos daquele jeito: a personificação do que é (por excesso de discrição e pela recusa de se envolver com os outros) ser notado apenas na ausência, como uma peça de decoração que há anos fica em um dado lugar numa espécie de invisibilidade visível e só quando é removida é notada.

Seu passado era uma incógnita. O máximo de informações: seria solteiro e teria vindo de uma distante cidade há muitos anos, moraria só e viveria para ele mesmo.

Nas festas da repartição ele jamais aparecia, do que sou testemunha. Disso também dou fé: no término do expediente ele tinha a capacidade de desaparecer de um segundo para o outro. Num piscar-de-olhos, ele se desintegrava no ar. No restaurante ele sempre se sentava a uma mesa de apenas um lugar, virado para a janela. Tudo estrategicamente concebido, supostamente, para evitar abordagens para ele odiosas e outros aborrecimentos.

Ninguém jamais arrancara mais que uma dúzia de suas palavras. Descobrir o que pensava de algo era menos fácil do que saber da localização exata do Santo Graal ou do que se passou na cabeça do último imperador romano em seu derradeiro segundo de vida.

De manhã, descia do carro religiosamente com jornais sob o braço, como há anos fazia. De sua boca saía algo muito remotamente parecido com um bom dia, ou coisa do tipo.

Vivendo assim, rotineira e reticentemente, o tempo foi-lhe corroendo a vida, tornando-a pálida, extinguindo-lhe o viço e por fim a levando de vez. Ano passado, vim a saber que ele havia morrido de uma doença misteriosa (foi logo depois que saí daquele emprego). Mas a morte (embora para alguns seja o que de mais envolto em brumas de incerteza exista na âmbito das experiências humanas ) não foi nada dissimulada e desde logo foi bem clara e transparente em suas intenções: dizem que em pouco tempo levou Simão Boaventura, o reticente, para a “terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou”, nas palavras de outro reticente, mas muito mais célebre: Hamlet.

A partir daí, Simão ganhou vida. Ao menos, por um tempo, no cantinho do café da repartição em que havia trabalhado de forma quase invisível tantos anos. Todos o comentavam!

Dizem que seu corpo foi (teria sido?) levado para sua distante cidade de origem e enterrado numa majestosa sepultura e em cuja lápide poderia (pode?) ser lido:

 

                        AQUI JAZ
SIMÃO ALBUZ BOAVENTURA 1935-2006
… sem necessidade de vínculos … independência … como
sempre quis…curiosos e bisbilhoteiros… uma bana… descansa … eternidade …

 

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Ao som de Oscar Peterson e Itzhak Perlman, Blue Skies

Direto do túnel do tempo…

Nostalgia de menos é bobagem!

Como eu disse abaixo, esta época do ano nos deixa assim, meio nostálgicos. Mas a minha nostalgia alcança profundidades cada vez mais abissais, digamos. Olhem onde fui parar: 1988, começo daquele ano. Há 20 anos, portanto! O mundo vivia a febre de uma banda inglesa para lá de competente. O New Order era o que havia de mais “in“, naqueles tempos. Claro que este blogueiro ainda era um pirralho que não podia frequentar tanto assim as baladas de então. Mas eu dava as minhas “fuçadas”…
Este vídeo, da música “Blue Monday” levantava até defuntos mortinhos da silva na pista de dança.
Obviamente que vou encerrar com um chavão: ah, bons tempos…
Ah, dali a alguns anos sonhei em ser DJ, vão vendo. Era doente por dance music. Mas a timidez… Bem, quem sabe um DJ de estúdio, talvez. Não, melhor deixar as conjecturas de lado…

A day not to be forgotten! Que o digam as milhares de minhas células da pele que partiram desta para outra…

Diana Krall no Parque Villa-Lobos, domingo, 2 de dezembro de 2007, 33 graus (a sensação térmica era muito mais!) na Terra da Garoa!

Bem, já que esta época do ano é a hora das retrospectivas, permitam-me fazer a minha. Esta foi a primeira edição do Telefônica Open Jazz, que, digamos a verdade, teve sim erros de organização. O sol nos castigou! Lá estava eu no meio daquela “muvuca”, encantado, claro, embevecido com o talento da Diana Krall, a diva, mas torrando sob um sol inclemente. Assim como uma galera e tanto! Por que não realizar no Parque do Ibirapuera, muito mais arborizado que o Villa-Lobos? OK, tudo pela arte… Mas virei um camarão, sofri o diabo em quase duas semanas…
Mas, o que conta mesmo, como somos paradoxais!, é o momento. Já dá saudades daquele show, apesar de todos os senões…
“I´ve got you under my skin”, cantava a diva. E a minha “skin”, pobrezita, era castigada!
Mas a gente é masoquista mesmo, eu, hein?
Eu neste momento aí estava mais à esquerda, depois não resisti e tive que dar um “rolê” senão correria o seriíssimo risco de uma insolação! Tinha gente a rodo! Claro, a maioria mal sabia o que era jazz. Havia uma distinta (no sentido estético-físico-aerodinâmico do termo) dama atrás de mim que dizia a outra não menos (elevado à última potência) distinta: “Argh, essa mulher toca mais do que canta! Cruzes! Eu vim aqui pra ver ela (sic) cantar, não tocar. Nada a ver…”.

Tá: prefiro morrer esturricado sob o sol a ouvir de novo tal asneira…

Oscar Peterson, virtuose do piano jazzístico, foi convidado para a jam session dos gigantes.

 

Outro artista do jazz foi chamado pelos deuses para tocar na jam session eterna. Cada vez mais os grandes nomes desse estilo musical nos deixam, nos empobrecem um pouco mais. Desta vez, foi o genial e carismático pianista e compositor canadense Oscar Peterson, 82 anos.

Virtuose, mago do improviso, eclético até a alma, a velocidade com que ele tocava os solos era algo arrebatador, de um suingue inacreditável, enfeitiçador, mesmerizante. Nas baladas, igualmente, nos levava (e levará ainda por muitos e muitos anos!) a um grau de fruição musical inigualável. Gravou com quase todos os grandes do jazz, de Charlie Parker a Ella Fitzgerald, de Billie Holiday a Roy Eldridge. Sempre de um carisma e de uma alegria, vigor e espontaneidade que eram sua marca registrada. Venceu 8 prêmios Grammy. Ganhou a maior honraria que um civil canadense poderia receber e se tornou a primeira pessoa em vida a ser estampada em selo de cartas em seu país. 

 

 

Lá se foi um dos últimos titãs do jazz.

Sua presença física se foi, mas sua arte está registrada e eternizada conosco.

R.I.P., Peterson!

 

 

 

Oscar Peterson – 1925-2007

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Ao som do álbum AN OSCAR PETERSON CHRISTMAS, as pacíficas e ternas White Christmas, Have Yourself a Merry Little Christmas e Christmas Waltz

"Mudaria o Natal ou mudei eu?"

Eis um dos mais famosos sonetos da língua portuguesa com temática natalina. Mas, esperem um momento! Quem é o autor? Ninguém menos que nosso maior escritor e prosador: Joaquim Maria Machado de Assis. Mas, Machado Poeta? Sim. E não. Este soneto se tornou um clássico por vias tortas. Machado, o mestre supremo da ironia na nossa literatura, sempre diz algo que é o oposto do que está na aparência. Todos sabemos que ele era um cético da natureza humana, alguém que não tinha religião, que era, pelas leituras variadas pela vida afora, um agnóstico, um ateu, seja o que for, menos alguém religioso. E o curioso foi que passaram tantos anos e estes versos se tornaram tudo aquilo que o velho Bruxo do Cosme Velho não quis: algo piegas e sentimentalóide, algo ao qual ele era totalmente avesso. Ele nos apresenta a esse homem – um alter-ego do próprio Machado? – às voltas com a criação de versos que lhe transportassem à sua infância, na qual o Natal contava. E muito! Mas que nada. Onde a inspiração? Machado, ironicamente, lança mão de lugares-comuns, de clichês de sua época, para mostrar o quão vazio de sentido é tudo aquilo. O verso final, de uma riqueza conceitual digna do mestre, nos propõe reflexões as mais variadas. O Natal não mudou. Mudou mesmo foi a vida. Mudou mesmo o homem. Pois mudaram suas perspectivas, suas circunstâncias. Machado de Assis não quis fazer um soneto que fosse um poço de sentimentalismos. Ele quis nos mostrar o avesso de tudo: o apego a idéias cristalizadas, estanques!

             Soneto de Natal

           Machado de Assis

Um homem, — era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno, —
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,

Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.

Escolheu o soneto… A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.

E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
“Mudaria o Natal ou mudei eu?”

Destinatário: alguém no Pólo Norte.

 

Querido Papai Noel,

Sei que o senhor deixou de acreditar em nós, adultos. Que seus olhos estão voltados para os pequeninos. Mas há muito eu queria lhe escrever esta carta. Grande Noel, eu gostaria muito que o mundo fosse melhor, que… Ok. Saquei tudo: o senhor não aceita lugares-comuns, frases feitas, não? Certo: sabe, Noel, eu gostaria muito, mas muito mesmo, de voltar a ser criança, ao menos por um dia. Apenas 24 horas! Um dia só! Sei que neste ano não fiz muito por merecer. Que não me comportei como deveria. Mas, querido, amado e bondoso Noel, o senhor deixaria um adulto feliz se concedesse a ele, quer dizer, a mim, este pedido que lhe rogo, imploro e tanto almejo: voltar a um dia da minha infância para, assim, resgatar nesta quadra da vida a criança que fui: não mais os preconceitos, não mais o automatismo ao ver as coisas, e sim a pureza das intenções, a singeleza nas atitudes, a alegria no viver, a franqueza dos gestos e tudo o mais que é o exato oposto daquilo em que me transformei, em que todos nos transformamos. Eu, aquele menino, que um dia quis ser astronauta, cientista, marinheiro, cantor de rock e muitas e muitas outras coisas, aquele mesmo menino. Noel, se cada um de nós pudesse ter esse privilégio de voltar às raízes, se tivéssemos a oportunidade de ver o que fazemos (ao desperdiçá-la) com nossa vida, ah, esse presente iria se propagar em vários, os benefícios iriam se espraiar para todo o mundo, aos quatro cantos dele.

O calor humano seria maior. A sensibilidade para com o sofrimento alheio também. Mas tudo isso é tão piegas, tão idiota, tão tolo, pensariam muitos.

Mas, Noel, já que ninguém irá ler esta carta que eu deixo nesta meia numa árvore de Natal, posso lhe dizer sinceramente: querido Papai Noel, lá no fundo de nós a criança que existe dentro de cada um ainda anseia muito pela sua presença. Mas somos por demais orgulhosos, racionais, arrogantes e soberbos para afirmar o contrário.

Muito obrigado, querido Noel, muito obrigado! Sei que iriam rir e zombar se vissem esta carta. Mas ninguém a verá, caro Noel, ninguém a lerá!

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O paroxismo do patético em nós: O JOGADOR, de Dostoiévski

 

  Li ontem de uma assentada só O JOGADOR, de DOSTOIÉVSKI. Publicada em 1866 e narrada em primeira pessoa por Alexis Ivanovitch, a obra traz muito da experiência do próprio Dostoiévski no mundo da jogatina pesada. O narrador nos apresenta àquela sociedade mundana e cosmopolita em alguma época do século 19: intrigas, interesses, casamentos por procuração, o jogo das ostentações fúteis, vaidades, vazio existencial e jogatina, muita jogatina. Personagens sempre em busca de um fio de esperança para sua existência igualmente sempre em estado de miséria (tanto no sentido monetário quanto no do afeto e do humano), está tudo ali, a marca característica do maior autor russo de todos os tempos: Paulina, Des Grieux, Mr. Astley, Mademoiselle Blanche e sua mãe, o General, a impagável Anciã – a que todos pensavam que havia morrido e que um belo dia chega a Roulettenburg, ela em cuja fortuna quase todos estão de olho -, todos no fundo seres em descompasso com o mundo. É como se os personagens deste romance estivessem fazendo de tudo para se livrar como de uma maldição. É como se todos, em suma, procurassem se desvencilhar de uma dada situação que os coloca sempre em desvantagem, numa espécie de limbo existencial. Conseqüentemente, os interesses mesquinhos são vistos como a coisa mais natural do mundo. Os golpes baixos, as “falsidades”, as maquinações, enfim, tudo é visto de uma perspectiva que os iguala em ações supostamente meritórias e triviais.

Mas o que a mim mais chamou a atenção foi a total passividade de Alexis Ivanovitch, sua fraqueza em se livrar do vício da aposta. Claro, falando assim parece muito simples lhe apontar uma fraqueza. Mas tudo ali é-nos apresentado de forma tão intensa, que temos vontade de entrar naquele universo e tentar “acordar” o pobre rapaz daquele pesadelo.

  Até suas ações (de Alexis) que tinham (ou poderiam ter) teoricamente um resquício de virtude acabam sendo “contaminadas” por aquela idéia fixa. As descrições das cenas que se passam no cassino, de uma riqueza de detalhes e de realismo, nos colocam ali, no centro daquele universo de doentes, de zumbis cujo único interesse é o frisson (o “barato”, para usar um termo nosso da atualidade) causado pela interteza do que determinariam as roletas ou as cartas. Temos a sensação aproximada do que é o turbilhão de sensações quase indescritíveis de tão intensas que assaltam os viciados em jogos. Dostoiévski termina seu romance nos apresentando um fim patético para Alexis, que nos deixa a todos com um travo amargo na boca. Vemos se desenrolar perante nossos olhos aflitos todo o drama de uma alma cativa de um vício desestruturador (perdoem-me pela redundância), que se debate para se livrar de tudo aquilo, a fim de renascer como um novo homem, uma nova pessoa. Eis aqui um trecho do penúltimo parágrafo, que sintetiza magistralmente a poderosa mensagem passada pelo genial autor de CRIME E CASTIGO:

“É preciso provar a eles… que Paulina sabe que eu ainda posso ser um homem. Bastaria… aliás, agora é muito tarde, mas amanhã… Oh, tenho um pressentimento e não poderá ser de outro modo. Tenho agora quinze luíses e comecei com quinze florins! Se iniciar com alguma cautela… Será possível que eu seja apenas uma criança? Será que não compreendo que sou um homem perdido? Mas… por que não poderei então rescuscitar? Sim! Bastará, uma vez em minha vida, ser prudente, paciente e… só isso! Bastaria, só uma vez, ter caráter e, em uma hora, posso mudar inteiramente meu destino. O essencial é o caráter (…)”.

  Há algo mais pungente e tragicamente mais patético? Ele tenta, desesperadamente, regenerar-se apelando ao… próprio vício, causa exata e motivo maior de sua miséria presente! Isso é de uma dramaticidade (nunca espalhafatosamente piegas) e de uma expressividade enormes. Dostoiévski era, aliás, um mestre nisso: ele conseguia tirar de uma situação dada uma carga enorme de força humana, de autêntica mostra do patético, do dramático e da precariedade da tragédias que nos espreitam. Ele conseguia fazer aquilo que os grandes gregos do passado, como Ésquilo, faziam em suas peças: levar-nos a sentir, de forma vicária, o alto grau de sofrimento e de patético a que nossas próprias atitudes podem nos levar e também tragicamente nos proporcionar.

Semana promete…

 Terminando de ler FAUSTO, do Goethe.

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 Tenho para ver a partir de hoje: O DESPREZO, do Godard; VERÃO VIOLENTO, do Zurlini; BELÍSSIMA e A TERRA TREME, ambos do Visconti; VERONIKA VOSS, do Fassbinder e NOITES DE CIRCO, do Bergman.

  Para a semana que vem, há outros. E para a outra também!

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  Quero também rever alguns dvds de jazz. E começar a leitura de O JOGADOR, do Dostoiévski.

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  Sim, há sempre de haver tempo para as coisas boas…

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Ao som de Billie (je t’aime!) Holiday, Blue Moon e Good Morning Heartache.

Depois da "procela" (metafórica), a "bonança" (literal e metafórica).

Come back to life!

Após um dia “agitado de tranqüilidade”, estou agora no shopping Villa Mares, no centro de São Sebastião. Banho tomado, com aspecto de gente… Uau! Como estava precisando de um descanso: praia, mar, natureza, lindas e deslumbrantes paisagens (no sentido amplo do termo), novos ares, literalmente. Sabem aquele fim de semana em que tudo dá certo? Tanto que estou com a bateria recarregada para… bem, ainda há as festas batendo às portas. Mas aproveitei o entardecer (o sol ainda está forte!) para espairecer no shopping. Com uma camiseta azul-marinho onde se lê BERGMAN IS EVERYWHERE! (encomendada a um conhecido craque no silk-screen), boné que também mandei confeccionar com os dizeres JAZZ ADDICT (com a imagem estilizada em tamanho pequeno do Chet Baker e do Miles Davis) e também munido de uns indefectíveis óculos escuros (não reparem o fanatismo e a falta de assunto!) flanei (em tal figurino, eu estava quase irreconhecível para mim mesmo: nada melhor que uma espairecida para nos dar uma sensação de limpeza interior e exorcizar os demos – Step back, Satan!) pelas lojas e fui atraído de forma irrecusável por um quiosque abarrotado de revistas. Meu calcanhar-de-aquiles! Não deu outra: comprei algumas revistas que assinava e há tempos, por causa da rotina, sempre ela!, eu não folheava e lia.

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Quem me viu há alguns dias não me reconhece! Agora eis-me com um aspecto mais saudável.

Só de pensar que no show da Diana Krall, exatas duas semanas atrás, torrei todos os meus pecados naquele sol senegalês…

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Pontos altos? Níveis de neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar devidamente levados à última potência. You know what I mean, don´t you?

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Mas está na hora de subir a serra para Saint Joseph from the Fields, mais conhecida carinhosamente como Jeca Tatu´s Land. Quanto preconceito: é uma das cidades mais ricas do país! Pólo tecnológico, blábláblá.

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Agora são 18h30.
Em duas horas, um pouco menos, chego em casa.

Let´s come back to Bahia!

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Espairecer: distrair, entreter. Sentido reafirmado e reassimilado!

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Ao som do salvador mp3 player tocando 10,000 Maniacs, More than This

A letra, a melodia, tudo é delicioso nesta música!

 

[ I could feel at the time
There was no way of knowing
Fallen leaves in the night
Who can say where they´re blowing
As free as the wind
And hopefully learning
Why the sea on the tide
Has no way of turning
More than this - there is nothing
More than this - tell me one thing
More than this - there is nothing
It was fun for a while
There was no way of knowing
Like dream in the night
Who can say where we´re going
No care in the world
Maybe I´m learning
Why the sea on the tide
Has no way of turning
More than this - there is nothing
More than this - tell me one thing
More than this - there is nothing ]

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Praia, mar, sol (preguiçoso!), areia, horizonte: filminho conhecido!

 

 Plantão! Direto do litoral

 Ah, eis-me aqui, caros 3 ou 4 leitores deste blog, o NEFELIBATICES, ex-Idiocosmoblog, que Deus (Deus? ora, adeus!) o tenha…

 Não é que criei coragem e vim curtir esta maravilhosa cidade de São Sebastião? São 5 da tarde e um sol fraquinho está ainda dando o ar da graça. De onde estou, tomando uma água de coco num ponto de ciberquiosque em plena praia do Guaecá, vejo casais de idosos jogando frescobol à beira mar, namorados enlaçados, crianças brincando na areia. Vejo também alguns solitários (epa!) furando ondinhas… Tudo muito clichê. O velho estereótipo de sempre. Mas é só sair da rotina e isso tudo ganha uma dimensão de algo arrebatador, estalando de novidades.

 Mas aproveitei bastante o dia, ”nadei” muito, passei toneladas de protetor solar (ah, Diana Krall…). Amanhã tem mais. E estou com uma fome de leão!

 Eu sou assim: me deu na veneta, eu vou e faço mesmo! Imprevisibilidade é o meu forte.

 I have said!

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Ao som de um axé horripilante que estão tocando aqui!!!… Mas hoje vale tudo. Mas eu preferiria um (háháhá) Coltrane… Quanto esnobismo!!!

Ah, o entardecer na praia…

 

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“Consumo, logo existo”. (Outra “reflekissão” de boteco, quer dizer, de shopping)

 

  Aproveitando a noite agradável, ontem fui gastar meu “dinheiro de rapaz trabalhador”. Quer dizer, por enquanto apenas presentes para familiares. O meu próprio (quanto altruísmo e abnegação de minha parte!)  deixei para a semana que vem. Ali, no turbilhão de um shopping abarrotado, com sacolas mal-equilibradas, no ato de procurar o que mais combina com a pessoa a ser presenteada, naquela pesquisa absorvente (o que será que fulana/fulano irá achar disso, e disso, e daquilo?) eis que me pego às voltas pensando em quem? Em ninguém menos que René Descartes, o grande filósofo francês. Seu Penso, logo existo foi desvirtuado já anteriormente muitas vezes para o título deste texto. Mas é a mais pura sensação: queira ou não, o “simples” ato de comprar está “carregado” de sentidos ocultos, de simbolismos, de conceitos insuspeitos. Comprar, adquirir, empanturrar-se de presentes, presentear nesta época é uma obrigação, um dever que nos atrai, que nos faz mover mundos e fundos apenas porque estamos condicionados a fazê-lo. E ao nos dedicarmos a tal tarefa, é como se obtêssemos a chancela, o reconhecimento de que agora sim, agora sim!, somos seres “normais”, “iguais aos outros”. Não estamos mais em descompasso com o mundo. Podemos, assim, adquirir facilmente a sensação de que existimos (vivemos em plenitude?), de que pertencemos ao grande rebanho…

 Ok, isso é por demais intelectualóide, alguns podem pensar. Mas mesmo assim digo para quem quiser saber algo que poucos admitem: somos seres teleguiados, chimpanzés adestrados, ratinhos de laboratório à mercê das condicionalidades do tempo e do espaço!

 Sorry pelo bode intelecto-pedantesco.

 E prova de que somos paradoxais por excelência: não é que os presentes são/serão dados, como sempre, com os sentimentos mais sinceros?

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Ao som de Miles Davis, Autumn Leaves

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É o começo do fim deste governo de araque!

 45 votos a favor X 34 contra. Faltaram 4 votos aos governistas!

 Toma, Senhor Presidente Lula. Engole essa, Mercadante. Olha o que é bom pra tosse, dona Dilma! Petralhas deste imenso Brasil, demorou, mas, enfim, este (des)governo começa a colher da sua histórica incoerência e arrivismo político. O mesmo partido que lá atrás vociverava contra a CPMF, hoje teve que engolir sua maior derrota. E pasmem: por pura incompetência. De nada valeram as demonstrações de fisiologismo explícito, de nada valeram as perorações do Apedeuta e seus sambas-do-crioulo-doido. Ora, ora: acabou!!!!! como diria o maior dos locutores ufanistas deste país. A CPMF, o imposto que começou provisório e se tornou permanente, quer dizer, quase, enfim chega ao fim. A grande garfada que insidia em toda a cadeia produtiva, que ”mordia” mundos e fundos, pretos, brancos, corinthianos e santistas, pagodeiros e jazzistas, funkeiros e admiradores de Bach, enfim, que era uma ofensa, que chegou e foi ficando, portanto, eis que por uma luz, por um milagre, o Senado deste país, tão desacreditado, deu uma lição na petralha hipócrita. A partir do ano que vem, nunca mais a tal da contribuição menos “contribuição” que já existiu por aqui. A verba ia em grande parte para fechar os rombos anualmente cada vez maiores, fruto da má administração, incompetência e jeitinho.  

 Enfim, o país não perde nada não: o negócio agora é cortar gastos, remanejar verbas, modernizar a estrutura da máquina. Chega desses remédios paliativos! A coisa é estrutural! Qualquer ser minimamente inteligente sabe disso. Há muito tempo!

 Bem feito, Mr. da Silva! É bom ver este (des)governo sair derrotado. Isso não tem preço. Se virem agora pra administrar bem as contas públicas, súcia de incompetentes!

 Que dia histórico…

Sonho (projeto, meta) que se vai… volta?

Ok, não há de ser nada… Mas fechando “com chave de ouro” este ano.
Não deu certo. Infelizmente o curso de Filosofia da Universidade Metodista, pelo sistema de Educação a Distância, no qual eu concorria e consegui passar, não teve, nem terá na segunda edição do vestibular, a procura suficiente e, portanto, este blogueiro vê morrer no nascedouro seu projeito para estudar no ano que vem, pelo menos no primeiro semestre. A lista está aqui. A data final mesmo é dia 1º de fevereiro próximo para a definição. Mas, tomando como base a demanda pelo curso em questão nessa primeira edição do exame, posso dizer com segurança que não haverá gente suficiente para começar um curso aqui em São José dos Campos. Uma pena. Mas mesmo assim recorrerei aos deuses do Olimpo, da terra da filosofia, para que um milagre aconteça e mais pessoas de boa índole venham a se inscrever no próximo vestibular, o de janeiro…

Mas agradeço aos que torceram: Andréia Regina, Eloisa e Otávio, muito grato pela força, pessoal. Já aproveito para lhes desejar ótimas festas e um Ano Novo maravilhoso. Paz, saúde, sabedoria,  sorte e tudo do bom e do melhor!

Um grande abraço.

A luta descontínua continua.

A outra vida de Silas Amaro

 

  Silas Amaro naquele dia vivia outra vida: a vida que ele deveria ter vivido se não tivesse tido a vida que de fato teve.

  Enfim, suspenda sua desconfiança, leitor, e demos uma espiada no que se passou.

  Foi como se a vida dele tivesse saído dos trilhos da existência atual e por um certo tempo entrado no âmbito da possibilidade de outra vida, daquela que ficou apenas no reino das conjecturas.

  Na sua vida de fato, Silas era cobrador de ônibus. Naquele dia, ele tornou-se médico ginecologista, seu sonho de juventude. Desde muito tempo havia prometido a sua mãe que ele iria ser um grande médico para cuidar dela e de sua vó materna, que ouvia o neto toda orgulhosa.

  O tempo foi saltando, pulando, correndo, voando. Aos 19, Silas tinha concluído os estudos medianos. Sua mãe morrera, seus irmãos se casaram e ele havia ficado sozinho, morando de favor com uma tia. Que o detestava, aliás.

  De novo o tempo insistia em voar.

  Aos 26, Silas já não sonhava mais em ser um grande médico. Conhecera uma mulher dezessete anos mais velha do que ele. Casaram-se. Do que ele se arrependeu profundamente: ela era a repugnância em pessoa. E estéril.

  Atualmente, aos 45, Silas é cobrador de ônibus, como foi dito. Um sujeito apagado, frustrado e sem graça. Sua rotina é austera. Não tem amigos. Não tem distrações. Não se informa. Não sai. Odeia ler. Abomina a vida. Silas é um morto-vivo!

  Mas eis que naquele dia Silas acordou em outra dimensão. A dimensão daquele plano de vida que poderia ter tido. Sonho? Pesadelo? Ele não queria saber. Nem nós, leitor, seremos insensíveis assim a ponto de quebrar o encanto. O essencial: Silas estava a desfrutar daquilo tudo, a vivenciar com muita intensidade.

  Ele acordou numa cama imensa, mas de solteiro. Um quarto maravilhoso. De um salto, estava no andar de baixo. A empregada lhe trouxe os jornais do dia. Ele foi ao banheiro. Fez suas abluções matinais. Um banheiro imenso, suntuoso. Não menos que a cozinha. Tudo ali atestava seu sucesso profissional. Doutor Silas Amaro, eminente ginecologista. Ah, se sua mãe tivesse a oportunidade de lhe ter visto! Mas era urgente vivenciar aquilo tudo, pois ele tinha certeza que o encanto a qualquer momento se quebraria, que a qualquer instante ele regressaria a sua vida monótona, rasa, previsível e precária.

  Foi até a sala, agora bem alimentado.

  Lançou os olhos nas estantes abarrotadas. Nos quadros. Nas peças de arte barroca. Nos móveis modernos. No piano de cauda ao canto. Nas cortinas. E se lembrou de sua paupérrima vida. Seu ambiente cinzento. E teve certeza que se tivesse se dedicado, desdobrado e se esforçado, aquilo tudo, no plano do possível, seria o real, e não um naco de vida paralela, de vida que poderia ter sido e que não foi.

  Um táxi o esperava. Chegando ao consultório, deu-se conta das pacientes que o esperavam com um sorriso cândido no rosto.

  Entrou no seu ambiente de trabalho. Sua mesa. Sua parafernália. Seus diplomas na parede. O perfume de limpeza.

Sentou-se em sua imensa cadeira giratória. E se lembrou: o ponto de bifurcação de seu destino, o dia em que se definiu toda a sua vida veio como um raio. Tudo porque, na véspera do dia em que prestaria o vestibular, uns amigos vieram com um convite supostamente irrecusável: haveria um show de rock onde estariam algumas garotas do interior, todas muito bonitas e tal…

  Lá foi Silas. Ficou com uma morena absolutamente enlouquecedora. E com ela, foi-se seu destino. Foram dormir tarde, muito tarde. Ele acabou perdendo a hora. Tarde demais para chegar ao exame a tempo. Ele ficou arrasado. No próximo ano, teve que trabalhar a partir de janeiro. Perdera o pique para os estudos. Nos anos vindouros, ainda guardava como projeto a volta aos estudos. Mas era apenas um projeto. Que nunca se concretizou.

  Naquela cadeira suntuosa, ele percebeu: aquilo não era para ele. Ele não fizera por merecer. Acomodara-se. Deixara passar a vida.

  Saiu apressado. As pacientes o olhavam, assustadas.

  - Ei, doutor, Silas!

  Pasmo geral.

  Neste instante, acordou da sesta naquela quinta-feira modorrenta de sol a pino. Dormia numa cadeira giratória. Mas era a do setor de motoristas e cobradores da empresa na qual trabalhava.

  – Mas, doutor Silas! Que vida boa, hein? Já deu a hora, homem. Pensa que é um marajá? O 352-B sai em dez minutos! O Gonzaga quer falar com você antes. Parece que vão te transferir de linha. Vai fazer a leste-sul, a barra-pesada. Ih, boa sorte, amigo…

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Ao som de The Best of Horace Silver

Coisas que hei de ver/fazer. E para as quais não há preço!

- Ver o Lula e o PT dando adeus à Presidência. Ou seja, passando a faixa. Ou ainda: escafedendo-se dali.

- Ver um certo time na segunda divisão.

- Assistir muita coisa do cinema menos comercial. (Isso mesmo, todo cinema é comercial. O “probrema” é que há graus de “comercialidade”… Um Spielberg faz um cinema que tem um maior apelo de “audiência”. Enquanto um Godard, mesmo que quase fora de combate, tem algo mais a dizer/expressar em seus filmes que interessa a meia-dúzia de seres atormentados como este que “vos fala”).

- Ler tudo que me cair nas mãos que seja digno de ser lido.

- Entrar na Academia Brasileira de Letras (vejam que escrevi “na” e não “para a”!). Pretendo visitar a Casa de Machado de Assis dentro de pouco tempo.

- Ver o funk, o axé e o pagode serem extirpados dos corações e mentes, por força do cansaço da fórmula. Mas algo me diz que o que virá no lugar não será exatamente um poço de perfeição artística.

- Saber da passagem desta para outra pior (espero!) dos seguintes exemplares de conduta humana: Renan Calheiros, Paulo Maluf, Hugo Chávez, Fidel Castro, Eurico Miranda, Alberto Fujimori, José Dirceu, Ricardo Teixeira, Mahmud Ahmadinejad, Bin Laden, entre outros… (Os leitores podem enriquecer tal lista deixando uma mensagem).

I have said!!!

 

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Ao som de Louis Armstrong, A kiss to build a dream on

 

Receitas para afastar o tédio (Testadas e aprovadas)

* Imagine-se uma bexiga murcha. Neste caso, a bexiga é uma representação arquetípica do seu ego mirrado, para baixo, down in the dumps

Imagine que agora você começa a se encher de ar (esperança, sonhos, quimeras, utopias, gases, qualquer coisa!).

Agora, por nada neste mundo pense num alfinete! Tal pensamento pode gerar um atrito conceitual-imagístico que teria efeitos deletérios no seu processo de mandar às favas o tédio.

* Olhe ao redor. Veja bem. Está vendo aquela minúscula mosca que passou? Ela poderia estar pousada, pensando na morte da libélula. Mas, todavia, no entanto, contudo: ela se move! E sai, toda pimpona, a voar.  Compare-se com ela! Você aí, grudado (a) no sofá, na tela do computador. Pense que amanhã, ou daqui a alguns dias, ela, a mosca, não existirá mais na face da terra. Pelo menos ela terá realizado seu papel de mosca! Quanto a você, nenhuma lembrança de sua existência, nenhuma ação grandiosa, nenhum projeto realizado. Nada! É isso que você quer?

* Olhe no espelho. Diga com a pior careta que você saiba fazer, daquelas que a gente usava na infância: buááááááá…ohriquidibumbeláláláláastrominduuuuuu!!!!!!

Neste instante, você se sentirá o supra-sumo do ridículo. Esse senso do ridículo exacerbado o (a)  fará rir. Rindo, foi-se, por um curto tempo, seu tédio.

* Fale sozinho (a). Olhe a parede mais próxima e diga olhando nos olhos dela (sim, determinar os olhos – e outras partes da fisionomia – da parede é uma obrigação sua): Escuta, você tá sozinha, gata (o)?

No momento você irá se sentir no hospício. Mas vai por mim: isso passa e em pouco tempo você irá ter grandes progressos. Mas cuidado para não atingir as vias de fato.

* Veja uma formiga. Procure! Dê um jeito. Mire-se no exemplo dela: laboriosa, não pára um minuto, sempre às pressas para lá e para cá. Que vergonha ao vê-la parar um instante só para observar tua atitude lamentável de ser humano racional superior todo (a) jururu! Quanta raiva misturada com pena ela deve ter de você. Acabrunhado (a), entediado (a), de saco cheio de tudo, você é observado (a) por uma reles formiga que não tem tempo a desperdiçar e jamais terá para tais acessos de tédio-frescura-covardia-fraqueza! Afinal, ela tem mais o que fazer.

Mas se for uma saúva, cuidado! Ela vai querer te dar uma lição…

Seu tédio, agora, é apenas uma lembrança muito débil… Ou talvez tenha aumentado a níveis estratosféricos!

Em todo caso, não precisa me agradecer.

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Ao som de Charlie Parker, This Time the Dream´s on Me, Lester Leaps In e Scrapple From the Apple

Apenas o burburinho*

 

        (*Inspirado no título da música Desolation Row, de Bob Dylan)

           

   No mais recôndito de si, ela não queria (não podia) crer que sua amada mãe se fora, que a idéia de que o “nunca mais” havia finalmente chegado. De que o vínculo com a pessoa mais querida e com o último resquício de seu passado primordial havia se rompido para todo o sempre.

  Um dia, passado um certo tempo, ela caminhava por uma rua movimentada, repleta de gente apressada, de zumbis em forma de pessoas. Camelôs, sujeira, “ruídos” nauseantes que de música não tinham nada. Pregões. Nesse instante, ela sentiu a necessidade de se sentar numa pilastra, perto de uma barraca de cachorro-quente. De súbito, uma mulher de saia azul, de costas, lhe lembrou sua mãe. Ela fixou o olhar naquela figura que ia sumindo entre a multidão. Seu micro-devaneio foi interrompido pela voz de um trombadinha que lhe disse para entregar a bolsa ou senão iria lhe furar a garganta com um reluzente canivete. E que fosse logo porque estava com pressa! Sem reação, pasma, com muito custo retornando ao mundo, ela lhe entregou o que ele pedia. Ninguém poderia ver a cena. Ela se conformara, havia se resignado… O que era algo material em comparação com o grande vazio, a grande lacuna e a miséria existencial que ela sentia? O que era um assalto de um pivete desdentado?

 Todos às voltas com sua azáfama diária. Para onde iriam todos? Eu também deveria seguir aquele caminho? Ou aquele? Para onde iria? Que rumo seguir? Por que todos têm uma direção e eu mal sei o que é isso? E os pensamentos cruzavam celeremente em sua cabeça. Sua vida não tinha meta, constatava ela agora, cruamente. Seus sonhos, dos quais desistira há tanto tempo, esses eram apenas um vago e impreciso turbilhão de fios de imagens desconexas. Família ela não tinha mais. Morava em outra cidade agora. Não tinha vínculos com quem quer que seja. Sua vida profissional estava em frangalhos. A afetiva há muito havia sido desativada. A sensação aterrorizante de não ter ninguém, o paroxismo da solidão irremediável, lhe tomava todas as forças. Sua vida entrara em estado de decomposição. Ela vegetava. O abatimento, a angústia, o vazio, a falta de empenho, tudo isso lhe veio num segundo, raio certeiro a fulminar uma árvore perdida no descampado.

 Quem passava por ela via uma mulher de quarenta e nove anos, aparentando muito mais, a olhar para o vazio, sem dúvida “descansando” ao som de uma “música alegre” e de uma sombrinha e “curtindo” a visão daquela multidão multifacetada. Tem gente que sabe curtir o lado simples da vida…

 Por volta das cinco e meia da tarde daquela terça-feira, a mulher em estado semi-catatônico começou a chamar a atenção dos ambulantes que principiavam a desmontar seus pontos de venda. Mas apenas por pouco tempo. Decerto ela era meio “pancada”… Quem se importaria?

 Duas horas depois, ela ainda estava lá. Com um quase-sorriso idiota no canto da boca. Mas não estava sozinha: um vira-latas sentado ao seu lado parecia lhe dar atenção. Mesmo assim, interessado apenas em restos de comida.

 A noite caía.

 No outro dia, nem sinal da presença dela. E falta não fazia alguma. Quem se importaria? Aliás, ela existia aos olhos do mundo?

 

 

Houve um tempo em que…

   … o  ”tempo” se “arrastava”, no bom sentido. A gente “via” as coisas. “Sentia” cada momento. O transcorrer dos dias. Dos meses e anos. Possuíamos a dimensão exata do que nos rodeava, do que nos “atingia”. Os diálogos se estendiam de forma calorosa. Não havia, tão disseminada, a superficialidade nos gestos, relacionamentos, modos, afetos e tratamentos para com os outros. Tudo se encaixava em categorias, se não estanques, ao menos definíveis. Não nos sentíamos perdidos, arremessados num mundo caótico, de emoções efêmeras e afetos descartáveis. De culto ao consumismo desenfreado. De ênfase no imediatismo de supostas belezas projetadas para durar uma estação. De pouca arte, de muito engano, de rara sensibilidade, de demasiado desapego ao pensar profundamente e com os próprios recursos. De tanta vulgaridade, de tanta mediocridade que inunda os meios de “comunicação”.

   Porém, esse tempo que se foi, há nem tanto assim, ainda está à espreita. Esse tempo é subjetivo. Depende, felizmente, de cada um. Depende de que nos desvencilhemos de hábitos, de que nos “descondicionemos” de tal aparato mediocrizante. Não deixa de ser uma boa notícia. Afinal, temos nossa capacidade de fazer escolhas ainda intacta.

  Quem faz o tempo somos nós. Cada um de nós!

 

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Ao som de Knockin´ on heaven´s door e Man of constant sorrow, Bob Dylan

Um doce fazer "nada".

 A partir de amanhã, estarei num dolce far niente. Em outras palavras: descanso total de aulas, provas, correção de tarefas. Bem entendido, pois: descanso não para os neurônios. Tenho uma lista de filmes acumulados para assistir, alguns livros e, claro, uma viagem à praia como projeto. Mas, sobretudo, é hora de me desvencilhar de hábitos arraigados, de um monte de tranqueiras mentais. Nada melhor que uns dias de silêncio interior total. Afinal, recarregar as baterias (perdoem-me pelo clichê. Mas é domingo de manhã!!) para o ano que está chegando…

Mas é hora da leitura dos jornais!

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Ao som de Cartola, O MUNDO É UM MOINHO.

Contra a uniformidade da mediocridade, irei de Filosofia!

 

              

 

  A rapidez das informações e  o caráter descartável das notícias é algo fabulosamente notável. As notícias chegam às redações, são publicadas na internet, atingem o público interessado. E somem. Para reiniciar o ciclo. Bem, para muitos isso é o óbvio. Mas há aí sim algo mais “profundo”. A superficialidade dos dias atuais. As pessoas, na sua grande maioria, não suportam o “degustar”, a reflexão, a calma necessária para que haja o devido entendimento de uma dada notícia. E isso é um reflexo de uma situação muito mais abrangente: pensar, hoje em dia, custa caro! É o que dizem. O preço? Tempo perdido. É como se o esforço para concatenar idéias, ligá-las com outras, fazer analogias, tirar conclusões e estabelecer elos entre conceitos fosse uma grande “roubada”: perda de tempo, o tempo que não volta nunca mais!

  Em tempos tão refratários ao pensar, o que farei eu num curso de Filosofia? ( o resultado do vestibular sai terça-feira). Vou contra a maré. Insistirei em ir na direção oposta! Recuso-me categoricamente a ser um zumbi, um maria-vai-com-as-outras! Quero usar o cabedal que irei adquirir para fazer uma interface com o cinema e a literatura. Ao passear pelas obras dos grandes filósofos do passado, familiarizar-me com conceitos que hoje apenas sei por intuição e acima de tudo me aprofundar no pensar, na ciência do pensar, irei ao mesmo tempo me desvencilhar de muitos estereótipos, lugares-comuns, preconceitos e idéias prontas que ora me invadem!

 Que venham Platão e Cia! Contra a mesmice dos tempos medíocres, recorrerei ao velhos gregos para principiar a viagem rumo à busca incessante da verdade. Mesmo que utópica. Mas nunca castradora do senso crítico e do aperfeiçoamento intelectual.

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Ao som de Zélia Duncan, Alma