Esclarecimento oportuno.

  Subidas em árvores? (Ver texto abaixo). Esse cara pirou?
  Não, ainda não. Foi uma liberdade da imaginação. Claro. Mas se me der na telha até que eu subo, viu? Seria uma forma metafórica de escalar uma torre de marfim? Um ato de desapego aos valores da sociedade voltada ao capital? Uma forma simbólica de ascensão espiritual? [...]

Botando o pé na estrada e fugindo da civilização carnavalescamente bestial.

  Estou saindo amanhã de viagem. Passarei uma semana no sítio da minha querida vovó em Embu-Guaçu. Estarei entre muito verde, animaizinhos mimosos (dizem que há jaguatiricas à espreita por lá), partidas de futebol em chão de terra batida, subidas em árvores (e vou fazer que nem aquele tio birutão, personagem do Amarcord, do Fellini, e gritar lá de cima a plenos [...]

“O Nietzsche tá toda hora impedido, o Sócrates só fica na banheira, o Platão não sabe outra coisa a não ser dar carrinho e o Heidegger só catimba. Pô, seu Confúcio, o senhor que é o juíz, dá um jeito aí, meu! Esse jogo tá muito amarrado”.

    Nunca houve uma partida de futebol como essa. Não com tantos craques com idéias na cabeça em vez de vento. De um lado, os filósofos gregos, de outro, os alemães. Do embate entre os nobres jogadores helênicos e os teutônicos, o que sairia? Veja este vídeo e confira.
   É obra dos mais loucos e inteligentes humoristas da Inglaterra, [...]

A jornada existencial no cinema de Antonioni.

    
     
Comecei minha retrô particular de Michelangelo Antonioni com O Grito (Il Grido, 1957), obra que seguiu As Amigas, e que continua seu afastamento da temática neo-realista e parte para um cinema de cunho mais filosófico e intimista.
   
 
 

      Um homem (Aldo, na interpretação competente de Steve Cochran) e uma garota (Mina Girardi) lançados [...]

Sobre a incoerência das nossas ações (Título em homenagem a Montaigne).

                        
  Todo ser humano é compreensivelmente “incoerente”. Por quê? Porque as circunstâncias mudam, oras. E com elas, mudamos nós.
  Eu sou ser humano (sou?).
  Logo, sou incoerente.
  Traduzindo: voltei ao Orkut e podem rir à vontade. Eu agüento a gozação. Mas assumo a incoerência, hehe. Saí de lá no ano passado, fiz um post [...]

Este blog traz em primeira mão um pequeno texto-base de uma seita milenar recém-descoberta.

                      
  Tudo leva em si a chancela do provisório. Tudo é por demais contingentemente precário. Tantas são nossas sempre repetidas juras de apego a vãs decisões que mudam ao sabor dos ventos e tufões do Incerto! O caráter lastimável do destino humano, a incerteza dos nossos juízos, a vulnerabilidade que assume todos os matizes. [...]

O Abismo das Ilusões Perdidas.

                       
    De frente para aquela paisagem por demais refratária a qualquer tipo de pensamentos bucólicos, sentindo que seu momento chegara, que daquela atitude que ele estava prestes a realizar tudo o mais dependeria, ele sentiu medo. O medo de que suas utopias pessoais e particulares fossem destroçadas pela mais brutal realidade. De que sua [...]

O nonsense que faz rir.

 

 
The Lesser Kiki
“It attaches itself to a banana tree and waits for a human/animal to pluck and eat one of the bananas on its back. When this happens, the creature’s energy is drained away for the rest of the day and cannot move. And another two bananas grow on its back.”

 
        Concorrente: Sam Connelly
 
 
Esta [...]

Roteiro para um curta muito curta. Exercício de um aprendiz de roteirista.

 
 
       Bem, tenho me interessado há algum tempo por roteiro de cinema e, movido por uma imensa curiosidade, lido muito sobre o assunto. A partir do momento em que me embrenhei na matéria, nunca mais vi um filme da mesma forma. A arte do roteirista, essa criatura tão desprezada pelo grande público, é de fato difícil. Imaginar e [...]

Reflexões pluviais.

 
  Neste instante, chove a cântaros, cai um toró (como dizemos em São Paulo city), it´s raining cats and dogs.
  Acho que foi num romance do Eça, não me lembro bem, no qual o narrador diz que o ato de observar a chuva caindo, o atrito das gotas no solo, o ritmo mesmerizante e hipnótico, é [...]

Um agradecimento e uma comemoração.

Esse post aí embaixo foi o que mais comentários suscitou nestes quase dois anos de blog. Migrei todos eles para um lugar só, em vez de deixá-los nos textos cujos links indiquei. Assim, todos reunidos apenas num texto, iria ficar mais fácil de visualizá-los.
Resumo da ópera: um agradecimento a todos que por aqui passaram [...]

Para não dizer que não falei de lixo…

    Abaixo (em azul) estão dois “textículos” (foi boa, Otávio!) que este pobre ranzinza, euzinho, ainda que jovem para tal qualidade geralmente senil, escreveu há dez meses sobre um programinha televisivo que nos assola anualmente. Quer dizer: a mediocridade (já faraônica) tem periodicidade neste país. Ela começa em janeiro e vai até março. É quando se [...]

Ele não tinha limites e foi resultado de suas próprias escolhas erradas.

 Fui ver hoje MEU NOME NÃO É JOHNNY. Um filme que, para alguns mal-informados, pode parecer uma glamourização da criminalidade. Nada disso. O próprio diretor, Mauro Lima, já se muniu com um argumento demolidor: aquilo tudo foi de fato o que aconteceu. Simples assim. O enfoque foi esse.
A vida sem limites de João Guilherme Estrella (Selton Mello), [...]

Uma diva brasileira do jazz. Eis nossa Diana Krall!

Eliane Elias. Este é seu nome. Paulistana de nascimento, nova-iorquina há mais de vinte anos, pianista de jazz, cantora e compositora. Talentosíssima, linda e uma praticamente desconhecida em seu país de origem. Em tempos de pobreza sonora, saber que temos uma brasileira que há anos faz sucesso lá fora como jazzista, é um prazer [...]

Boliche: há quanto tempo eu não jogava!

Acabei de chegar do American Bowling Center em Jacareí. Jogar boliche: eis algo que não fazia há uns 8 anos! Claro, é que nem andar de bicicleta: uma vez que se aprende, não se esquece. Mas quando se está enferrujado pra coisa… Mas, bene, é delicioso o ambiente: as risadas, os pinos maleditos que [...]

Uma viagem pelo mundo das idéias.

    Leituras:
  Estou lendo diariamente o 101 Experiências de Filosofia Cotidiana, de Roger-Pol Droit, filósofo e pesquisador francês (Editora Sextante). É um livro que havia lido há alguns anos e reiniciei, tão interessante que é. A filosofia sem fraque, sem trajes de gala: no nosso dia-a-dia, nas nossas mais triviais ações, naquelas coisas [...]

"I´m back!" (Tudo bem: vocês já ouviram notícia mais animadora, não?). Em que me desculpo e explico o porquê da minha "ausência-não-ausência" e da mudança visual (ah, de novo?) deste blog.

  Salve, salve! Meus caros e caras nefelibatietes,
  Por causa de um problema em meu computador, fiquei desconectado desta selva de tagarelice pós-moderna chamada internet. E para, paradoxalmente, “comemorar” minha “volta” (a volta de quem nunca foi é volta?) e assim continuar com a cota de contribuição que me cabe à essa balbúrdia (neste latifúndio cibernético), eis que aviso: [...]

Errata.

Aqui está a letra de Here´s to Life, interpretada por Shirley Horne, com as devidas correções.
 
Here’s To Life
No complaints and no regretsI still believe in chasing dreamsAnd placing betsBut I have learned that all you give is all you getSo give it all you got
I had my shareI drank my fillAnd even [...]

Notas americanas: de Obama, Hillary e Britney Spears. Notícia em primeira mão!

Entre os democratas, em Iowa, deu Barack Obama. Hoje, em New Hampshire, pode se repetir a façanha. Para quem gosta de acompanhar o cenário internacional, sobretudo em ano de eleições presidenciais na terra da Billie Holiday (Que mundo de contrastes:  na terra também da Britney Spears, argh, aquela que será conhecida por civilizações futuras como a maior barraqueira [...]

Ah, fosse no tempo de FHC…

  Todos viram: no primeiro dia útil do ano o governo de Sua Santidade Dom Inácio III baixou um pacotezinho de maldades aumentando o Imposto Sobre Movimentações Financeiras (IOF) e também a Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL). Isso porque o próprio excelentíssimo havia prometido que não existiria tal pacote. Cadê a oposição? Que venha uma ação judicial contra tal pacote!
  [...]

ATRAVÉS DE UM ESPELHO: no laboratório de Bergman.

TRILOGIA DO SILÊNCIOIngmar Bergman, Suécia, 1961-1963Através de um espelho (Sasom i en spegel) / Luz de Inverno (Nattvardsgarterna) / O Silêncio (Tystnaden)
 
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    Aproveitando as férias, dando início à Trilogia do Silêncio (sendo que a idéia de uma trilogia não era algo pelo qual Bergman tinha lá muito apreço, mas deixou que [...]

"Festa estranha com gente esquisita" e achei tudo muito legal!

  Ontem fui a um “sarau lítero-dançante-etílico”, digamos assim. Funcionou dessa maneira: num ambiente aconchegante, cheio de pufs esparramados, ao som de muita música (dos anos 50 até hoje!), com muito vinho, whisky, ambiente cool, cada um (individualmente ou em grupo, como na foto ao lado. Aliás, descanse o mouse sobre ela e você descobrirá o [...]

Imperdível o Mais! deste domingo.

  O caderno Mais! da Folha hoje está um banquete: traz trecho de um roteiro inédito de Michelangelo Antonioni que se passa no Brasil e texto do italiano no qual ele explica passagens desse seu trabalho que infelizmente não chegou às telas. E mais: um texto delicioso de Walter Salles no qual o diretor brasileiro faz [...]

A maldade, a bondade, a necessidade de vingança e de redenção em A FONTE DA DONZELA.

   Segue minha retrô particular de Ingmar Bergman:
   
   Herr Töre (Max von Sydow) tem duas filhas. Karin (Birgitta Pettersson) é loira, linda e bondosa. Ingeri (Gunnel Lindblom) é morena, está grávida e é filha bastarda. Ela sente inveja de Karin e quando esta é incumbida de levar à igreja as velas a uma santa, como apenas uma [...]

O passado palpável em MORANGOS SILVESTRES

    Dando seqüência à minha retrô particular de Ingmar Bergman:
  
    O eminente Professor Isak Borg acorda (perturbado por um sonho em que vê sua própria morte) bem cedo no  dia em que vai receber um titúlo honorífico. Decide ir de carro com sua nora Marianne (a estonteantemente bela Ingrid Thulin) até a [...]

O Sétimo Selo, na visão de Woody Allen.

E, como complemento do texto anterior, com a palavra, o grande Allen:

 The Seventh Seal was always my favourite film, and I remember seeing it with a small audience at the old New Yorker Theatre. Who would have thought that the subject matter could yield such a pleasurable experience? If I described the story and tried [...]

Retrô particular de Bergman: O Sétimo Selo.

 
O que faz alguém assistir a filmes de cinqüenta anos atrás e achar que eles ainda nos dizem algo neste início de milênio, neste mundo de “vastas emoções e pensamentos imperfeitos”? Nesta época de hipérboles, de novidades logo descartadas, de dinamismo, de consumismo desenfreado, de pós-pós-modernismo, de culto ao corpo, de hedonismo vulgar, de superficialidades lucrativas e [...]