Abaixo estão músicas de outrora. Algumas de um passado não tão distante mas ao mesmo tempo já longínquo… Paradoxal, isso, não?
Declaro abertas as portas da nostalgia…
É ouvir e esperar o fim de semana…
Abaixo estão músicas de outrora. Algumas de um passado não tão distante mas ao mesmo tempo já longínquo… Paradoxal, isso, não?
Declaro abertas as portas da nostalgia…
É ouvir e esperar o fim de semana…
E ele estará entre nós na semana que vem! Pena que não vou…
!!!!!!!!!
Porque podemos viajar sem sair do lugar.
Revisitando o passado!
Abrindo as portas do passado…
É ouvir, ver e divagar.
As imagens são, claro, todo mundo já sacou, do 2001: Uma Odisséia no Espaço, do graaaaaaaande Kubrick.
Um curta antigo, mas cuja leitura política continua atual…
Enquanto isso, nos bastidores de O Faraó sai do Armário, uma superprodução hollywoodiana…
Roteirista 1: P.q.p.! Surgiu um impasse, e dos bravos! Como a gente vai sair dessa? Vai vendo: roubaram a múmia que ia servir de figurante, pô!
Um tempo.
Roteirista 2: Chama o Fidel e não se fala mais nisso!
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Moral da história:
Te cuida, Tutankamon …

… concorrente na área!

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Ao som de Enigma, Sadeness (e não Sadness, como eu havia escrito e meu amigo Otávio me corrigiu: culpa desses locutores de FM petistas que não aprenderam inglês…) e Human League, Human
We’ll be together again – Stan Getz 1983 -
Você descobre que o mundo tem jeito ao ouvir isso.
Dexter Gordon, Loose Walk
Thelonious Monk – Epistrophy
Thelonious Monk – Evidence – Japan, 1963
Ah, Perante
Ah, perante esta única realidade, que é o mistério,
Perante esta única realidade terrível — a de haver uma realidade,
Perante este horrível ser que é haver ser,
Perante este abismo de existir um abismo,
Este abismo de a existência de tudo ser um abismo,
Ser um abismo por simplesmente ser,
Por poder ser,
Por haver ser!
— Perante isto tudo como tudo o que os homens fazem,
Tudo o que os homens dizem,
Tudo quanto constroem, desfazem ou se constrói ou desfaz através deles,
Se empequena!
Não, não se empequena… se transforma em outra coisa —
Numa só coisa tremenda e negra e impossível,
Uma coisa que está para além dos deuses, de Deus, do Destino
—Aquilo que faz que haja deuses e Deus e Destino,
Aquilo que faz que haja ser para que possa haver seres,
Aquilo que subsiste através de todas as formas,
De todas as vidas, abstratas ou concretas,
Eternas ou contingentes,
Verdadeiras ou falsas!
Aquilo que, quando se abrangeu tudo, ainda ficou fora,
Porque quando se abrangeu tudo não se abrangeu explicar por que é um tudo,
Por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa, por que há qualquer coisa!
Minha inteligência tornou-se um coração cheio de pavor,
E é com minhas idéias que tremo, com a minha consciência de mim,
Com a substância essencial do meu ser abstrato
Que sufoco de incompreensível,
Que me esmago de ultratranscendente,
E deste medo, desta angústia, deste perigo do ultra-ser,
Não se pode fugir, não se pode fugir, não se pode fugir!
Cárcere do Ser, não há libertação de ti?
Cárcere de pensar, não há libertação de ti?Ah, não, nenhuma — nem morte, nem vida, nem Deus!
Nós, irmãos gêmeos do Destino em ambos existirmos,
Nós, irmãos gêmeos dos Deuses todos, de toda a espécie,
Em sermos o mesmo abismo, em sermos a mesma sombra,
Sombra sejamos, ou sejamos luz, sempre a mesma noite.
Ah, se afronto confiado a vida, a incerteza da sorte,
Sorridente, impensando, a possibilidade quotidiana de todos os males,
Inconsciente o mistério de todas as coisas e de todos os gestos,
Por que não afrontarei sorridente, inconsciente, a Morte?
Ignoro-a? Mas que é que eu não ignoro?
A pena em que pego, a letra que escrevo, o papel em que escrevo,
São mistérios menores que a Morte? Como se tudo é o mesmo mistério?
E eu escrevo, estou escrevendo, por uma necessidade sem nada.
Ah, afronte eu como um bicho a morte que ele não sabe que existe!
Tenho eu a inconsciência profunda de todas as coisas naturais,
Pois, por mais consciência que tenha, tudo é inconsciência,
Salvo o ter criado tudo, e o ter criado tudo ainda é inconsciência,
Porque é preciso existir para se criar tudo,
E existir é ser inconsciente, porque existir é ser possível haver ser,
E ser possível haver ser é maior que todos os Deuses.
Ao som de Billie Holiday, Stormy Weather
Eric Clapton – San Francisco Bay
Sacodindo a poeira…
Eric Clapton – Alberta, Alberta
Suas músicas calam fundo. Seu passado de bluesman da pesada ficou para trás. Sua arte, esta não perdeu nada da qualidade de outrora.
Taí uma música pra se ouvir na atmosfera entorpecedora dos sentimentos em ebulição.
A melodia é inesquecível.
A ti, Alberta! (Você, meu caro, pode “customizar” – argh- o nome feminino à vontade. Poucas vão resistir…hehehe)
Ah, eu vivia me apaixonando. Como me apaixonava facilmente! Tem aquele standard de jazz chamado I Fall in Love too easily, com a voz e o trompete do Chet, que me caía (cai ainda?) como uma luva!
O fato incontestável é que eu me apaixonava. Eu tinha uma intuição apuradíssima para me apaixonar pelas garotas erradas: geralmente eram as mais esnobes, de tão lindas que eram. Caramba, tenho até hoje a fragrância dos cabelos da Renata, da terceira série B! O mais gostoso daquilo tudo era a sensação de levitação e de terremoto interior que eu experimentava toda vez que a via ou que apenas intuía que ela estava por perto. O coração a mil. E eu tinha 9 anos! (Era época de transição política, me lembro bem! Adieu, presidentes da ditadura!)
O fato não mais contestável é que eu era tímido como uma donzela da Idade Média. Ainda que os olhos ajudassem (até hoje não sei definir a cor dos meus próprios olhos! Seriam azuis ou verdes???), a timidez me tornava meio (meio?) pateta para as garotas. Naquela época, os tímidos tínhamos o apelido nada lisonjeador de “pato”. Ainda não sei qual a relação de uma coisa com a outra. Sei apenas que um dia, isolado da civilização imbecil, sozinho na sala na hora do intervalo, uma trupe demoníaca invadiu a sala aos gritos de “O Elienai é pato, o Elienai é pato!“. Os bloody sons of a pretty bitch tinham descoberto que eu havia mandado uma cartinha para a beldade da escola. Ela mandou devolver com um bilhetinho: “não gosto de patos“!
(Corte brusco) Lá fui eu com minha mãe à psicóloga. Não tinha necas. Disse ela, a viúva do Sig, que eu era introvertido (original, não?), mas que, com o tempo, eu poderia amenizar aquilo tudo. Eu era (contra todas as previsões, diriam os que me conheciam), normal e, para pasmo geral, teria uma grande habilidade ou inteligência linguística, disse ela. Isso tudo minha mãe me falava com muito orgulho enquanto meu pai, na sua biblioteca de teólogo, lançava olhares que podiam ser lidos: este garoto ainda vai me dar problema…
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Well: fui bem fraquinho em exatas. Não, falemos categoricamente: era medíocre. E não confesso isso com aquela vaidade às avessas: até hoje lamento não ter me interessado pelo assunto. Tive bons professores. Mas o probleminha é que, durante as aulas, enquanto todos estavam soltando fumacinhas das caixolas, lá estava eu, solitário naquele “silêncio sepulcral”, dando tratos às bolas (fazendo figuras surreais no caderno). Mas não para calcular, subtrair, dividir, multiplicar. Mas para ficar imaginando possíveis historinhas com aqueles colegas, amiguinhas, todos representando na minha imaginação mais fértil que o crescente do Rio Nilo, um papel com o qual eles e elas mal sonhavam!
Eu ficava olhando aqueles números todos e ficava tentando achar um gênero (masculino? feminino?) a qual cada um poderia pertencer. O que fariam os números se misturados a letras? O que o sinal de mais diria para o sinal de menos se eles se encontrassem? Vejam bem o “garoto normal” at work…
Ficava a criar, intuitivamente, esboços de personagens: a Fernanda seria uma ótima médica. Ela era calma, educada, estudiosa… Etc e tal. Eu analisava tudo e todos.
Tinha um prazer nisso.
O preço foi alto: levei muitas bombas, como poderia se esperar.
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Enquanto isso, devorava coleção Cachorrinho Samba, ah, que saudades! O primeiro que li foi A MONTANHA ENCANTADA, de Maria José Dupré.
Li também, esse não da série mencionada, O MENINO DO DEDO VERDE, entre outros pelos quais ficava fascinado.
Um pouco antes, antecedendo a alfabetização, eu adorava folhear as enciclopédias do meu pai e a minha própria Enciclopédia do Estudante (que já achava minha, ainda que minha irmã mais velha me fuzilasse com o olhar cada vez que eu subia no banquinho para pegar na estante a tal da enciclopédia).
Havia até um livro sobre magia negra e feitiçaria, que meu pai tinha. Pesquisei e
achei a capa na web. Puxa! Esta imagem faz parte do meu acervo afetivo e memorialístico, digamos. Eu estava aprendendo a ler folheando aquela edição que fazia parte de uma coleção da Editora Prisma dedicada à magia negra (tinha uma voltada ao Corpo Humano, outra para a vida marítima, sendo que o oceanógrafo Jacques Cousteau foi, de tanto eu folhear e soletrar as palavras e as imagens assustadoras e por isso mesmo fascinantes daquele livro, um dos meus grandes heróis)! Claro que fuçava escondido do meu pai. Não, ele não era bruxo. Apenas era, nas palavras dele, uma forma de se conhecer as artimanhas do Inimigo.
Quis ser astronauta (“Tem que gostar de matemática? Esquece!”), marinheiro (“Não sei nadar até hoje”) e mais um monte de coisas por influência daquelas figuras.
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Mas aquelas garotas…
A tempo: o primeiro beijo foi decepcionante. A garota, “bonitinha mas ordinária”, que morreu dali a alguns anos (vão vendo! não sei como não fiquei grilado pelo resto da vida que ela havia morrido porque me beijara! Pior: eu também morreria?), teve um acesso de tosse e me deixou ali, parado, com a respiração a mil e o coração saindo pela goela. Me senti esmagado achando que ela não gostara do meu, tá, chamemos muito bondosamente de “beijo”.
Foi ali perto do Cemitério Israelita. Na época explodia Coração de Estudante, do Milton Nascimento.
O Sarneyzão assumia Pindorama dali a alguns dias.
Cai o pano.
Bem, o Tiranossauro barbudo largou o osso e nada de se comentar aqui neste blog. As movimentações para a criação da CPI dos Cartões e nada aqui. O corre-corre para as eleições municipais. Nem um pio por aqui. What on earth is goin´ on over here?
É, quem me viu, quem me vê! Já escrevi (podem dar uma olhadinha nos posts mais antigos da categoria POLÍTICA, ao lado) e me interessei muito sobre política. Houve época em que não saía de casa sem ler a editoria política da Folha e do Estadão, fazer escala nos blogs políticos, opinar em fóruns etc e tal. Mas… eis que passo por uma fase em que me despolitizei, mas foi uma escolha consciente, não por alienação tal qual a conhecemos.
Talvez seja por “ver triunfar as nulidades”, leia-se: a mesmice que impera nos vícios, falcatruas, busca desenfreada pelo poder, fisiologismo, corrupção, etc e tal.
Talvez seja algo transitório, ainda não sei. Só sei que sinto um profundo desalento com certas coisas que outrora me despertavam paixão, ardor.
Fui filiado ao PSDB mas não renovo minha ficha partidaria há anos, talvez uns 3 ou 4. Reuniões do partido faz séculos que não freqüento.
Dos jornais, hoje apenas me interesso, e olha lá, pelos cadernos de cultura, sobretudo os dominicais. Blogs, esses visito bem poucos.
Vou assim cortando o máximo que posso as distrações e voltando minha câmera interior a questões mais transcendentes, mais densas. Filmes, música, artes em geral. Nesses campos, a mesma coisa.
Vou assim me desfazendo das gorduras, dos excessos, e me concentrando no essencial.
Talvez, repito, isso passe. Não sei. Idade não é, primeiro que nos thirty-and-something, esta idade, para alguns, provecta, ainda não é hora de as sinapses pedirem água, longe disso que estão! E segundo: há gente em outra fase da vida muito mais adiantada em anos que mantém o interesse por assuntos de épocas anteriores.
Talvez seja um desequilíbrio neuroquímico, quem sabe. Ou seja influência das marés, dos astros, ou ainda: mandinga, encosto, olho gordo, má fase, noites mal-dormidas, “solteirice” (atentem para o subtexto, por favor!)…
A verdade é que sou a sombra (não vejo isso como um exercício de auto-comiseração nem saudosismo) do que fui, quando me refiro à política e às sátiras que eu fazia tão pouco tempo atrás.
É a vida. São as trocas de pele que todos experimentamos mais dia, menos dia.
E, acreditem, isso é bom!
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Ao som de Art Pepper, Long Ago and Far Away