Enfim, adeus, pindaíba!

Standard & Poor’s eleva rating do Brasil para grau de investimento

Da Folha Online das 16h12.

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s, uma das principais, anunciou nesta quarta-feira que elevou o rating soberano (nota de risco de crédito) do Brasil para grau de investimento, a melhor classificação para receber investimentos estrangeiros.

Com a decisão, o rating do Brasil em moeda estrangeira em longo prazo passou de BB+ para BBB-, nota que já está incluída no grupo classificado como grau de investimento.

O grau de investimento é a classificação dada pelas agências de rating a países com poucas chances de deixar de honrar suas dívidas.

Com a nota, o Brasil poderá receber recursos de grandes fundos internacionais que só têm autorização para investir em mercados que já conquistaram essa chancela de bom pagador.

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 - Muié, liga a tevê!

 - Ô hómi apressado, vixe. O que foi, coisa? Vai tirar quem da forca?

 - Depressa! É uma coisa mais melhor de boa pra nóis, criatura!

 - Desembucha, fio de Deus! O que aconteceu?

 - A tal de agência Standa i pur lá não sei das quanta deu uma nota boa pro país. A gente não é mais caloteiro, meu amor! Isso não é bom demais?

 - Tô entendendo nada não! Fala de modo que pobre entende!

 - Ô, meu Cristo. Os zómi lá dos estrangeiro, os da grana, sabe? Então, eles se reuniram, fizeram lá as conta arrevesada deles e declararam que nosso querido Brasil, que nossa amada pátria saiu do grande SPC mundial, o clube dos caloteiro.

 - Tá, em que isso vai mudar minha vida? Jennyfferry, sai daí menina, vai quebrar a cabeça, ôsh, meu Deus!

 - Isso quer dizer, muié, que acabou aquele negócio de nos chamar de caloteiro, vigarista, salafrário. A gente vai pode sair comprando a prazo, Serafina! Nóis tem honra, muié. Nóis existe! Pode comemorar!

 - Meu Cristo! A gente vai pode comprar um sofá pro barraco?

 - Um fogão novo também!

 - Uma cama decente?

 - E uma nova geladeira.

 - Aquilo nunca foi geladeira, deixa de conversa!

 - Resumindo o troço: agora, graças à sabedoria dos zómi, esses fio de Deus, a gente sai da pindaíba, Serafina.

 - Virge! Deus queira!

 - Ele quer!

 - Vou comprá uma carninha pra assá e comemorá!

 - E bota aquele vestido, meu amor! Aquele!

 - Ih, sabia que você ia querer levar pra outro caminho, hómi. Cria juízo!

 - Ah, criatura. É um motivo e tanto, num é? Morram de inveja, argentinos! Hahahahaha… Agüenta nóis agora!

O velho Allen está de volta.

 

 Hoje, na Ilustrada (para assinantes da FOLHA ou do UOL), a entrevista com Woody Allen é bem esclarecedora sobre o momento específico na vida desse grande diretor, estupendo artista. Algumas revelações: diferentemente da fama de intelectual exótico (com a qual ele não concorda) e recluso que tentam passar dele, Mr. Allen diz: foi só ler um livro depois (e quando o fez, foi só para impressionar as garotas) dos dezoito anos e não é fã de obras “complicadas”. Apesar de se dizer não tão sociável, afirma que ultimamente tem saído mais, muito por causa de sua esposa (trinta e cinco anos mais nova) coreana. Aos 72, mostra já um certo cansaço, apesar de ainda querer continuar na empreitada. Seu novo filme, “O Sonho de Cassandra”, um filme que ainda bebe na fonte de Dostoiévski (sua obsessão, vide “Match Point”), estréia hoje no Brasil. O duro é esperar dos Cinemarks da vida a boa ação de trazer tal pepita. Sim, pepita, pois pelo que andei lendo, o filme é um Allen em grande estilo.

  E por falar em estilo. É curioso saber sobre o processo de criação de Allen, esse admirador (para dizer o mínimo) de Bergman, diretor que o autor de “Zelig” (que acabei de assistir, depois de anos de desejo: identifiquei a mim mesmo em certa época pregressa da minha vida…) homenageou em “Interiores”. Ele se mostra um sujeito modesto, sem aquelas frescuras de (pretensos) gênios. Diz que quando começa a ter uma idéia para um roteiro, tem certeza de que um “Cidadão Kane” em potencial está ali. Mas, afirma ele, é só passar para a sala de montagem que ele se frustra…

  Os mestres têm isso: dão a falsa impressão de que o que fazem é a coisa mais fácil do mundo.

  Ótima entrevista!

 

"O Rolo Compressor e o Violinista", de Andrei Tarkovski.

 

 

 

  Sasha  é um garoto que ama seu violino e tem que enfrentar as armadilhas de seus coleguinhas que insistem em tirar-lhe a paciência e humilhá-lo apenas por ele ser um “músico”.  Já há aí a concepção do artista como um pária, um ser em descompasso com sua realidade.

  Sergei é operador de rolo compressor. Homem rude, é graças a ele que um dia Sasha é “libertado” das garras dos pequenos algozes. Nascia ali, naquele instante, uma amizade que iria, de certa forma, mudar a concepção de ambos…

  Em apenas um dia, vemos crescer uma cumplicidade quase improvável entre o aparentemente grosseiro trabalhador braçal e o sensível artista-mirim: dois mundos se contrapondo. O da arte versus a brutalidade (esta última representada principalmente pela atitude quase diabólica daqueles garotos que cresciam sem um lazer apropriado, naquele ambiente de carências); o mundo da poesia e transcendência da música versus o ruído da mais “áspera” das realidades; entre o violino, talvez o mais lírico dos instrumentos musicais, de um lado, e, no outro, a “truculência”, tanto sonora quanto física, massa de peso mesmo que é um rolo compressor.

  Naquela, como acima mencionado, improvável junção de mundos tão opostos, vemos desenrolar, no espaço de um dia, uma sucessão de planos, de atmosferas quase expressionistas (muito parecidas com aquelas do neo-realismo italiano, sobretudo o De Sica de “Ladrões de Bicicleta“), de subjetividades muito bem captadas pelo olhar sensível de um artista que estreava ali, aos 28 anos, e seria um dos grandes do cinema. O média-metragem (43 minutos) foi feito como trabalho de conclusão de curso de Andrei Tarkovski. Que TCC!

  Vemos ali uma busca pela expressão da atmosfera subjetiva dos personagens principais. A realidade brutal também travestida de conservadorismo sempre presente: a professora de violino, mais preocupada com as regras do que com a expressão lírico-musical do pequeno Sasha (talvez uma das interpretações mirins mais convincentes e tocantes que já vi) e a mãe do garoto que o impede de ir ao cinema com Sergei ou com ele estabelecer qualquer contato – eis dois exemplos acabados desse outro tipo de truculência.

  Claro que o filme oferece outras leituras, políticas por exemplo.

 

  Mas não me atenho a elas, aqui. Fico, depois de ver esse filme duas vezes seguidas, com a impressão que a arte, naquela época e hoje também, não é apenas uma válvula de escape. Ela também serve como uma couraça contra a aspereza e hostilidade de uma realidade muitas vezes inflexível. Muitas vezes. Graças à arte, nem sempre.

  O jogo de luz, algumas imagens distorcidas, sobretudo quando Sasha pára em frente de uma vitrine e vê pequenos “cacos” da realidade refletida no vidro. O pequeno artista tem ali quase que como uma epifania: a realidade poderia ser adaptada ao seu olhar, a um olhar interno, um olhar refigurador. Com a arte, então, essa possibilidade poderia ser elevada ao paroxismo.

  A troca de olhares entre Sasha e sua coleguinha aprendiz de violinista, na sala de espera da professora particular, é de uma sensibilidade incrível, hipnotizadora. O detalhe da maçã a nos brindar com um humor sutil e também como marcador de tempo. Os detalhes, sempre eles…

  Tarkovski nesse filme se prende a detalhes tão expressivos, tão seminais na busca de apreender uma realidade mais abstrata, mais transcendental e por isso mesmo mais genuína do ponto de vista das vivências interiores, que o resultado nos deixa aparvalhados com tanta elegância nada intelectualizante. A engenhoca que a professora austera usa para marcar o tempo das apresentações de seus alunos se contrapõe brutalmente à gota d’água que vemos cair numa poça quando Sasha toca para Sergei numa garagem semi-abandonada, um lugar quase improvável (quase, felizmente) para a fruição da arte. Ou seja, aquela gota a fazer aqueles círculos concêntricos na poça serve para marcar o tempo da música ali interpretada pelo garoto. O aparelho para medir música, da professora num primeiro momento, versus a gota na poça, de outro, se contrapoem, pura antítese que são, para mostrar que há outra forma de se mensurar a arte, e, principalmente, as vivências interiores; no lugar do instrumento frio, a passagem do tempo nas pequenas ondas da poça. Algo sutil demais? Basta nos abrirmos para isso.

  E é o que temos que fazer ao assistir a essa pequena jóia do cinema mundial.

  Imperdível!

  Nos próximos dias, hei de ver “A Infância de Ivan”, “Solaris”, “Stalker”, “Nostalgia”, “O Sacrifício” e “Andrei Rublev”, todos já aqui comigo. Todos de Tarkovski.

 

 

O rolo compressor e o violinista
Andrei Tarkovski, Katoki i skripka, URSS, 1960. Com: IGOR FOMTCHENKO, V. ZAMANSKI & N. ARKHANGELSKAIA   

Tremor de terra em São José dos Campos.

 

 Não, não senti o tal tremor de terra que foi registrado em algumas regiões de São Paulo. Aqui em São José dos Campos, alguns jagunços, digo, caipiras, ôps, nossa boa gente do lugar, pois bem, alguns acharam que era o Apocalipse que “começava o fim de tudo”.

 O que levaria algum engraçadinho depreciador de nossa adorada região dizer:

 - Por que o Apocalipse começaria justamente neste fim de mundo?

 Eu responderia:

 - Justamente por isso, oras! Se existe um lugar ideal para começar o fim do mundo, é o próprio fim do mundo!

 Cartas de reclamações ao Procon, por favor.

 

Miragens.

    

               Sobre noites profundas, desertos e miragens   

                                       A Arthur Schopenhauer

 

 

Quando a noite se avoluma em sua espessura de silêncio; quando os sons mais ínfimos ganham em intensidade; quando o que era invisível à luz do sol se faz visível na escuridão sem fim; quando se aproxima mais um dia; quando, isolados da azáfama da vida, do corre-corre, das vozes altas, dos atropelos, das risadas, das demonstrações de cinismo, de vulgaridade, de lirismo, de abnegação, de falsidade, de firmeza de caráter, de falta dele; das buzinas, dos congestionamentos, das excitações da vigília; quando, neste instante, captamos toda nossa solidão existencial, toda nossa imensa e inescapável e mastodôntica solidão; quando nos deparamos com nosso eu mais profundo, nossa essência definidora (limitadora, afirmariam os deterministas), pois bem, neste momento epifânico por excelência, temos a certeza de que a vida é uma infindável busca por miragens. De que a vida é feita delas. De que somos eternos caminhantes de um inóspito e inclemente deserto no qual só, de tempos em tempos, nos defrontamos com imagens ilusórias criadas em sua maioria naquelas mesmas noites, aquelas que nos fazem descansar, cair no sono e sonhar. O sonhar que por sua vez gera outras imagens ilusórias prenhes de outras miragens. E assim, nessa constante fábrica de miragens-utopias-ilusões que são nossas noites, nossas ternas e esperadas noites, vamos todos, de miragem em miragem, dando voltas e voltas sem nunca, jamais, sairmos do mesmo lugar.

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So deep is the night,
No moon tonight,
No friendly star
To guide me with it´s light…”
(
Autor desconhecido)

 

Do baú – 2

 Texto originalmente publicado em 2 de agosto de 2006

 

 

                                     Da sarjeta existencial, com carinho

 

 

                                

  A sensação de estar preso a um lugar é uma das mais desagradáveis. Sabe aquele sentimento de que os vínculos com o lugar acabam sobrepujando toda e qualquer possibilidade de vislumbrar o horizonte? Ou, mais precisamente, e por outro enfoque: sabe quando a rotina, a mesmice, a eterna repetição de tudo, lugares, rostos, paisagens etc, tudo isso, todos esses elementos juntos proporcionam uma impressão de clausura, de morte em vida das expectativas? Pois estar vivo é estar à expectativa. Mas é como se elas, essas quimeras essenciais (sem as quais a vida neste planetinha obscuro, por parte do homo sapiens, regride às origens), fossem sumindo, uma a uma e se resumissem à eterna busca pela sobrevivência. E só! Ah, sensação limitadora, castradora de ideais, víbora do eterno retorno, não o do filósofo, mas o mais mesquinho, trivial e sem brilho mesmo. É duro viver em descompasso com o mundo. É desumano viver assim, com os ideais cansados pela espera da realização, quase puídos pelo indefectível adiamento, rotos pela aspereza da realidade, pela fricção com um mundo hostil, pela bárbara violência de todos os matizes, pela estreiteza de todos os naipes, pela, enfim, epifânica descoberta de que eles, os ideais, já trazem em si a miséria latente, em estado de potência e também o auto-engano e o iludir-se ad infinitum. Porque tudo enfada. Tudo cansa. Tudo envelhece. E fenece. E some.

Do baú – 1

Texto originalmente publicado em 3 de agosto de 2006

 

 

                              Depressão? Impressão sua!

 

 

  Sono, desânimo, tristeza esparsa, preguiça de existir, tédio, melancolia, perda dos ideais, apatia, indiferença, falta de interesse geral, aversão ao barulho, a vozes, a futilidades. Desamparo, sensação de extravio existencial. Tem como, disso, sair algo proveitoso? O que nos leva a isso? Falta de uma alimentação balanceada? De sono? De amor? É azar? Sina? Mandinga? Quizumba? Urucubaca? Mal-olhado? Encosto? Desequilíbrio da química cerebral? De neurotransmissores? Gripe encubada? Problemas gástricos? Proximidade da morte?  Ou seria resfriado? Crise existencial? Excesso de sensibilidade? Falta de Deus? Obra do demônio? Isso, aliás, mata? Isso é excesso de pruridos taxonômicos? Ou fruto da falta de nichos, categorias e impossibilidade apenas de discernimento? De que gaveta conceitual sacar tal sentimento? E tal sentimento é passível de ser categorizado em definições estanques? Não seria uma contradição em termos limitar o que sempre muda, transforma-se, altera-se, varia, metamorfoseia-se? Onde tudo isso vai parar? Se é que pára o que se move.

  Não tinha a intenção de ir tão a fundo. Juro.

O enviado especial deste blog sai pelo mundo à procura do Grande Ermitão.

 Nosso bravo, destemido e na mesma medida inoportuno repórter Senhor Inóbvio - “Onde você está, meu caro enviado especial deste blog ao Fim do Mundo?” – munido de sua câmera ultra-moderna e de seu gravador do tamanho de uma moeda de um real (tudo comprado no crediário), tomou o rumo das Colinas do Vento Azucrinante, lar do Grande Ermitão, aquele mesmo que por aqui passou.

   Chegando lá – após trilhas perigosas, abismos de tirar o fôlego, chuva, sol, neve, gases, os próprios e os de alguns mimosos animais com os quais teve a infelicidade de se deparar – ele suspirou quando viu ao longe, no alto das famosas colinas, em posição de meditação, claro, sobre uma almofadinha florida e fofinha (na verdade, um puff bem “cheguei”), o mais sábio dos sábios da atualidade atual hodierna moderna de hoje em dia… E o mais genial dos misantropos solitários, caladões e estranhos!

  Eis um trecho da entrevista que o Nefelibatices traz em primeira mão exclusiva com exclusividade inédita e na frente dos seus pobres concorrentes:

 

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  Senhor Inóbvio: O senhor não sente solidão?

  Grande Ermitão: Ermitão e solidão, meu filhinho, é mais do que uma rima.

  S.I.: Entendi. O senhor poderia nos falar dos grandes temas, o Amor, por exemplo?

  G.E.: Só adredito no amor baseado no contato entre peles, olho no olho, cheiro contra cheiro. O ideal é que os amantes conheçam, meu filhinho, o cheiro do sovaco do outro!

  S.I.: Mas o senhor não acha isso meio anti-clímax, algo de mau gosto?

  G.E.: Sabe, não acho não, viu? Sabe por quê? Porque a Verdade, anote aí, a Verdade jaz no avesso. Isso mesmo. Tudo o que a gente vê é o avesso de algo. Compreende? Sendo assim…

  S.I.: Sendo assim a gente…

  G.E.: Não me atrapalhe!

  S.I.: Perdão, por favor.

  G.E.: Odeio isso!

  S.I.: …

  G.E.: Onde eu estava?

  S.I.: “Tudo o que a gente vê é o avesso de algo. Sendo assim…”

  G.E.: Ah, OK. Sendo assim, tudo está com o sinal invertido. Tudo! Além de passar, as coisas passam com sinal invertido.

  S.I.: Desculpe, Grande, mas, olha, boiei legal. Foi mal!

  G.E.: Pois continuará boiando. Continuando: os amantes, ao sentirem a fragrância do sovaco do outro, nessa grande aspiração mútua das axilas alheias, apenas num nível muito superficial, se pautam pelo não-convencional, meu filhinho boiante.

  S.I.: Não, até que não, viu? Começo a entender. Se tudo é o avesso de algo, e se é no avesso, no contrário, que jaz a verdade, isso quer dizer que o verdadeiro amor é encontrado pelos amantes numa ação só superficialmente considerada pela sociedade uma ação anti-amor, anti-clímax, certo?

  G.E.: É por aí.

  S.I.: Retornando: o senhor, então, acha imprescindivelmente relevante e crucialmente importante e essencialmente necessária uma condição sine qua non para um relacionamento prosperar os amantes se tocarem, se olharem e, sobretudo, conhecerem olfativamente o cheiro, ou a fragrância, das axilas do objeto de afeto?

  G.E.: Exatamente! E veja: não há dois sovacos iguais. Me refiro ao odor, ou à fragrância, sim?

  S.I.: Argh, digo, sim!

  G.E..: O mau-cheiro só é mau-cheiro para quem não se deu conta ainda da questão do avesso. Do Grande Avesso de Tudo (G.A.T.).

  S.I.: Claro: tudo é o avesso de algo e a verdade jaz no avesso…

  G.E.: Começo a me orgulhar de você, filhinho. Seus olhos verdes azulados refletem umas fagulhas de algo parecido com inteligência. Bem, para resumir: o mau-cheiro é apenas a emanação de uma verdade sublime: os afetos têm cheiro! Nada menos do que isso. Pode torcer os olhos, ficar de pé, franzir a testa, tudo: só não aceito contestações basbaques.

  S.I.: É surpreendente esta sua descoberta, Grande Ermitão. Parabéns! Não pensa em patenteá-la?

  G.E.: [CENSURADO]. Mas obrigado, rapaz. E agora volto à minha meditação. A cada dez minutos que falo, medito três horas e meia.

  S.I.: Quer dizer então que para continuarmos nossa entrevista vou ter de lhe esperar aqui, no meio do nada, por quase quatro horas? O que vou fazer enquanto isso?

  G.E.: No meio do Tudo, filhinho, você quis dizer. Corrija sua perspectiva. Vá, enquanto isso, procurar o Avesso de Tudo. Das coisas. Outra forma de procurar a Verdade. Boa sorte!

  S.I.: Só pra encerrar, Grande. Tô à procura de um furo de reportagem, sabe como é. De modo que… o senhor poderia dizer, daí do alto da sua sapiência, quem afinal será o anti-Lula? Quem vai desbancar o Homem na preferência dos brasileiros, aquele povo subdesenvolvido lá da América do Sul…?

  G.E.: Desculpe, filhinho, mas este ermitão não dá palpites em questões pertinentes a nações soberanas.

  S.I.: Soberana? Deixa o aedes e o Bush e o FMI saberem disso….

  G.E.: Sim, soberana, pelo menos no lado teórico da coisa, pra ficar num campo em que sou especialista. Até mais, filhinho! Entro agora em estado Ômega 3. Au revoir… huuuuummmmmmmmmmmmmmmmmmmm.

 

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“Tudo o que a gente vê é o avesso de algo”

 

 “A Verdade jaz no avesso”

 

“Além de passar, as coisas passam com sinal invertido”

 

(Grande Ermitão)

 

Perfil

Idade: Impossível de ser avaliada.

Hobby: Conversar com as formigas. E brincar de “A Caverna de Platão”.

Música preferida: O canto do sabiá.

Filme preferido: (“Não tem graça sentar na frente de um aparelho que traz a história toda contada e mostrada. É um acinte à minha imaginação. Por isso, o melhor “filme” pra mim é sentar debaixo daquela Araucária e ver os esquilos e as abelhas e as formigas. Ah, não tem preço, filhinho!“)

Livro preferido: O Grande Livro Rosa das Purificações Místicas, de Chang Ching  Lee Hong Chi Chan Chung

O que fazia antes de virar ermitão: Motorista de ônibus em Itaquera (“Fiz também as linhas: Praça da Sé, Tucuruvi, Vila das Mercês, Sapopemba, Jabaquara e Alto de Pinheiros“).

 

    

 

O vôo da libélula.

 

Dragonfly, em inglês 

Libelle, em alemão 

Libellule, em francês

Quem lá tem tempo para apreciar seu vôo, seja em que parte do mundo for?

 

  

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  Ela aparece do nada. Num rasante preciso, “corta” o ar. Agora, qual um helicóptero, paira sobre sua imagem refletida na poça recém-formada pela chuva do final de tarde. Os últimos raios do sol – ele que cedera há pouco para aquelas outrora negras e pesadas nuvens – refletem e se “despedaçam” pelos movimentos sutis do deslocamento de ar das asas da libélula sobre a superfície daquela poça.

  O inseto (na definição do Houaiss: entomologia: design. comum aos insetos da ordem dos odonatos, facilmente reconhecíveis pelo abdome longo e estreito, pelas quatro asas alongadas, transparentes e providas de rica nervação [São carnívoros em todas as fases vitais, alimentando-se de insetos e outros organismos.] Etimologia: lat.cien. libellula, dim. do lat.cl. libélla,ae ‘prumo, nível; moeda de prata’ < dim. do lat. libra,ae ‘balança’; o nome é uma alusão ao vôo do inseto, que se mantém em equilíbrio no ar, pairando; ver 1libr-; f.hist. 1899 libéllula. Sinônimos: aguadeira, aviãozinho, cabra-cega, calunga, cambito, canzil, catarina, cavalinho-de-cão, cavalinho-de-judeu, cavalinho-de-são-jorge, cavalinho-do-diabo, cavalo-de-cão, cavalo-do-demo, cavalo-judeu, chupeta, donzelinha, donzelo, fura-olho, fura-terra, guigo, helicóptero, jaçanã, jacina, jacinta, lava-bunda, lava-cu, lavadeira, lavandeira, libelinha, macaquinho-de-bambá, odonata, olho-de-peixe, papa-fumo, papa-mosquito, papa-vento, pica-fogo, 1pito, pito-do-coisa-ruim, pito-do-demo, tangerina, tira-olho, zabumba, ziguezague, ziguezigue) agílissimo, elegante, esbelto, discretissimo, mergulha na luz alaranjada do crepúsculo. Livre, senhora de si, indiferente ao mundo grave e circunspecto dos humanos e seus desejos e ânsias e frustrações e percalços, a libélula desaparece, meteoro a cruzar as retinas estupefatas dos poucos humanos que ainda podem e desejam apreciar os deslumbres das coisas só aparentemente ínfimas.

  Como o incrível vôo da libélula. Ou da aguadeira. Ou o do macaquinho-de-bambá. Ou do pito-do-coisa-ruim. Tudo bem: do lava-bunda.

"O Espelho", de Andrei Tarkovski: um filme para múltiplas sessões.

Um poema feito de luz

 


Os pequenos momentos de que é feita a vida podem se tornar de uma preciosidade inimaginável. Vivemos num mundo turbulento, hostil e refratário às nossas mais profundas e íntimas descobertas, utopias e vivências. As lembranças daqueles momentos aparentemente pífios que vivemos são permanentes, nos acompanharão pela vida afora, e serão sempre um refúgio quando formos obrigados a elas recorrer toda vez que a realidade nua e crua nos colocar quase num ponto de esmagamento. A vida, obviamente, não é pródiga desses momentos de “abertura”, dessas pequenas epifanias. Seríamos seres muito mais ricos interiormente se isso fosse algo trivial. Mas não é assim. Aí entra a grande arte.
O que falar de um filme que não tem um enredo, pelo menos não no sentido hollywoodiano do termo, mas que mesmo assim nos deixa (desde que saibamos exatamente nos abrir àquele universo) mesmerizados? A descontinuidade da narrativa - trata-se, portanto, de uma narrativa nada convencional - parece algo complexo demais, ou, para alguns, um exercício de puro artificialismo. Nada disso! Os filmes do maior cineasta russo após Sergei Eisenstein, Andrei Tarkovski, têm a “fama” de serem herméticos, para poucos… Pura balela.

  Mas nos concentremos numa análise mais terra-a-terra desse filme de meados da década de setenta, sendo o mais autobiográfico de todos do grande diretor. 

 

Num exercício de puro comodismo, diria que é a “história” de um homem que está morrendo e que recorda os momentos-chave de sua vida, ele que não fora necessariamente alguém de comportamento exemplar. Ele estaria, assim, na tentativa de se desculpar aos outros, mostar a eles que sim, ele vivera e pôde sentir aqueles momentos de abertura. E ao relembrá-los, e de certa forma vivenciá-los novamente, ele pudesse mostrar que não fora aquele ‘monstro’ moral que ele dera a impressão de ter sido.
As fusões de tempos idos com os mais recentes, essa mescla entre diferentes pontos temporais, num primeiro momento, pode causar um certo incômodo a quem não tenha entendido a intenção do diretor. Ele como quis mostrar tudo aquilo que é e está isolado pela vida afora (aquelas ilhas de epifania) num todo, num constructo transfigurado pela arte. É como se ali, naquele filme de menos de duas horas, víssemos (como de fato vimos), uma concentração de pontos luminosos, quando sabemos que a vida, infelizmente, não é assim. E isso não tira o mérito, claro, da obra. Muito pelo contrário. Aquela concentração toda de imagens, cores, cheiros, tudo aquilo nos pede uma total abertura sensorial. É o mais sinestésico de todos os filmes que já vi. Assisti-lo é um exercício explícito dos sentidos. De todos os sentidos. As imagens oníricas que o diretor teve a proeza de passar para a tela são de uma poesia, de um lirismo incomum, uma verdadeira ode à nostalgia.

Para muitos, “O Espelho” é um filme extremamente inibidor e nada convidativo. De fato não é, como acima escrevi, uma história com começo, meio e fim. Não necessariamente. Talvez num plano mais abstrato, sim. Na verdade, é uma reunião de cenas, imagens, idéias, idiossincrasias que, a princípio, pouco têm em comum. Não é um filme que tenha uma explicação literal que salta aos olhos. É bem na linha daquilo que Resnais fez em “O Ano Passado em Marienbad“. Só que muito mais liricamente. Muito mais sensorialmente. Tivesse caído em mãos incompetentes, aquele material todo seria de uma insipidez colossal. Mas nas mãos de Tarkovski que lê os  poemas do pai, Arseni Tarkovski, em voz over, o resultado é espantosamente notável. Aliás, os poemas que ouvimos e que podemos ler em algumas cenas, não trazem com elas necessariamente uma relação. Essa não-relação óbvia entre imagem e palavras, essa dissociação entre esses elementos, é um outro fator enriquecedor para nós, espectadores: podemos, assim, ir preenchendo aquelas lacunas com nossa própria visão, com nossos próprios insights. O filme todo é estruturado para proporcionar a nós, espectadores, o ritmo que quisermos, de acordo com a intensidade que colocarmos nossos próprios e mais íntimos elementos particulares na narrativa que presenciamos ali. Em nenhum momento percebemos, por parte do diretor, algo parecido com aquela tutela de outros cineastas: a pretensão de nos forçar ver isso, sentir aquilo, pensar de uma forma, pensar de outra. Nada disso em “O Espelho“. Talvez o título possa até mesmo ter essa idéia, entre outras: um estilo reflexivo (no sentido de interpretação, de busca de um sentido ou de um sem-número de sentidos e também no sentido de “refletir” as vivências, ponderações e elaborações interpretativas daquele que o assiste). O filme exige de nós uma resposta emocional. Não podemos fugir disso. Se há essa necessidade imposta, não o foi pelo autor, mas pela própria constituição do filme, algo inerente a ele. A liberdade, portanto, de interpretação, pertence a nós. Apenas grandes artistas podem conceder essa riqueza.
Vemos ali, com os cortes e fusões temporais, o relacionamento do protagonista com sua mãe e sua esposa (as duas interpretadas pela mesma belíssima atriz), com seus filhos, amigos e, sobretudo (num prato cheio para interpretações psicanalíticas), vemos clarões de sua infância. Do menino do passado ainda preponderante no homem que se tornou maduro.
Aqueles que não estão acostumados com todos aqueles cortes narrativos e fusões temporais, com personagens do presente numa mesma tomada com personagens do passado, tudo a exigir muita atenção, portanto, do espectador, pois bem, aqueles apressados, ou acostumados demais com a narrativa hollywoodiana, a esses o filme será sim algo chato, monótono. Pois não corresponderá a suas expectativas. Porque a chave para descortinar e fruir tudo o que esse filme tem a nos oferecer (e nos enriquecer, sobretudo) seria a empatia. Não se trata daquela velha mania do “Então daí… e então… e então…”. Tem-se que se desprender desse hábito para ter acesso a toda a riqueza de um Bergman, Tarkovski, Kieslowski, Kurosawa etc.
É poesia visual. É filosofia também. É tudo isso misturado, trabalhado por um artista visionário, corajoso e hipersensível.

A música, com muito de Bach e Henry Purcell, é deslumbrante, como não poderia deixar de ser. Há muita trilha de suspense, que funciona à perfeição. O diretor combina magistralmente elementos díspares e tira daquilo tudo uma riqueza lírica pungente e poderosa.
Cenas preferidas? Várias, claro. Mas sobretudo aquela em que o garoto (o protagonista no passado) tenta (tudo coerente com a atmosfera onírica e quase mística do filme todo) entrar em casa, após fugir de um vendaval, tudo em câmera lenta, o que acentua à última potência a beleza plástica. As folhas reviradas, o vento poderoso, a umidade.

Sem falar daquela em que o teto desaba, em slow motion, com o barulho de goteira bem acentuado, enquanto a mãe se lava. Seria a memória se apagando? (Será que o diretor Michel Gondry e o roteirista Charlie Kaufman em “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” beberam na fonte de Tarkovski ou a ele prestaram uma homenagem naquela seqüência da casa à beira-mar?).. Realmente, fabuloso.
Do ponto de vista filosófico, há semelhanças entre alguns temas com os do maior autor russo de todos os tempos: Dostoiévski, que, aliás, é citado no filme. A questão Homem x Natureza é um leitmotiv poderoso em “O Espelho“. Sempre que ela, a Natureza, se manifesta, é de uma forma altamente desproporcional à fragilidade do ser humano. Os vendavais, constantes no filme, acentuam, e muito, tal idéia.
Há muito simbolismo ali, claro. Mas tudo muito bem dosado e nada gratuito. Surrealismo passa longe. Aliás, Tarkovski, numa célebre entrevista, desancou o movimento de Breton e Dalí
A cena inicial, de um rapaz com sérias dificuldades de fala, e que é curado, em frente de nossas pasmadas retinas por uma especialista em doenças de fundo nervoso, é uma metáfora da dificuldade de expressão que temos todos ao nos darmos conta de quão hostil e refratário é este mundo aos nossos “universos particulares”?

Uma curiosidade: na época, o filme foi considerado elitista demais pelas autoridades soviéticas, que o acharam não-acessível às massas. O ridículo, o ridículo…

 

Ficha Técnica: O Espelho
URSS, 1974, Cor e P/B, 100’
Com: Margarita Terekhova, Oleg Jankovski, Philippe Yankovski, Ignat Daniltsev, Nikolai Grinko;
Argumento: Andreï Tarkovski, Alexandre Micharine, com poemas de Arseni Tarkovski lidos por Andreï Tarkovski; Diretor de Fotografia: Georgi Reberg; Direção Artística: Nikolai Dvigubski; Montagem: Ludmila Feiguinova; Música: Eduard Artemiev, com excertos de Bach, Pergolese e Purcell; Produtor: E. Vaisberg; Direção de Produção: Y. Kouchnerev; Produção: MOSFILM

Esse Tarkovski…

  Primeiros minutos do sábado. Acabei de ver “O Espelho”, do Tarkovski. E lhes digo: estou sob o impacto de imagens para sempre armazenadas na memória. E o filme é sobre a memória, aliás. Ele despertou em mim um caleidoscópio de impressões… Vou dormir agora ainda sob estado de choque: trata-se de uma das obras mais plenas de poesia do cinema. Em breve elaboro uma resenha meia-boca tentando alinhavar o que em mim despertou tal obra-de-arte.

Tarkovski, Bergman e Allen no feriadão: retomando o ritmo…

  Estou retomando o ritmo dos filmes vistos. Acabei de me munir de cinco títulos para os próximos dias. Sou privilegiado, aliás, de ser sócio da VídeoVip - (12) 39416603 -, aqui de São José dos Campos, SP. Trata-se da mais completa locadora de clássicos, filmes cult, todos os ganhadores do Oscar, musicais e muito mais do Vale do Paraíba! Meu caro Marcelo Henrique (o proprietário) e meu chapa Sérgio Pontes, nos tratam a pão de ló. Eu posso levar a loja inteira com um prazo de dias considerável! Num ambiente de muito jazz e música clássica, é ótimo passar algumas horas ali papeando sobre um monte de coisas. Ontem, passei a tarde naquele recinto de sonho para quem ama o cinema.

  Meus caros Marcelo e Sérgio, aqui está o merchandising…

  Não ia ali já fazia uns seis meses! Muita coisa nova chegou. Ao me deparar com aquelas estantes abarrotadas de Fellinis, Tarkovskis, Bergmans, Antonionis, Orwells, Hitchcocks, Wenders, etc, ah, quase tive um troço!!

  A lista dos filmes que vou ver:

 

 

  • “O Espelho”, de Tarkovski

 

  • “O Rosto”, de Bergman
  • “A Juventude”, idem
  • “Monika e o Desejo”, idem

 

 

  • “Zelig”, do Allen.

 

  Quem sabe, escrevo sobre eles aqui num futuro próximo…

 

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Ao som de Janis Joplin, “Maybe”

Ser escritor (re-re-re-revisto).

Eu devia estar já na segunda-série. Era fraco em matemática. Muito fraco (e disso nunca me orgulhei. Nunca vi isso como um mecanismo compensatório: “Ah, se era fraco em exatas, em compensação nas humanas...”. Nada disso!). Tímido ao extremo, na hora do intervalo ficava encostado numa pilastra, ou sentado na mesa de refeições, ou permanecia mesmo na sala de aula vazia, com aquelas bolsas e blusas e pertences alheios todos a me “acusar”: “Veja como você é um inútil! Enquanto todos lá fora aproveitam os minutos para brincar, conversar e se distrair, você aí, seu lesma, sozinho, remoendo seus pensamentos ridículos !” Não eram, claro, essas as exatas palavras. Mas no conteúdo expressavam exatamente isso: um senso de inaptidão. Mas quando chegava a aula de Língua Portuguesa, de Produção de Textos, com a Leitura em Voz Alta, milagrosamente aquela timidez e todas aquelas idéias de inaptidão cediam lugar para um sentimento de ousadia, de certeza de fazer algo que realmente eu gostava, amava: escrever  e  ler. As únicas coisas que eu sentia que poderia fazer pela vida afora. Dito e feito: eu recebia elogios, até o término do Primeiro Grau (o Ensino Fundamental de hoje), unanimemente dos professores (de todos!) com os quais tive o privilégio de estudar. Dois ou três me vaticinaram (mais à minha mãe, nas temidas reuniões de Pais e Mestres) um grande futuro como escritor. E cresci com aquela idéia: ser escritor. Passei por vários momentos de desilusão, obviamente. Fui até rebelde por uns tempos. Mas sempre em mim permaneceu intacta a gana, a vontade, o tesão pela escrita. Sim, paradoxalmente sou preguiçoso para escrever. Mas me expressar por escrito é algo que está no sangue, embutido em cada uma das minhas células. Aliás sou um cara mais gráfico do que oral. Escrevo muito melhor do que falo. Não me refiro à fala, à dicção, à pronúnicia das palavras, evidentemente. Me refiro ao aspecto da comunicação mesmo.

Eu só vejo minha vida, não tenho medo de dizer isso, se completando na escrita/leitura. Não a escrita/leitura feita pelos que puderam freqüentar ótimas universidades (coisa que nem passa pela minha cabeça, que fique bem claro, é me ressentir por não ter tido acesso a tal maravilha. Me considero um autodidata. Mas não daquele tipo refratário ao ensino. Até porque hoje sou professor…) ou vivem em lugares repletos de oportunidades culturais. Nada disso faz de ninguém um artista, nem, mais precisamente, um autor na pura acepção da palavra. Até porque para ser um grande escritor é necessário ter uma certa carência de estímulos externos. Faz-se necessário uma certa vagueza e calma e bonança, algo dificilmente encontrável em grandes centros nos quais há um excesso de vozes vaidosas querendo atropelar a todos com discursos vazios de um sentido mais profundo. Obviamente ter acesso à uma Universidade de renome (fiz até o terceiro ano de Letras e tranquei o curso porque o achei muito fraco) abre os horizontes, proporciona a uma pessoa as ferramentas críticas e, em menor medida, teóricas. Mas não se é escritor por ter um ótimo currículo. Currículo não faz de ninguém um artista. A escrita é algo que se aprende… escrevendo. Lendo muito. Pensando muito. Elucubrando não menos. Pesquisando. O metiê de escritor é um dos que mais são favoráveis ao autodidata. É na solidão que um autor nasce.

Mas não era exatamente disso que eu queria tratar aqui. Era apenas da foto aí em cima. Aos seis anos, não poderia ainda ter a dimensão do que é ser escritor, claro. Mas trago comigo, desde tenra idade, desde o  ”tropeçar” em livros em casa, a grande paixão pelo criar, pelo encher de palavras as páginas, pelo descortinar todo um mundo através delas, as adoradas palavras, essas entidades tão poderosas, tão prenhes de possibilidades as mais infinitas.

O garoto que sonhava em ser escritor ainda está dando as cartas.

(Ah, até hoje lamento profundamente o fato de, aos dez anos, ter emprestado um caderno cheio de poemas e contos de minha autoria para uma pessoa da minha igreja. Ela nunca mais devolveu! Perdemos o contato com ela. Essa será uma das coisas que mais lamentarei na vida! Ah, sim: me refiro à perda do caderninho-relíquia, claro. Não à perda do contato com a tal pessoa, é evidente! Risos).

Não tenho a mínima preocupação em querer/ser/parecer o gênio. Essa palavrinha tão vulgarizada, tão enfraquecida, atualmente. Tenho preguiça, com raras exceções, de ler novos autores (as), por mais munido de boa-fé que eu esteja. Sou autocentrado, auto-referente ao extremo. Não copio ninguém. Por orgulho, sobretudo. Tenho meu próprio ritmo. Escrevo para mim mesmo. Se por acaso o que escrever ter uma certa ressonância em alguém, ótimo! Mas não escrevo para agradar quem quer que seja.

Meu ritmo é peculiar, idiossincrásico, sinuoso.

Não tenho pressa. Não quero estar na “boca do povo”. Dane-se o povo! O povo, aliás,  lê algo que preste? E isso vale para qualquer país…

Estou continuamente no processo de aprendizado.

E minha ferramenta básica, meu idioma, é algo que prezo imensamente. Nestes tempos em que “escrever bem” é sinônimo de tascar coisas tão vazias, tão repletas de vento, tão ridiculamente pretensiosas mas ao mesmo tempo tão agressoras ao idioma que, queiramos ou não, é o nosso, pois bem, nestes tempos de excesso de oferta de coisas descartáveis, estudar ou demonstrar interesse pela própria língua é considerado algo ultrapassado. Quem escreve e diz que não se preocupa com a matéria-prima, que é o idioma, ou é um (a) canastrão, um charlatão, um orgulhoso fútil, ou é alguém que engana a si mesmo que escreve. Ou qualquer outra alternativa altamente desabonadora.

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Sabem, talvez eu sofra de TOC desde pequeno, sei lá.

Minha mania? Querer ser escritor há vinte e cinco anos.

Garanto que o próximo quarto de século seré de trabalho prático!

Terei uns quinze ou vinte  para colher os louros…

Tá de bom tamanho!

Ou não?

 

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Ao som do Álbum Branco, dos Beatles

Em descompasso de espera.

  O descompasso entre o meu “eu”, aquele a partir do qual vejo o mundo e com o qual interajo com tudo o que está à minha volta, e os outros “eus”, é algo deveras incômodo. Ele me tira do eixo e me coloca num estado constante de neurastenia, tédio e cansaço.
  Os outros sempre nos vêem como seres unos, limitados, previsíveis, planos; sempre nos colocam em categorias facilmente discerníveis; ao passo que para nós mesmos, tal atitude é uma afronta. A fricção entre tais concepções, a que vem do Outro, e a que parte de mim, o choque entre essas placas tectônicas, enfim, esse atrito entre prismas tão diversos, isso nos paralisa, no primeiro momento. Temos gana de sair e enfrentar “mano a mano” cada um desses crápulas que insistem em nos negar toda aquela pujança interior que tão bem conhecemos.
  A nós, os hipersensíveis, marias e joãos choramingas, os eternos humilhados e ofendidos pela rudeza, aspereza e vulgaridade dos “toupeiras” que constituem o grosso da humanidade e com os quais estamos fadados a ter de conviver, a nós, os sutis, os impressionáveis, os sugestionáveis de todos os quadrantes, a todos nós, irmãos e irmãs da vulnerabilidade explícita, resta-nos nosso último refúgio, derradeira “arma”: um sonoro riso, uma gargalhada bestial, colossal, daquelas que vêm do mais profundo de nós mesmos: demos todos à massa acéfala a alegria – ilusória, pois efêmera – de nos colocar em suas definições pífias. Deixemos que nos nos vejam e nos considerem e nos tratem como seres unidimensionais. Proporcionemos aos míopes existenciais, aos vegetais em forma humana, aos embotados, aos fósseis ambulantes, a toda essa fauna de cegos e surdos e daltônicos e afônicos e autistas (com todo o respeito por aqueles que padecem desses males) das coisas etéreas, desconhecedores todos da riqueza das filigranas ínfimas e ao mesmo tempo grandiosas, concedamos a toda essa corja a glória-miragem de achar – só achar, só supor! – que estamos onde eles nos colocam. Que ajimos segundo as expectativas deles. Não extrapolemos, num primeiro momento, o círculo de giz no qual eles nos encerram.
  Quando na verdade…

  Quando na verdade abarcamos o mundo com nossas potentes antenas. Quando o que nos define, realmente, é nossa própria indefinição.
  Sim, somos o ápice dos paradoxos! Deles nos alimentamos. Que nos vejam unos, previsíveis, planos, pois!Finjamos seguir o “roteiro” a nós imposto.
  Que cada um de nós saiba quando for o momento propício para dar o bote!
  Nesse “descompasso de espera”, passemo-nos por mortos.
  Finjamos, vamos dar a impressão de sermos domesticáveis.
  A luta descontínua continua…

Com vocês, o Repentista Hightech…

 

A incrível história de um ex-retirante que na vida muito progrediu e narrada pelo próprio na forma de um repente, ainda que sem desafiadores.

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   Ô meu sinhô, minha ‘stória vou te contá

  Vai se sentando, se aconhegue, que vai demorá.

  Vim dos lado de Cabrobó,

  Bisneto do Coronel Luarindo Birita

  Que contra Lampião e Maria Bonita 

  Lutou lá pelas banda de Mossoró.

  Vim pro Sul Maravilha

  Junto da mulher e da filha

  E assim, com os cacareco num caminhão,

  Cruzamo esse Brasilzão.

  Quando aqui chegamo,

  Foi tudo um espanto que só,

  Tal canto é o que chamamo

  O mundo todo num lugar só!

  A filha cresceu,

  A mulher, coitada, essa morreu.

  Eu fui aprendê as letra

  Pra num ser enganado

  Pois quem veio pra esse mundo

  Tem que ‘tar mais é preparado

  Pro diabo pegá a laço

  Que eu num sô palhaço

  De fazê só o que me pedem

  E ficá com cara de tacho

  Refém desse diacho

  De destino que os cabra

  Tenta me fazê engoli.

  Ah, pra isso eu num tô aqui!

  Um belo de um dia me falaram

  De um tal de doutô chamado Seu Computadô.

  Janela pro mundo

  Porta do conhecimento…

  Eu que num ia passá a vida sujo de cimento

  Trabalhando de sol a sol

  Sem nenhum justo rendimento

  Já que num sô nenhum jumento.

  Eu queria mesmo era

  Ampliá os horizonte

  Fugir da vida de retirante

  Fincá minhas estaca

  Procurá meus diamante…

  Pois a vida não perdoa quem empaca

  A gente tem mais é que pensar adiante!

  Consegui mesmo o que queria

  Quando comprei um computadô

  A prazo nas Casa Bahia.

  Foi grande a felicidade

  Que até me alembrei da mocidade!

  Fui logo aprendendo a escrevê

  Naquela máquina tão inteligente

  Que até parece gente

  E só falta dizer: “Ô xente!”.

  Aprendi as letra,

  Os número, as cor,

  Brincá, desenhá, somá, multiplicá,

  Diminuir etc e tal

  Que eu já me sentia o Tal.

  E o melhó: sabido que só

  Já num voltava pra Cabrobó!

  Um dia saí à procura de emprego,

  Me encontrei com um grego

  Que muito me ajudô

  A conseguir uma vaga numa

  Fábrica perto do Metrô.

  Eu ficava copiando carta.

  Trabalhava o dia todo

  Que até ficava com o corpo todo moído.

  Mas num desistia de aprendê

  Até que eu pudesse fazê

  Com as letra um banzê!

 

 **************

 

  O tempo foi passando.

  O conhecimento fui ampliando.

  A fala de jagunço, como o senhor vai ver, fui abandonando!

  A filha se formou. Se casou. Engravidou.

  Um dia ouvi falar de uma tal de internet

  Da qual o mundo é marionete.

  E graças a ela conheci a Amanda

  Que no meu coração manda e desmanda!

  Ela, morando em Natal,

  Eu, em São Paulo Capital.

  Namoramos. Casamos.

  Filhos tivemos.

  Entrei para a faculdade.

  E apesar da idade

  Me sinto de novo na mocidade.

  Hoje, ficou para trás aquele rapaz que

  Daquelas terras num traz saudade.

  Seu Bill Gates, deixe de ser irritante,

  Nunca duvide de um retirante!

  E o senhor distinto cavalheiro atente

  Para a minha forma agora de falar mais corretamente

  Como a de gente!

  É duro de dizer isso, eu sei,

  Mas é a verdade mais pungente.

  Esta foi a história deste ex-retirante

  Que aprendeu as palavras a dominar

  E que agora achou esta rima para terminar. 

  E não “terminá”.

  Pois o resto, oras, o resto é blábláblá !

 

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                    Escrito ao som de:

  •              John Coltrane, “Impressions”,
  •              Billie Holiday, “Body and Soul”,
  •              Noel Rosa, “Com que roupa”,
  •              Cartola, “O Mundo é um Moinho”,
  •              Bob Dylan, “Like a Rolling Stone”; “Man of Constant Sorrow”, “Beyond the Horizon”,            
  •              Joseph Haydn, “Sinfonia nº 92, Oxford (IV)” e “Concerto para trompete” (allegro), este com o virtuose Wynton Marsalis, também um grande artista de jazz, para quem não sabe.
  •              The Housemartins, “Build”.

Dane-se a Responsabilidade Fiscal então? Com uma oposição dessas, o que será de nós?

  Deprimente o papel da oposição no Senado. Que vergonha de ser simpatizante do PSDB! Numa improvável aliança com a parte “governista” da Casa, os distintos senadores oposicionistas, que deveriam observar e se pautar pela coerência política, se “mancomunaram”, para usar um termo assim sem maiores sutilezas semânticas, com petistas e companhia para o quê? Pasmem! Para aprovar três propostas perdulárias na área de gastos com a Saúde pública e com a Previdência. Perdulárias pois, se passarem pela Câmara (torcemos que não passem!), elevarão em muito o potencial de estrago em termos fiscais. Seria outro gigantesco rombo… Ou seja: dane-se a Responsabilidade Fiscal, oras. Se é para ser demagogos, sejam na plenitude, não é mesmo? Se é algo que colocará Nosso Grande Líder contra a parede (pois ele passaria, necessariamente, a imagem para a patuléia de inimigo dos pobres, ao ter de vetar tais propostas irresponsáveis), pensaram os vira-casacas do Senado, tudo vale a pena! A ala “governista” do Senado, representada  por Tião Viana (AC), só com muita ironia recebe tal definição. Pois vai de encontro ao que prega a ortodoxia econômica de seu próprio governo apenas para fins de ascensão política, oportunismo deslavado e picaretagem.

  Mas da oposição se esperava mais. Muito mais. Desse jeito, vamos todos de mal a pior. Nossos representantes, que deveriam ter o mínimo de coerência (sempre ela!), estão mais dignos da alcunha de bundas-moles do que de homens íntegros do pensamento politicamente destoante e com propostas sérias para o país.

  

Vatapá!

Vatapá, me deu vontade de comer isso! Mas eu nunca comi! O que sucede comigo? Que associação de idéias estapafúrdias (a associação e as idéias) me levou a desejar isso? O que é isso? Tem nome esse desejo por algo tão aparentemente gratuito, fortuito, ocasional, aleatório? Desejar algo que não se conhece… Seria o vatapá, ou, platonicamente, a idéia do Vatapá, uma metáfora inconsciente de um desejo por algo ainda não vivenciado, vivido, experimentado?

Quantos Vatapás ainda desejarei pela vida afora?

E mais importante: quantos de verdade experimentarei?

Perguntas, perguntas…

Meu reino por um vatapá!

Um post que não diz a que veio.

 

  Eu ia escrever algo profundo. Eu ia pôr aqui umas coisas que me amanheceram cá na caixola. Eu tinha tanto pra dizer no espaço de um reles post de um blog perdido entre outros milhões nesta vasta rede. Mas eis que de súbito tudo sumiu. A idéia que prometia, escafedeu-se. Os insights, esses se foram. Também, pudera: isso que dá ficar no escuro do quarto ouvindo o i-Pod a me encher os tímpanos de Billie Holiday e nem ter um lápis e um bloquinho de nota… Se eu os tivesse no momento, eis que agora o leitor e a leitora poderiam desfrutar de um vislumbre breve mas intenso da matéria de que são feitas as epifanias das pequenas coisas. Mas que nada. Perdoem-me, fica para outra vez…

  … mas, peraí: não, não é nada. Escapou de novo…

Para que tanto alvoroço, por que tanta celeuma?

Para que tanta azáfama, caros senadores oposicionistas? A nova CPI dos Cartões, essa agora exclusiva da ex-Casa de ACM, digo, de Jader Barbalho, ôps, de Renan Calheiros, pois bem, dizia eu, com uma nova comissão estalando de novo e cuja composição estará nas mãos da ala governista, teremos mais uma farsa: a oposição dando cabeçadas, a retórica-bomba do Arthur Virgílio, competente, mas sabem, uma andorinha só não faz verão, blá blá blá, cruzando as páginas dos jornais, o Governo Gambiarra posando de donzela ofendida etc e tal.

Não seria mais fácil suas excelências centrarem o foco em propostas de mais longo prazo e abrangência menos provinciana? De nada vai adiantar mais um desgaste desses. Serão semanas de material requentado e discussões estéreis.

Não queremos saber quem gastou tantos e tantos com o vinho tal e qual.

Se nos falassem o autor do dossiê, não aquele que o divulgou (para ficar no assunto candente do momento), já valeria mil CPIs.

Mas o Senado não poderia ficar de fora da avacalhação geral mesmo.

Preparem as pizzas!

Chega de vídeos por aqui!

Este blog irá, aos poucos, retomar seu ritmo textual… Ou seja, mais divagações por escrito e menos música, mais elucubrações e menos vídeos! Chega de viagens ao passado, que é passado, afinal de contas. Chega de saudosismo, pieguices cifradas e sentimentalismos toscos.

Reconheço que escorreguei no pieguismo.

Mas enfim acordado. Antes tarde…

Portanto, página virada!

 

De pequenas gambiarras e da Grande Gambiarra.

Nosso Grande Líder disse hoje que no Planalto há gambiarra, falando das condições do carpete há muito usado, cheio de sujeira de café e anos e anos de uso. Falou também da “questão hidráulica”, que teria muitos e muitos gatos…

Ele esqueceu de dizer que o Governo dele é que é uma gambiarra… Uma leve diferença conceitual, não?

Achei!!!

M People – Search for the Hero

Puxa, fazia tempos que não ouvia esta música. É de meados dos anos 90, do grupo britânico M People. Uma das minhas preferidas no universo pop. Pela letra, claro, e também pela batida, pela melodia… Bem, por tudo, vai…

 
 
 

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Slayer – Angel of Death

Como disse abaixo, não me reconheço quando penso que já fui consumidor desse tipo de, vá lá, música. Cresci num ambiente evangélico, na Igreja Batista. E pode-se perguntar: como eu podia ouvir tal música satânica? Sabe, há certas coisas além de qualquer explicação reducionista. Tudo bem, deve ter sido influência dos “amigos”, aquela sensação de querer a liberdade total. Lembro do meu pai me dando “altos” sermões sobre o caráter demoníaco daquilo tudo.

Hoje sei que tudo era fake, naquele tal “satanismo”. Aquilo vendia (e vende ainda!). Era (e é) uma coisa que ia (vai) ao encontro de adolescentes: eles querem (queriam) uma válvula de escape e ao mesmo tempo algo contestatório de todo o status quo. E o que mais podia ser contestatório do que o “demo”? Pois é… a gente já desde pequeno comete as maiores merdas e só depois vai perceber que a coisa era séria, não?

Lembrar dessas coisas, ter essa perspectiva passadas duas décadas, é algo bom.  Amadurecemos (algo que fazemos até a velhice, ou deveríamos fazer!) vendo-nos assim distantes, quase como uma outra pessoa. Isso tudo nos dá um senso de responsabilidade maior. Nos faz ver o quanto somos efêmeros. O quão nossas escolhas do presente (que logo será um passado) são na maioria das vezes fruto da impulsividade. E também uma vontade desenfreada de pertencer a uma tribo, a um grupo: ser bem-aceito!

É, em todo o caso, valeu, Slayer, pela reflexão.

Página viradíssima!

Até porque prefiro uma Diana Krall… For good!

Sim, mudei um pouquinho, não? hehe


Whitesnake, Love ain’t no stranger

Essa, não sei por que cargas d’água, não consegui postar. Mas eis o link. Vale a pena dar uma conferida. Hoje soa fora de moda, brega. Mas naquele contexto, era o que mais fazia nossas cabeças. E como fazia!

Gente, eu já fui metaleiro! Inacreditável, não? Perdoem-me, relevem o garoto avoado que fui…

Quer dizer, avoado ainda sou! :D

Essa foi justamente dessa minha fase roqueiro da pesada. Ah, passava o dia na casa dos amigos, ou trancado no quarto, ouvindo música o dia inteiro, com os cabelos encaracolados “enormes”, sempre de camisa preta, branquelo, rebelde sem causa por um tempo, constantemente entrando em confusões… Puxa, me vendo naquela época não me reconheço. E eu ainda estava longíssimo dos 18…

Sim, definitivamente estou caquético!!!

Simple Mind, Don’t you forget about me

Esta me lembro que tocava dia e noite naquele ano de 1986. Eu era “pivete”, mas me recordo… Ano daquela Copa do México. O Plantini nos mandou pra casa mais cedo… Gosh!

É, a gente descobre que fica “caqueticamente velho” quando tem dessas coisas…

Ah, sobre o Simple Mind: dizem que o vocalista, Jim Kerr, é o ser mais arrogante que já passou pela Terra. Conheço outros, com menos talento…hehehe… para o que quer que seja, a não ser lustrar o próprio egozinho patético e proclamar um dom imaginário…

Def Leppard – Love bites

Esta ganhou uma versão tupiniquim com uma banda chamada Yahoo, vão vendo. Essa versão brazuca e ultra cafona foi até tema de novela. E a verdade seja dita: este que vos escreve a associa com uma pessoa pela qual ele foi perdidamente apaixonado. Perdoem-me, eu só tinha 13 anos! … Puxa, por onde andas, Edilaine?

Caramba, hoje extrapolei na pieguice nostálgica. E querem saber? Não estou nem aí!

Level 42 – Something about you

 Abrindo as portas da nostalgia, eis uma banda (inglesa, claro!) que deixou saudades. Meados dos anos 80. Este escriba de meia pataca era um pirralho, um precoce musical, que não teve o privilégio de aprender um instrumento mas tinha ouvidos musicais ecléticos e uma memória para música espantosa, naqueles idos de 1987…

  Ah, os anos 80…

  Este vídeo e os de cima prestam uma homenagem simplória àqueles gloriosos anos…

  Ah, Proust, se você teve suas “madeleines”, eu também tive as minhas. Mas de um outro tipo!