Experiência philozóphika com o Tempo: faça isso em casa (Texto revisto e corrigido!)

                             
     Ultimamente, tenho tido umas idéias meio obsessivas no que diz respeito à duração do tempo. Ou melhor, à duração subjetiva do tempo. Quer dizer: a forma com a qual ou a partir da qual mensuramos o tempo. Sim: esqueçamos por um momento (um minuto contado!) o tempo cronológico convencional… Claro, isso não é [...]

Tchekhov e a possibilidade de liberdade oferecida pela literatura.

A vida marcha rumo ao cárcere; a literatura deve ensinar como escapar, ou pro­meter a liberdade…”
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Ainda sobre "A Arte do Desapego".

  Assunto bom sempre rende mesmo. Uma amiga escreveu também um texto curto no qual ela mostra o que pensa sobre tal arte.
  Que não é, mesmo, uma ciência exata!

"O Homem-Fiasco": uma estorinha existencialista às avessas.

                           
     Todos lhe previam um grande futuro. Desde pequeno, acostumara-se com o fato de que, em tudo que ele fizesse, sempre haveria alguém a lhe louvar as atitudes e ver nelas o supra-sumo da inteligência, a semente de um futuro gênio da ciência, das artes, ou, se possível, das duas, como um novo [...]

Em honra de Marianita (Trecho de um diário).

   Nota de advertência: o texto a seguir é produto da imaginação do autor, como todos os textos que pertencem à categoria Conto/Crônica ao lado. Portanto, as circunstâncias, as personagens e tudo o mais que nele houver pertencem à ficção. Quanto aos termos de baixo calão, eles foram necessários à verossimilhança na caracterização desse narrador sui generis, cujo [...]

O Acaso e a Estudante de Filosofia.

                 
     “O homem nunca pode chegar a prever todos os perigos que o ameaçam a cada instante.” (Horácio – 65 – 8 a. C)    

  
 

    Indo de encontro ao acaso, colidindo com ele, Michelle, estudante de Filosofia, acordara com a sensação de sufoco existencial. Era uma vontade de querer respirar, mas com ela vinha [...]

Gustavo "Guga" Kuerten: o herói do (im)possível.

                              
  Nunca fui fã de tênis. Nunca acompanhei uma partida na íntegra. Não se não fosse um tal de Gustavo Kuerten jogando. E desde já aviso que esta é uma singela homenagem a esse grande cara, esse catarinense baiano, paulista, gaúcho, potiguar, piauiense etc e tal.
   Antes de ontem, em sua despedida em Roland Garros, [...]

Do baú.

Publicado originalmente neste blog em 26 de maio de 2007.
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             O Homem-Artefato
 
O Homem-artefato não pensa.O Homem-artefato não fala.O Homem-artefato não sente.O Homem-artefato não se revolta.O Homem-artefato não pisca.O Homem-artefato não se move.O Homem-artefato não lê.O Homem-artefato, de fato, não se importa com arte [A não ser a de ser artefato].O Homem-artefato não se importa com nada.O [...]

A arte do desapego.

                    
 
       “Reivindica a propriedade do teu ser”.
                   Sêneca (4 a.C.? – 65 d.C.)

 
     Pela vida afora, vamos deixando um pouco de nós mesmos. À medida que vivenciamos as mais diversas experiências, desde as mais comezinhas até as mais grandiosas (sob nossos olhos, claro), inevitavelmente vamos nos soltando, nos desamarrando de um sem-número [...]

O Despacho.

    Noite de domingo. Ricardo Janturi não sabia bem para onde iria quando entrou no seu carro recém-comprado na Alemanha. Ali dentro, o som do Joy Division era arrebatador. Talvez a uma zona do centro velho de São Paulo? A um inferninho ali em Pinheiros? Ou quem sabe ao Bourbon Street em Moema, para pegar logo [...]

Homenagem a um mestre: Tchekhov.

Anton Tchekhov (ou Chekhov), um dos mestres supremos do conto e do teatro (Estou lendo seus contos. Ou melhor, estou os devorando!), em dois vídeos. Há anos o admiro. Nessa minha fase “russa” (Tarkovski, Tolstoi para ler aqui), estou resgatando essa admiração já antiga.
Eis os vídeos:

“Once in a while”, com Dizzy e Milt Jackson.

Ele foi, junto com Armstrong, o mais carismático dos grandes do jazz. O mais funny jazzman que por aqui já passou. Na época do bebop, ao qual a geração beat renderia muitas homenagens, ele era visto como o mais intelectualizado músico de então. Virtuose, polivante, um piadista nato, Dizzy Gillespie, o “Tonto”, as [...]

Nicholas Payton tocando “Bag´s groove”, de Milt Jackson…

… um dos meus standards preferidos. Combina bem com este happy hour…

Bill Evans tocando Waltz for Debby.

 A vida fica melhor ainda ouvindo Bill Evans, o Chopin do jazz. O cara era um poço de crises existenciais, envolvimento com drogas pesadas, altos-e-baixos na auto-estima, mas um gênio ao piano. Quem o vê, não pode acreditar que aquele pianista pacato e ar de nerd era um furacão!
 Os músicos que o acompanham, cujos nomes não [...]

Périplo de um pseudo-intelectual por um shopping. Ou: em busca de cultura no templo da patifaria narcisista e consumista.

  Acabei de chegar do Center Vale Shopping. Cada vez que entro em um desses antros de ostentação e de futilidade, tenho náuseas. Não as físicas, mas as “conceituais” mesmo. Não, não sofro de síndrome anti-social alguma. Quer dizer: nada sério. Mas é que me incomoda ficar por um certo tempo num lugar em que [...]

A quadratura do círculo: céu de brigadeiro em tempos dionisíacos.

  Não sei bem por que abri o Windows Live Writer. Enquanto digito estas palavras, não tenho nada importante que justifique este post. Apenas me deu na veneta, sei lá. Terremoto na China, Cannes, Minc no Ministério outrora da Marina Silva, as eleições americanas começando a pegar fogo, o cerco fechando na terra de Fellini para [...]

Nota quase fúnebre.

  Este blog é um zumbi.
  Espectro a vagar pelas ondas deste oceano de cacofonias, defunto sempre adiado, com o enterro ou cremação postergados constantemente, ele resiste não se sabe exatamente a quê. O que podemos falar é que ele, ciclotímico desde o início, espelho que é da mente de seu criador, haverá sempre de frustrar [...]

"O Alucinado", de Luis Buñuel, 1953.

   Assisti ontem a dois filmes do inimitável e grande Luis Buñuel. O primeiro, em torno do qual é este comentário, foi O ALUCINADO. O outro foi NAZARIN, ambos de sua fase mexicana.
  Falar de Buñuel, dos filmes de Buñuel, é algo que dá margem a muita, mas muita discussão. Poucos diretores têm o carisma, [...]

UM HOMEM COM UMA CÂMERA, de Dziga Vertov. URSS, 1929.

  1929. União Soviética. Dziga Vertov, aos trinta e três anos, era um homem de mente borbulhantemente criativa. Foi contemporâneo de Sergei Eisenstein, o mais aclamado e celebrado dos cineastas russos. Quem viu O ENCOURAÇADO POTEMKIN e OUTUBRO, sabe que ele, Eisenstein, havia estabelecido um parâmetro novo ao cinema. Depois de sua técnica [...]

“A Infância de Ivan”, de Andrei Tarkovski.

 
  A presença dos efeitos da guerra, mais do que a guerra em si, pode apresentar em muito mais detalhes todo o sofrimento e as indeléveis conseqüências na vida dos seres que venham a ter a infelicidade de experimentá-la. O artista que consegue sugerir, e não mostrar, a guerra, isolar aqueles efeitos todos, ao invés [...]