Papo de fim de ano na mesa do bar.

   – Cara, resolvi entrar 2009 de uma forma radical. Mas não espalha, tá?   – Jura? Vai dar três pulinhos e cair no colo do chefe?    – Não, né?, panaca.   – Então como é o troço?   – Ah, tipo assim: vou vender a alma pro diabo.   – Pô! Como é que é, velho?    – [...]

A Reforma Ortográfica do ponto de vista de um sentimental.

   
     Adeus, trema querido. Descanse em paz, você que era nosso traje de nobreza, que  dava um ar assim meio teutônico a alguns de nossos vocábulos, como o umlaut da língua de Goethe! Será que agÜentaremos tal seqÜência de derradeiras despedidas?
   Chorando muito, tenho que dizer: adeus, acentos dos ditongos… snif!, dos ditongos [...]

Variações acerca do sempre.

 
Sempre na trilha errada.
Sempre na contramão.
Sempre atrasado.
Sempre incompleto.
Sempre aquém.
Sempre decepcionante.
Sempre vazio.
Sempre só.
Sempre invisível.
Sempre sem rumo.
Sempre ausente.
Sempre errante.
Sempre tateante.
Sempre incompreendido.
Sempre o avesso.
Sempre sem sentido.
Sempre nauseante.
Sempre irritante.
Sempre tediante
Sempre morno.
Sem prever o óbvio, sempre cometendo o mesmo erro.
Sempre inconstante.
Sempre mutante.
Sempre na beira do abismo.
Sempre suplicante.
Sempre.
Sem previsões de melhora, sempre na pior hora.
Sempre uma promessa.
Sempre um passo errado.
Sempre a [...]

MADRE JOANA DOS ANJOS. Polônia, 1961.

 

  Numa região isolada da Polônia do século XVII, havia um convento de freiras no mínimo peculiar. Em vez de ser habitado pelo espírito divino, o que havia ali era o demônio e seus asseclas como donos do pedaço. A Madre Superiora, possuída por uma legião de querubins das trevas, a hospedeira-mor de “espíritos imundos”, atrai [...]

Curtindo a vida (texto devidamente corrigido. Com os infinitivos nos devidos lugares! Oh, distração!)

 
   Ontem fui assistir à peça ALDEOTAS, escrita e interpretada por Gero Camilo. Juntamente com Marat Descartes, Camilo nos leva a uma viagem pelos confins da memória. Num cenário literalmente vazio, contando apenas com a presença de palco estonteante de ambos, em quase duas horas somos surpreendidos por um texto excelente, repleto de surpresas [...]

Ele bem que poderia ser nosso segundo escritor, não é mesmo?

   Li a coluna do Mainardi na VEJA desta semana. Ali, o crítico deixou bem clara sua opinião sobre a minissérie CAPITU. Para ele, essencialmente, o diretor Luiz Fernando Carvalho não foi nada fiel à obra machadiana, supostamente fazendo uma coisa em tudo oposta a que Machado de Assis fez ali no romance DOM CASMURRO: uma [...]

Vai deixar saudades.

  
 
    E lá se foi a microssérie CAPITU. Ontem, vindo do teatro, onde assisti ALDEOTAS, estrelando o pequeno gigante Gero Camilo (isso será assunto de outro post), pude chegar a tempo para me despedir de Bentinho, Capitu, Escobar, Dona Glória, José Dias, entre outros.
   O que falar de uma série de um diretor inventivo, [...]

Prosa altissonante, realidades prosaicas. (Primeiro Episódio)

   Por mais que eu tentasse, não conseguia ver por entre aquelas sombras. Tateando, trôpego, quase sem ar, mal podia ter uma idéia fraca de onde eu estava, para inde iria, de onde viera. Meus pensamentos, opacos, naquela bruma que estava prestes a se tornar caos, matéria disforme e pântano desorientador, se desintegravam em cadeia, [...]

Qualquer coisa, qualquer coisa…

   Teve um autor clássico, cujo nome não me lembro agora, que disse algo como “Nenhum dia sem uma linha”, conselho aparentemente boboca. Mas só aparentemente. Quem escreve, quem sente ganas de tascar palavras na tela em branco (ou no papel em branco, como eu prefiro, visto que me sinto mais à vontade ao escrever [...]

Um Machado de encher os olhos (e os bolsos da Globo?).

   O primeiro capítulo do especial da Globo, CAPITU, foi uma experiência para lá de enriquecedora. A perfeita harmonia entre teatro, literatura e música já faz desse programa um clássico da emissora.
   A seqüência inicial, ao som de guitarras distorcidas e a sobreposição de imagens atuais e antigas, num sincronismo perfeito, juntou o novo e [...]

Enfim, um Sesc à altura. Fui lá conferir.

   Depois de uma mega-ultra-super reforma, o Sesc-São José dos Campos entra para o circuito dos mais badalados e, fazendo jus à importância da cidade, com programação versátil e constantemente renovada.
   Teatro toda semana, artes visuais, música, cursos e muita coisa bacana para se fazer lá. Fui conferir e vi com meus próprios olhos.
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