A marcha.

    Perdido, o Homem marcha. Continua sua longa caminhada às mais longínquas e inóspitas regiões. A ele, só resta andar ao léu. De vez em quando, ao lançar olhares para trás, é com um sentimento estranho que revê caminhos já trilhados. Voltando à paisagem que ele tem ao seu redor, descortina supostos novos acidentes geográficos, plantas supostamente nunca vistas, pedras talvez exóticas, riachos e rios e mares porventura jamais conhecidos.

    E, apesar de toda “mudança”, tudo o entedia. Nunca mais aqueles deslumbres de outrora, adeus àquelas sensações de que tudo é verdadeiramente novo.

    O cético e desiludido Viajante, que se dá conta de que há, volta e meia, circunstanciais companheiros a seguir seu rumo, como ele, pode intuir agora a existência de um fio condutor, uma linha imaginária a passar por toda aquela extensão. Ele não sabe exatamente o que é, qual a natureza ou o que representa aquilo. Ele só segue.

    E segue com a certeza de que algo muito superior a ele, não um deus, mas a ineroxabilidade da Natureza, faz com que a todos só reste a certeza de que tudo é efêmero. De que tudo já é conhecido. De que nada novo há naquela trilha. Assim foi. Assim será.

    O Viajante segue. A sumir de vista. Até o fim dos tempos. Até o fim do seu tempo.

Uma resposta

  1. ” Perdido, o Homem marcha. Continua sua longa caminhada às mais longínquas e inóspitas regiões. A ele, só resta andar ao léu. De vez em quando, ao lançar olhares para trás, é com um sentimento estranho que revê caminhos já trilhados”

    My Machado de Assis,

    Belíssimas ,pungentes suas palavras.EXISTIR e algo irônico, uma epifânica motivação de tudo aquilo que queremos que seja.O fato é que nos sentimos sufocados , as epifanias que sonhamos para nos fazer bem são paisagens artificiais, que nos alimentam de dor ; jardim cujas flores nos espetam e jorram em nossa alma, o botão de sangue de Lispector, porque a alma já envelheçe.Em monólogo interior tentamos pela “arte” em sua inúmeras facetas, dar razão ao externo que nos oprime.E dentro do espírito (atrás de toda e qualquer aparência) há sim um ser humano irrealizado, quem é completo?
    Ninguém. Quem diz isso é por não ser forte o suficiente para trilhar as laburetas do caos.Prova disso? os desfechos de nossos pensamentos ,pois o sentimento de culpa e insatisfação pulsam em nossas artérias como as bactérias em nosso organismo querendo nos corroer. Somos objetos de jogo, e neste jogo não a vencedor : há sim exposta a divina comédia humana que estamos condenados , e resignados em suportar.

    Sua leitora,
    que lhe gosta muitísssimo.

    Espero, logo falar-lhe visto que tenho filmes maravilhosos para comentar com voçê: um deles esta perene na alma do jazz.

    Beijos no coração ,Eli.

    Sua sempre Lina ;)

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