
Essas efemérides…
E não é que hoje faz exatos 20 anos (!!!) do colapso do Muro de Berlim e de tudo que ele representou?
É curioso e altamente didático poder ver com outros olhos acontecimentos que mexeram com a configuração política do mundo e que, na época, éramos ou jovens ou desinteressados demais por tais assuntos.
Lembro vagamente daquele 9 de novembro de 1989. Enquanto na televisão, rádio, jornais e imprensa em geral não se falava em outra coisa, este pobre datilógrafo que ensina também a conjugar o verbo TO BE estava mais interessado – apesar de sua então (mais acentuada) timidez – em correr atrás de algumas saias, ou na tresloucada procura de si mesmo típica da adolescência. Leia-se: baladas, amizades perigosas e rebeldia sem causa. Alguma coisa me vem daqueles dias que seguiram à derrocada do Muro: as imagens daqueles europeus, muitos extremamente jovens, com picaretas colocando abaixo aquele marco da divisão (imbecil) humana. Eu era tão avoado naqueles idos dos anos 80 que não entendia muito o porquê de um muro (“Ora, um muro, pô, meu!”) ter tanta importância a ponto de ser a atenção do planeta todo.
Bem, os anos se passaram e com eles eis que deixei de lado as minhas preocupações provincianas e criei uma maior consciência e interesse pelo mundo em que habito, e com eles, meus horizontes se ampliaram. E muito. Não tanto quanto eu gostaria, mas o suficiente a ponto de eu mal me ver naquele garoto de vinte anos atrás.
A queda do Muro de Berlim foi um motivo de alívio para o mundo, como se sabe. Afinal, ali ficavam as ilusões de um mundo planificado, autoritário e que negava ao homem o desabrochar de suas capacidades empreendedoras e outras não menos relevantes.
E é ótimo poder aprender sobre o mundo e suas complexidades, o ser humano e suas façanhas, tanto as dignas de aplauso quanto as que merecem nossa eterna desaprovação. Até para que não se cometam tantas asneiras que fizemos, fazemos e, queiramos ou não, ainda faremos neste planeta hoje tão interligado, tão desafiador e hostil.
Com essas efemérides, podemos lançar um olhar naquilo que fomos e naquilo que nos transformamos com vistas ao que poderemos ser.
Arquivado em: Alhos e bugalhos

