Os disseminadores do caos.

   Um flagelo dos tempos modernos? Fácil, companheiro.

   (Antes, um aviso: o que segue é apenas um desabafo, sem preocupações sociológicas ou pretensamente detentoras da razão absoluta).

   Celulares que tocam MP3 (a maioria) na mão de desequilibrados e desajustados e sabe-se lá quais outras patologias mais.

   Vai vendo: o sujeito, a “sujeita”, ouvindo sua (chamemos assim) “música” numa altura selvagem, totalmente desproporcional – como achando (muitos desses homens e mulheres-bomba de fato têm a convicção de que todos, ou seja, você, eu, o cara ali da esquina etc, queremos mesmo) que os pobres infelizes aos quais levam o caos sonoro desejassem ouvir aquilo que escutam em suas armas de destruição em massa portáteis –, agem como estivessem sozinhos no mundo, como se a rua, o lugar público, seja lá onde estejam, fosse uma extensão de sua casa.

   E nem falemos dos ringtones monstruosos com os quais somos “brindados” pela vida afora.

   Respeito mínimo, educação zero, egoísmo na estratosfera, assim como lá estão os decibéis com os quais “emporcalham” o ambiente.

   E o mais “curioso”. Mesmo que soe elitista e preconceituoso dizer isso, que pareça: se fizerem uma pesquisa com aqueles perpetradores do caos, aqueles destruidores sonoros (como se já não bastassem todos os tipos de poluição na atualidade, ainda disseminam em altíssimos decibéis o detrito sonoro que consomem e obrigam os outros a ouvir), ficará constatado que o nível qualitativo daquilo que ouvem, a tal da “música” (haja aspas) é inversamente proporcional à intensidade sonora com que esta última é difundida para os pobres ouvidos alheios.

   Trocando em miúdos, gente boa, e falando mui claramente: quanto mais alto, mais “lixo” é.

   São letras de funk indigentes (opa, eis um pleonasmo!), ritmos selvagens (não no nobre sentido antropológico do termo), pieguice a perder de vista, refrões paupérrimos e “colantes”, entre outras porcarias. Claro que tudo isso é indicativo do atraso cultural e de extrema indigência em que a grande maioria chafurda, muitas vezes por puro comodismo e tal.

   Não precisa nascer em berço de ouro para se cultivar o gosto.

   Mas, mesmo assim, suponhamos que o fulano saiba de tudo isso e mesmo assim esteja satisfeito com seu funk ou outro equivalente. Mas aí se concentra mesmo minha crítica: achar que todos querem ouvir aquilo que se ouve, ou pouco se importar com o próximo, é de fato considerado um ato de violência, ainda que muitos não vejam assim.

   Atirar goela abaixo do outro suas preferências é sinal claro de egoísmo pueril, falta de educação ao extremo e mostra de uma indigência mental absoluta.

   Se isso, em suma, se limitasse ao universo particular de cada um, ainda iria. Afetar, no entanto, a liberdade do outro é algo de total condenação.

   O que deveria ser exceção se torna, infelizmente, a regra.

   Eis aí um flagelo da atualidade, meu caro. Pelo menos nos lugares onde o respeito pelo próximo ainda é uma coisa distante.