Ode à vingança, segundo Quentin Tarantino.

O roteiro notável, próximo da perfeição, de “Bastardos Inglórios” consumiu de Tarantino dez anos. E valeu pela espera. Tudo bem arramado, os quatro capítulos iniciais convergindo para o quinto, o ápice, o desfecho surpreendente.   Brad Pitt com seu personagem com sotaque do Tennessee está já naquela antologia das grandes atuações do cinema. Só que [...]

Me esqueci do Ang Lee!

No post abaixo em que escrevi sobre meus objetos de desejo fílmico (sic!), acabei por esquecer também de mencionar o longa do Ang Lee, “Lust, Caution”, cujo título em português ficou sendo “Desejo e Perigo”. A história da chinesa que se envolve num complô para seduzir e matar um figurão da política durante a Segunda [...]

Meus dois objetos do desejo atuais: os novos Lars von Trier e Michael Haneke.

Sei que vai demorar um pouco, mas já fico empolgadíssimo para ver estes dois filmes: “O Anticristo”, do Lars von Trier e o vencedor da Palma de Ouro em Cannes este ano: “Das Weisse Band” (” A Fita Branca”), de Michael Haneke, cujo “A Professora de Piano” é uma síntese do cinema intenso e inconfundível [...]

David Lynch e sua usina de personagens.

O mais “hermético” dos diretores, segundo alguns; para outros, o mais fascinante; e ainda há quem o ache uma farsa. Independentemente das opiniões, extremas ou não, a verdade é que ninguém fica indiferente ao universo lynchiano. Sempre pronto a nos incomodar, nos tirar do marasmo, e um mago na arte de fazer do cinema mais [...]

Mudo, mas como é expressivo! Friedrich Murnau e sua (surpreendente e atualíssima) alegoria da degradação.

O cinema alemão já teve seu auge, bem antes do Novo Cinema de Fassbinder, Werzog e Cia: foi nos anos seguintes à Primeira Guerra Mundial. A Alemanha fora humilhada pelos seus vencedores. Foi uma crise profunda, que propiciou o surgimento de um caldo de ressentimento que deu cria a toda uma geração de pústulas medíocres chamados de [...]

Carrière e nosso fascínio pelas histórias.

 
O gênio humano para inventar e disseminar histórias é fabuloso. De quase todas as épocas, lugares e línguas, as narrativas criadas pela necessidade inadiável de contar, de relatar, estão reunidas neste volume. Roteirista de filmes famosos de Luis Buñuel e Andrej Wajda, o professor de História e escritor eclético, Jean-Claude Carrière, neste CONTOS FILOSÓFICOS DO MUNDO INTEIRO, [...]

O ascetismo de Robert Bresson e sua personagem-símbolo da miséria existencial alheia.

Imagine uma história com alto potencial para despertar tristeza, compaixão, senso de justiça, entre outros sentimentos “nobres”. Lembrando que o sentimentalismo, o excesso ou o paroxismo daqueles sentimentos, geral e popularmente conhecido como “pieguice”, é visto com maus olhos em literatura. Com exceção do Romantismo, no qual os arroubos sentimentais dos grandes poetas e [...]

A cisão do “eu”, a questão do “duplo”, a gênese da insanidade e seus desdobramentos: tudo sob as lentes de Roman Polanski.

 
O Inquilino, de Roman Polanski – França, 1976
“Me diga uma coisa: em que exato momento um indivíduo deixa de ser o que pensa que é?” (Trelkovsky, protagonista)
A questão do duplo sempre rendeu muito na literatura e no cinema. Basta lembrar de Poe e Bergman. Ou Dostoiévski. Ou ainda Kieslowski, polonês como Polanski. Há muito tempo o desdobramento [...]

Sobre Benjamin Button, sua (nossa?) singularidade, mensagens e morais reducionistas e um Shakespeare muito do trapalhão.

        
         Saindo do cinema, um casal de namorados, atrás de mim (oh, que indiscrição, a minha!), perguntava um ao outro “qual a mensagem” do filme O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON (com Cate Blanchett, Brad Pitt, Tilda Swinton, Elle Fanning e Julia Ormond, direção de David Fincher). Foi baseado no conto (que não li) [...]

MADRE JOANA DOS ANJOS. Polônia, 1961.

 

  Numa região isolada da Polônia do século XVII, havia um convento de freiras no mínimo peculiar. Em vez de ser habitado pelo espírito divino, o que havia ali era o demônio e seus asseclas como donos do pedaço. A Madre Superiora, possuída por uma legião de querubins das trevas, a hospedeira-mor de “espíritos imundos”, atrai [...]

Pra tirar o sono, veja O Dorminhoco, de Woody Allen.

   Assisti semana passada a essa louquíssima e divertida (ao extremo!)  comédia do mestre de Nova York. Há muito tempo eu não ria tanto. A Diane Keaton não fica nada a dever ao talento faraônico de Allen para nos fazer contorcer de tantas risadas. Vi junto com meu pai e o velho chorava de tanto rir, em [...]

Jim Jarmusch, uma grata surpresa.

  Acabei de descobrir esse grande diretor do cinema independente americano. Do cinema underground,  marginal, como queiram. Danem-se os rótulos…
 Assisti no fim de semana a três filmes dele: justamente os três primeiros de sua filmografia.
  Foram eles: “PERMANENT VACATION”, “STRANGER THAN PARADISE” e “DOWN BY LAW”.
  Que pauladas! Meu ranking deles está [...]

“Katzelmacher”, de Fassbinder. Ou o paroxismo do que é ser blasé.

                          
    Rainer Werner Fassbinder morreu prematuramente. Antes de chegar aos quarenta, mais precisamente. Mas foi o suficiente para deixar sua marca como um Pasolini germânico, guardadas as devidas proporções. Ambos foram “malditos”, um eufemismo meia-boca para dizer que eles vieram para azucrinar, incomodar, sacudir e espicaçar nossa inteligência e convicções.
     O diretor alemão, que [...]

"O Alucinado", de Luis Buñuel, 1953.

   Assisti ontem a dois filmes do inimitável e grande Luis Buñuel. O primeiro, em torno do qual é este comentário, foi O ALUCINADO. O outro foi NAZARIN, ambos de sua fase mexicana.
  Falar de Buñuel, dos filmes de Buñuel, é algo que dá margem a muita, mas muita discussão. Poucos diretores têm o carisma, [...]

UM HOMEM COM UMA CÂMERA, de Dziga Vertov. URSS, 1929.

  1929. União Soviética. Dziga Vertov, aos trinta e três anos, era um homem de mente borbulhantemente criativa. Foi contemporâneo de Sergei Eisenstein, o mais aclamado e celebrado dos cineastas russos. Quem viu O ENCOURAÇADO POTEMKIN e OUTUBRO, sabe que ele, Eisenstein, havia estabelecido um parâmetro novo ao cinema. Depois de sua técnica [...]

“A Infância de Ivan”, de Andrei Tarkovski.

 
  A presença dos efeitos da guerra, mais do que a guerra em si, pode apresentar em muito mais detalhes todo o sofrimento e as indeléveis conseqüências na vida dos seres que venham a ter a infelicidade de experimentá-la. O artista que consegue sugerir, e não mostrar, a guerra, isolar aqueles efeitos todos, ao invés [...]

O velho Allen está de volta.

 

 Hoje, na Ilustrada (para assinantes da FOLHA ou do UOL), a entrevista com Woody Allen é bem esclarecedora sobre o momento específico na vida desse grande diretor, estupendo artista. Algumas revelações: diferentemente da fama de intelectual exótico (com a qual ele não concorda) e recluso que tentam passar dele, Mr. Allen diz: foi só ler um livro depois [...]

"O Rolo Compressor e o Violinista", de Andrei Tarkovski.

 

 
 
  Sasha  é um garoto que ama seu violino e tem que enfrentar as armadilhas de seus coleguinhas que insistem em tirar-lhe a paciência e humilhá-lo apenas por ele ser um “músico”.  Já há aí a concepção do artista como um pária, um ser em descompasso com sua realidade.
  Sergei é operador de rolo compressor. Homem rude, [...]

"O Espelho", de Andrei Tarkovski: um filme para múltiplas sessões.

                                        Um poema feito de luz
  
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 Os pequenos momentos de que é feita a vida podem se tornar de uma preciosidade inimaginável. Vivemos num mundo turbulento, hostil e refratário às nossas mais profundas e íntimas descobertas, utopias e vivências. As lembranças daqueles momentos aparentemente pífios que vivemos são permanentes, nos acompanharão pela vida afora, e [...]

Esse Tarkovski…

  Primeiros minutos do sábado. Acabei de ver “O Espelho”, do Tarkovski. E lhes digo: estou sob o impacto de imagens para sempre armazenadas na memória. E o filme é sobre a memória, aliás. Ele despertou em mim um caleidoscópio de impressões… Vou dormir agora ainda sob estado de choque: trata-se de uma das obras mais plenas [...]

Tarkovski, Bergman e Allen no feriadão: retomando o ritmo…

  Estou retomando o ritmo dos filmes vistos. Acabei de me munir de cinco títulos para os próximos dias. Sou privilegiado, aliás, de ser sócio da VídeoVip - (12) 39416603 -, aqui de São José dos Campos, SP. Trata-se da mais completa locadora de clássicos, filmes cult, todos os ganhadores do Oscar, musicais e muito mais [...]

Lá se foi Jules Dassin, o mestre de “Rififi”.

 
Morreu ontem em Atenas, aos 95 anos, o diretor e realizador norte-americano Jules Dassin. Autor de “A Cidade Nua” (1948) e de “Rififi” (1955)  (dois filmes essenciais para quem se quer amigo de verdade da Sétima Arte), esse diretor foi subestimado pela crítica durante muito tempo.
Tempos atrás, fiz uma resenha do “Rififi” neste blog. Para quem [...]

Nove anos sem Stanley Kubrick

 
 Há exatos nove anos (sim, a data não é redonda mas não poderia deixar passar em brancas nuvens tal efeméride) morria o mais “literato” dos diretores de cinema. Nunca houve alguém como ele. Praticamente todos os seus filmes foram adaptações de obras literárias. Seu perfeccionismo virou lenda. Sua versatilidade e ousadia,  sua marca registrada.
 Eis um link para um vídeo do [...]

"Gosto muito de você, leãozinho".

E deu certo: Tropa de Elite, o mais polêmico de nossos filmes, venceu o concorrido Leão de Ouro, do Festival de Berlim. Exatos dez anos após Central do Brasil, é um feito a ser comemorado. Quem sabe novos talentos não sejam incentivados? O filme caiu no gosto popular, tem seus méritos, equipe de primeira, [...]

Um Antonioni para inglês nenhum botar defeito!

Blow Up (Trailer)

Assisti ontem à noite, pela milésima vez, ao clássico de Antonioni, Blow Up. Pra quem não sabe, foi baseado no conto Las Bablas del Diablo, do Cortázar. Foi também a incursão do diretor italiano pela Inglaterra. A única, aliás. Dizem, com ironia, que o melhor filme inglês foi feito por um [...]

Fahrenheit 451, de François Truffaut: é proibido pensar!

Fahrenheit 451 – (François Truffaut, 1966)
Imagine viver numa época em que os bombeiros não combatem incêndios. Eles queimam livros! Todo e qualquer livro! Baseado no livro homônimo de Ray Bradbury, o filme do esteta da Nouvelle Vague, François Truffaut (Os Incompreendidos, Jules et Jim, A Noite Americana), um dos meus diretores [...]

Quando o que já é perfeito consegue ficar mais perfeito (ok, isso é impossível, eu sei, foi apenas uma expressãozinha meia-boca)…

 Belíssima (Luchino Visconti, 1951)

Assistir a um filme de Visconti é algo assim: você fica grudado em frente da tela, esquecido de tudo. Mas como se não bastasse, se nesse filme houver Anna Magnani, “a magnânima” (não resisto ao trocadilho óbvio), a maior atriz italiana de todos os tempos, a mais “real” [...]

O império do mal, na visão de Fassbinder.

Trailer: O Desespero de Veronika Voss [Die Sehnsucht der Veronika Voss] (Fassbinder, 1982)

Uma obra seminal para entrar no mundo sombrio, inquietante e fascinante de Rainer Werner Fassbinder (1945-1982), um diretor “duca”!
 Alemanha pós-Segunda Guerra. A vida de uma atriz alemã decadente, presa ao vício e explorada por seres mais “doentes” do que [...]

A jornada existencial no cinema de Antonioni.

    
     
Comecei minha retrô particular de Michelangelo Antonioni com O Grito (Il Grido, 1957), obra que seguiu As Amigas, e que continua seu afastamento da temática neo-realista e parte para um cinema de cunho mais filosófico e intimista.
   
 
 

      Um homem (Aldo, na interpretação competente de Steve Cochran) e uma garota (Mina Girardi) lançados [...]