
Condutas equivocadas, na novilíngua petista, é um eufemismo para aquilo que, no passado, bem lá atras, há muitos e muitos anos, no paleolítico, talvez, o PT chamava de picaretagem, falcatrua das bravas, maracutaia, cambalacho etc. Bem, voltando para o presente, que insiste em ser ineroxável, o que vemos? Hoje, neste sábado tranqüilo, Lulla Lá voltou das brumas do passado, renascido das cinzas, sob o pó das intempéries, do…. Peraí. Corta, corta. Se ele, o maestro, o Führer do ABC, sempre, vejam bem, sempre foi candidato à reeleição, desde o longuínquo 1º de janeiro de 2003, como ele pode ter voltado? Isso não é uma contradição, um nonsense, um disparate? Como, me expliquem, alguém que sempre foi candidato à reeleição, que sempre usou da máquina pública para se promover, para se auto-elogiar, passa a ser … candidato à reeleição? Isso não pode, é contra as leis da natureza, contra…. Contra nada! Em se tratando de PT, em se tratando de estelionato eleitoral, tudo pode acontecer. Aqui chego ao lugar em que queria: distorcer os fatos, reinterpretar a realidade, moldá-la aos próprios caprichos, eis no que o PT tem PhD, com perdão pelo cacófato. Condutas equivocadas foi o que disse o presidente de faz-de-conta hoje ao lançar sua candidatura à reeleição, já conhecida até pela tribo indígena mais isolada nos cafundós amazônicos. Com esse termo ele se referia ao quê? A nada mais nada menos que todas as denúncias até agora vindas à tona neste um ano. A toda aquela barbeiragem ética, àquela nojeira putrefata do mensalão, à compra de consciências no Congresso em busca de apoio nas votações, àquela novela infindável dos Marcos Valérios, Delúbios, Bancos Rurais, dólares na cueca e, last but not least, àquela denúncia feita pelo Procurador Geral da República, que descortina os bastidores e as estruturas da quadrilha que atuou (atua ainda?) no governo do ex-partido da Ética, o arauto da retidão de caráter.
Condutas equivocadas? No tempo de oposição, o PT, se vislumbrasse 10% do que vimos de lambanças nestes doze meses, usaria tal definição?
E mais: o excelentíssimo Apedeuta ainda usou há pouco a maior prova de hipocrisia que já presenciei nestes meus 30 e pouquinhos anos de vida: ele teve o desplante de dizer que seu governo foi o que mais investiu na apuração de corrupção…. Se não fosse um tal de Bob Jeff abrir o bico, ele que também estava por dentro do esquema porque dele se beneficiava, nada disso teria vindo à tona.
E Lula-lá-rides-again disse também que pegou a economia aos frangalhos. Foi a cereja no bolo! Ele omite, pois não tem a hombridade de dizê-lo, o fato de que em meados de 2002 a economia teve aquele sobressalto por causa do medo que ele despertava no mercado em virtude de seu passado irresponsável de bazófias e obscurantismo. E atribui, assim, ao governo FHC um desastre econômico conjuntural, circunstancial e que teve como grande causador o medo do PT mula-sem-cabeça.
Mas esperar o quê de um Apedeuta e de um governo de mafiosos demagogos? Esperar o quê de um presidente craque em minimalismos semânticos? Pois se não, vejamos: condutas equivocadas ao invés de picaretagem, falcatrua das bravas, maracutaia, cambalacho etc é característico de uma mente absurdamente privilegiada, com um "poder de síntese" invejável. Pena que esse mesmo "poder de síntese" não seja usado quando se trata de autocrítica.