8 anos depois…

Ideia/argumento para um cartunista:

Um aquário público enorme. Muitas pessoas visitando o local. Entre várias espécies, chama a atenção uma lula gigante, com seus 8 tentáculos esticados no máximo, cada um fazendo força para não soltar o que tentam lhes tirar. Embaixo, a legenda/diálogo: “Ei, moço, olha! Por que aquele ali não quer largar as coisas que estão tirando dele?” – “Bem, é que alguns representantes dessa espécie, vejam só, podemos dizer que são um tanto emotivos e acabam se apegando às coisas. Dão um trabalho…”.

A Sociedade de Psicanálise de Viena irá adorar essa!

 

Nosso presidente-analista acaba de mencionar uma nova faceta de nosso “ego”, faceta essa que deixou o Sr. Sigmund a ver navios! Além do ego emotivo, do ego racional, do ego orgulhoso, do ego flamenguista, do ego petista, do ego renanzista, do ego corporativista, do ego chauvinista, do ego fisiológico, beatlemaníaco, neoliberal, tailandês, socrático, soteropolitano e muitos e muitos outros, há também (agora sabemos graças a ele, Luiz Inácio Weber Sigmund Inácio Hegel Freud da Silva) o “ego intelectual”, instância do “eu profundo” na qual temos em potencial uma capcidade sem igual ( a rima é… proposital) para nos vangloriarmos de nossos feitos intelectuais e nos fecharmos em nosso “casulo” de orgulho  cognitivo-cultural-epistemológico! Trocando em miúdos, é onde se concentra tudo que se refere à nossa capacidade de intelecção e soberba.

Ele lançou o termo  (que em breve estará na Wikipédia, nas principais revistas de psicanálise, no jargão de analistas e adotada pelos órgãos máximos de divulgação psicanalítica) anteontem, quando criticou ministros que nos “tempos antigos” (quer dizer, antes do ano da criação do universo, 2003) tinham o hábito condenável de criar planos para as pastas deles sem pensar em termos gerais, sem levar em consideração o todo. E aí entrava o tal conceito em questão (que então se chamava algo como “cegueira da arrogância” ou “tacanhice de visão” ou “bitola”, todos termos sem a força semântica de um “ego intelectual”). A ele, o tal conceito, se atribuía o fato de um ministro de Estado não compartilhar com outros ministros do mesmo governo a viabilidade (ou não) de seus projetos.

Até que, como vimos, veio Luiz Inácio e destruiu toda manifestação do tal ego!

Mais uma de seu governo. Como nunca antes neste país…

Terminemos com as palavras (um primor de análise racional!)  de nosso analista-mor, orgulho da raça!

Havia uma coisinha aqui no Brasil ou, quem sabe, na cabeça das pessoas – quem sabe o Brasil nem tivesse tido culpa, porque nem soubesse que estava sendo feito – de cada ministro fazer o seu programa em função do pensamento de sua equipe. No fundo, no fundo, era uma coisa do ego intelectual. [Folha de S.Paulo]

História concisa da satrapia de Lisarb, de seu Sátrapa* nada-esclarecido, Laul, e de seu infortunado povo, no ano da (des)graça de 006.

 

  “Há muitos e muitos anos, numa satrapia…

   – Não quero ser incomodado de jeito nenhum. Estou pensando! Não estou nem para o Papa, entenderam?
   – Mas, Excelência…
   - Acordei invocado hoje!
   O Sátrapa se encontrava circunspecto e irritado naquelas semanas que antecediam sua posse. Digamos melhor: sua segunda posse. Sua Excelência estava a refletir profundamente em uma maneira de fazer sua satrapia crescer economicamente e, vejam só, os lisarbianos pararem de lhe incomodar com  as promessas que ele havia lhes feito havia pouco tempo antes. Num de seus discursos diários, o Sátrapa dos sátrapas havia reconhecido humildemente, por fim,  que não sabia a fórmula mágica que faria o reino de Lisarb progredir e, junto com ele, seu povo sofredor e paupérrimo.
   Qual não foi a surpresa quando o Sátrapa, que tinha o carinhoso apelido de Laul, declarou o seguinte alguns dias depois: usando de seus poderes diplomáticos entre os grandes do mundo – e também da sua ‘extraordinária’ biografia, que nunca houvera antes ‘naquele reino’ -, ele, do alto de sua magnitude e da sua surpreendente capacidade de discernimento e total empatia com o povo de Lisarb (pois dele viera), tinha a certeza da data em que ele, mágica e messianicamente, obteria, por artimanhas as mais misteriosas, o conhecimento das medidas para fazer Lisarb finalmente crescer de forma sustentada.
   O pasmo no reino foi enorme: na praça central, houve discussões calorosas, mas muito poucas entre elas eram céticas. Estas foram prontamente neutralizadas pelas competentes e altamente aparelhadas ERCI e CDCP (Esquadra Real de Contra-informações e Central de Divulgação de Cascatas e Patranhas, respectivamente).
   A grande data era o primeiro dia do ano de 007, quando ele, Alul, de forma consagradora, receberia dos lisarbianos mais quatro décadas para gerir os destinos da satrapia.
  (Outros governantes de países com déficit de crescimento econômico também queriam saber como fazer para receber os ensinamentos. Seriam do além?, perguntavam eles.)
   Passados mais alguns dias, Laul disparou: não devia sua condição de soberano a ninguém, algo inimaginável alguns meses atrás, quando ele, então a humildade em pessoa, dizia que precisava dos votos da plebe, alimentada pelo PRDAF (Programa Real de Distribuição de Algibeiras Furadas), para ser, por mais oito longuíssimos lustros, seu guia e benfeitor.
   O dia da posse chegava e, à medida que o tempo passava, todos se admiravam (quer dizer: com exceção dos caçados dia e noite livres-pensadores, prontamente enforcados em praça pública pelo aparelho repressor do regime, pois eram seres críticos o suficiente para não se engabelar pelos disparates de Alul e seu séquito de bajuladores), se admiravam, dizíamos nós, com a sapiência que mostrava o Sátrapa para, num exemplo de sua excepcionalidade, ter o dia e a hora para anunciar, com toda pompa e circunstância, as esperadas, sonhadas e há muito desejadas medidas que tirariam Lisarb da condição de ‘satrapia do futuro’.
   Mas poucos eram aqueles que se perguntavam: por que Laul, que já havia sido governante (se os leitores não tiverem uma concepção muito ortodoxa do termo, obviamente!) nas quatro décadas anteriores, não apresentara antes a tal da fórmula misteriosa, aquela que resgataria Lisarb da ignomínia de patinar nos medíocres 2% e qualquer coisa de crescimento econômico, crescimento esse em muito superado pelo País da Seda, pelo País das Vacas Sagradas e pelo País da Vodka, nações que aproveitavam a calmaria dos mercados?
   E por que aquela data cabalística?
   Ninguém jamais soube.
   Lisarb continuou a Lisarb de sempre pelos quatro decênios restantes. A satrapia teve que se contentar com o fato de ser exímia apenas no jogo de pelota e na dança das ancas desnudas”.
 

              * * * *

 Sátrapa:             

1 Rubrica: história.
na antiga Pérsia, governador de uma satrapia
2 Derivação: sentido figurado.
indivíduo muito poderoso e arbitrário; déspota
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Fonte: Dicionário Houaiss

A sunga presidencial

     Um comentário singelo: precisava daquela sunguinha, presidente? Onde fica o senso de ridículo? A liturgia do cargo? Ele sabia sim que haveria fotógrafos em sua cola. Um shortão mais comportado não seria o suficiente? A desproporção foi tanta, a aberração, tamanha, que senti a vergonha alheia. Eis o porquê deste post em fontes vermelhas…

     Pensando bem, cada um tem o presidente que merece…

 

 

     Ao som de… de nada, pois a vergonha é silenciosa…

Variações sobre o lulês ou o que há por trás dele 4

 “Política a gente faz com o que a gente tem, não com o que a gente quer”

 

  -Aprendi com meu presidente, homem sábio, um novo e infalível (ético já seria demais!) critério: ao escolher meus candidatos, se há  um conjunto de Srs. Fulanos de Tal, cheios de processos, mais corruptos que o próprio Belzebu, então vou votar em um deles, pois é o que temos. Ou seja, votando num, voto no outro, pois são todos iguais, são tão parecidos, todos estão integrados na tal estrutura política de que falou nosso Presidente. Em suma: se é a fôrma que molda os políticos que está errada, logo, eles têm que ser igualmente errados, congenitamente com defeito, não é isso, amado Presidente? Culpemos a fôrma pela forma, não é mesmo?Não sei, mas acho que daí, desse critério, sai m_ _ _ _… 

 

O domador de palavras

 

  Li na Folha nesta quinta que Mr. Lula da Silva disse anteontem que desaprendeu a fazer campanha, visto que o exercício da função de presidente é por demais absorvente de sua atenção. Ele disse isso com outras palavras, mas o sentido é esse. Bem, podemos tirar várias conclusões dessa fala presidencial. Primeira: imagina se ele não tivesse se desdobrado tanto, se esfalfado tanto, coitado, o governo correria o sério risco de ser menos eficiente, já imaginou que trágico? Segunda: vai imaginando se ele aprender a fazer campanha. Terceira: ele tem um talento nato para a semântica: consegue distorcer o sentido das palavras. O menos vale mais, o mais vale menos e assim vai… Quarta:juro que não pensei sob estímulos etílicos. Estou sóbrio ao traçar estas linhas. Eu. Quinta: começou para valer o show. Sexta: eu acredito em duendes. Sétima: Zinedine Zidane fecha em segredo um contrato com o time do São José. Oitava: o presidente apenas estava lendo o manifesto do Surrealismo redivivo.   E la nave va…

Sobre a volta do que não foi

 

Condutas equivocadas, na novilíngua petista, é um eufemismo para aquilo que, no passado, bem lá atras, há muitos e muitos anos, no paleolítico, talvez, o PT chamava de picaretagem, falcatrua das bravas, maracutaia, cambalacho etc. Bem, voltando para o presente, que insiste em ser ineroxável, o que vemos? Hoje, neste sábado tranqüilo, Lulla Lá voltou das brumas do passado, renascido das cinzas, sob o pó das intempéries, do…. Peraí. Corta, corta. Se ele, o maestro, o Führer do ABC, sempre, vejam bem, sempre foi candidato à reeleição, desde o longuínquo 1º de janeiro de 2003, como ele pode ter voltado? Isso não é uma contradição, um nonsense, um disparate? Como, me expliquem, alguém que sempre foi candidato à reeleição, que sempre usou da máquina pública para se promover, para se auto-elogiar, passa a ser … candidato à reeleição? Isso não pode, é contra as leis da natureza, contra…. Contra nada! Em se tratando de PT, em se tratando de estelionato eleitoral, tudo pode acontecer. Aqui chego ao lugar em que queria: distorcer os fatos, reinterpretar a realidade, moldá-la aos próprios caprichos, eis no que o PT tem PhD, com perdão pelo cacófato. Condutas equivocadas foi o que disse o presidente de faz-de-conta hoje ao lançar sua candidatura à reeleição, já conhecida até pela tribo indígena mais isolada nos cafundós amazônicos. Com esse termo ele se referia ao quê? A nada mais nada menos que todas as denúncias até agora vindas à tona neste um ano. A toda aquela barbeiragem ética, àquela nojeira putrefata do mensalão, à compra de consciências no Congresso em busca de apoio nas votações, àquela novela infindável dos Marcos Valérios, Delúbios, Bancos Rurais, dólares na cueca e, last but not least, àquela denúncia feita pelo Procurador Geral da República, que descortina os bastidores e as estruturas da quadrilha que atuou (atua ainda?) no governo do ex-partido da Ética, o arauto da retidão de caráter.

Condutas equivocadas? No tempo de oposição, o PT, se vislumbrasse 10% do que vimos de lambanças nestes doze meses, usaria tal definição?

E mais: o excelentíssimo Apedeuta ainda usou há pouco a maior prova de hipocrisia que já presenciei nestes meus 30 e pouquinhos anos de vida: ele teve o desplante de dizer que seu governo foi o que mais investiu na apuração de corrupção…. Se não fosse um tal de Bob Jeff abrir o bico, ele que também estava por dentro do esquema porque dele se beneficiava, nada disso teria vindo à tona.

E Lula-lá-rides-again disse também que pegou a economia aos frangalhos. Foi a cereja no bolo! Ele omite, pois não tem a hombridade de dizê-lo, o fato de que em meados de 2002 a economia teve aquele sobressalto por causa do medo que ele despertava no mercado em virtude de seu passado irresponsável de bazófias e obscurantismo. E atribui, assim, ao governo FHC um desastre econômico conjuntural, circunstancial e que teve como grande causador o medo do PT mula-sem-cabeça.

Mas esperar o quê de um Apedeuta e de um governo de mafiosos demagogos? Esperar o quê de um presidente craque em minimalismos semânticos? Pois se não, vejamos: condutas equivocadas ao invés de picaretagem, falcatrua das bravas, maracutaia, cambalacho etc é característico de uma mente absurdamente privilegiada, com um "poder de síntese" invejável. Pena que esse mesmo "poder de síntese" não seja usado quando se trata de autocrítica.

Sobre o Harry Houdini caboclo e outro tipo de sonambulismo ainda a ser estudado pela ciência




E eis que Nosso Guia, Lulla da Silva, agora desembestou de vez: ninguém segura o homem.
Sabe aquelas republiquetas de banana cujo governante mor todo santo dia vem a público para
soltar a língua? Pois é, gente, nosso país virou isso! Haja saco, haja paciência. É um festival de arrogância, de meias-verdades, de ilusionismo, de canastrice, de lero-lero, de mitomania, de solipsismo, de hipocrisia, de cinismo and so on… Alguém tem que avisar o excellentíssimo que ele não foi eleito (não por mim!) para usar a máquina pública com a intenção de despejar seus solilóquios cada vez mais insuportáveis. Quando ele vai se dar conta que há gente que pensa neste país? Quando ele vai se mancar que a massa esquálida e sem informação que recebe a esmola (pois há outra função para o Bolsa Família além de usar os descamisados como massa de manobra, uma vez que assistencialismo barato não capacita ninguém para o mundo tal qual é?) um dia vai se dar conta do golpe que ela sofre, do absurdo distanciamento entre aquilo que seu presidente diz e a dura realidade que ela terá que enfrentar, sem perspectivas alguma à vista? E o mantra da meia-verdade de que a miséria gera violência é tão irritante quanto o timbre de voz de sua majestade. Todos sabemos (bem, nem todos) que a violência é determinada por um conjunto de fatores que extrapola em muito a questão das carências sociais. É estigmatizar a maioria dos pobres, senhor Presidente. É ver neles facínoras em potencial, é simplificar demais um assunto problemático cuja solução passa por questões complexas, sérias, e não apenas aquelas que apenas o tangenciam. Mas esperar profundidade, seriedade, eficiência, capacidade de solução de problemas e outras qualificações do gênero de alguém que está sempre a mudar, sempre a mimetizar o ambiente e/ou a platéia é ingenuidade demais.
Enquanto isso… o show continua. O mágico (com todo o respeito pelos profissionais da
prestigitação) acredita que o estado de sonambulismo da platéia é para sempre, pelo menos, espera ele, até as 17 horas do próximo 1º de outubro. Eu, por mim, todo dia tento, mui simploriamente, acordar um desses sonâmbulos, quem sabe até outubro já tenha tirado dos braços de Morfeu, digo, Luiz Inácio, uma meia dúzia de ex-dorminhocos crônicos.