Na reta final, Serra e Dilma lançam até obra inacabada
Manchete da Folha de S. Paulo de 9/3/2010
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Região indefinida do cosmo. Não chega a ser o mundo das Ideias Perfeitas de Platão. Tampouco é um lugar de imperfeição total. Quer dizer, ali pelo menos não há BBB nem funk carioca. Pois bem, onde paramos? Ah, sim… Nesse lugar de claridade e nuvens, misto de realidade e irrealidade, nossos dois personagens se encontram.
- Serra! [Falso espanto]
- Dilma, como vai? [Pensando: "Mas é tanto que eu rezo... Ai, minha gastrite nervosa!"]
- Você por aqui? [Sorriso amarelo]
- Pois é. Eu que pergunto: há quanto tempo vem frequentando a realidade virtual das obras que se encontram no limbo das possibilidades?
- Ai, Serra, você não nega que é tucano mesmo. Fala a língua do povo, homem de Deus!
- Olha quem fala. Até esses dias você usava um burocratês…
- Mas se esqueceu que tenho tido aulas intensivas com o mestre da oratória popular? Pois é. Lamento, mas aquela Dilma não existe mais. E desse jeito, se você continuar falando esse tucanês seu aí, ih, meu filho, você vai levar é um chocolate nas urnas…
- É, deu pra perceber que você aprendeu mesmo depressa…
- Tá, respondendo sua pergunta: frequento essa espelunca aqui desde minha aclamação pelo meu partido. Evento esse, aliás, que deve ter te matado de inveja [Risada diabólica]
- Nem tanto, minha cara, nem tanto [Ar professoral]. E o que vai inaugurar?
- Ah, leia os jornais amanhã [Ligando o celular]. Alô, avisem os jornalistas, quero mais flashes por aqui. O chefe não está. Como assim tem que esperar por ele? Ele me incumbiu disso, seu incompetente!
- Bem…. [Constrangido]
- Mande logo! [Desligando]
- Bem, Dilma, vou indo agora mesmo para outra região virtual do estado para inaugurar uma obra imprescindível para o povo de São Paulo. Foi bom te encontrar por aqui.
- Passe muito bem.
- Boas não-inaugurações pra você.
- Pra você também. Excelentes inaugurações de moinhos-de-vento.
E assim, cada um seguindo seu caminho, ambos os candidatos majoritários partem para seus afazeres. Afazeres esses que, no vale tudo da campanha, têm mais a ver com a impalpabilidade das coisas que ainda não existem na realidade…