8 anos depois…

Ideia/argumento para um cartunista:

Um aquário público enorme. Muitas pessoas visitando o local. Entre várias espécies, chama a atenção uma lula gigante, com seus 8 tentáculos esticados no máximo, cada um fazendo força para não soltar o que tentam lhes tirar. Embaixo, a legenda/diálogo: “Ei, moço, olha! Por que aquele ali não quer largar as coisas que estão tirando dele?” – “Bem, é que alguns representantes dessa espécie, vejam só, podemos dizer que são um tanto emotivos e acabam se apegando às coisas. Dão um trabalho…”.

“Graças a Deus não perdi meu bigode, mas ainda estou com algumas restrições na articulação das palavras”

As palavras acima são de José Sarney. Após passar por uma cirurgia para tirar um tumor no lábio superior, o Charles Foster Kane do Maranhão reapareceu hoje todo pimpão.

E pensar que, alguns meses atrás, ele quase foi defenestrado da cadeira de Presidente do Senado… Bem, podemos dizer que, com o cargo e o bigode intactos (e seu querido lábio, claro), ele pode ser considerado um homem de sorte, não é mesmo? O que é a restrição temporária na pronúncia das palavras diante de tudo que chegou perto de perder?

Nostradamus cofia a vetusta barba e strikes again: Vai dar Serra!

Hoje é dia de desincompatibilização para todos aqueles que vão concorrer a um cargo diferente daqueles que exercem. Ou seja, hoje José Serra deixa o governo de São Paulo para, tal qual oito longínquos anos atrás, concorrer à presidência. E meu Nostradamus interior não resiste. Exatamente como quase dois anos atrás, quando este blog foi o primeiro do universo (isso mesmo, tá?) a prever a vitória de Mr. Obama, cravarei agora sem hesitar, com a ajuda de um balde de água furado: José Serra será o novo presidente do Brasil daqui a seis meses e alguns dias.

Escrevam aí: este post será citado pela posteridade… Sacaram o trocadilho genial?

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Ao som de Bobby McFerrin, Don’t worry, be happy (Dedicated to Dilma Rousseff)

Marina Silva acerta no alvo.

A pré-candidata do PV, Marina Silva, foi felicíssima ontem em mais uma estocada no governo federal. Disse que o tal PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) 2 mais parece “uma marmita requentada” e que a nova multa aplicada pelo TSE a Mr. Silva, por propaganda política antecipada, preocupa pelo fato de o mau exemplo vir da parte de quem deveria ser exemplo, no caso, o presidente da república.

Dois comentários pessoais. Primeiro: o PAC, a imprensa já mostrou à exaustão, é só o nome para um monte de projetos pretensiosos cuja maioria ainda não saiu do papel. Com o PAC 2, teríamos o PAC do PAC . Ou seja: algo que aceleraria o que deveria ter sido aceleredo algo antes. Entenderam? Imagine a esdrúxula imagem de um acelerador de aceleradores com falha ou avariados. É mais ou menos isso. O governo meia-sola ainda acha que engana quem?

Segundo: se continuar nesse ritmo de multas frequentes ao nosso Grande Líder, quando chegar lá por outubro ele terá ido à bancarrota. O que é muito bem feito.

E li na Folha hoje também, aliás, que o PT está à procura do PSDB para que este amenize um pouco na justiça as constantes queixas na justiça, por parte dos tucanos, com relação às não menos constantes afrontas à lei por parte de Lula.

Como simpatizante do PSDB, se houver esse acordo, será uma vergonha para a oposição. Tem que azucrinar mesmo, usando os meios legais, para contestar nos fóruns apropriados, cada ato ilegal por parte do governo petista.

José Serra e Dilma Rousseff se encontram na realidade virtual das obras ainda inexistentes.

Na reta final, Serra e Dilma lançam até obra inacabada

Manchete da Folha de S. Paulo de 9/3/2010

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Região indefinida do cosmo. Não chega a ser o mundo das Ideias Perfeitas de Platão. Tampouco é um lugar de imperfeição total. Quer dizer, ali pelo menos não há BBB nem funk carioca. Pois bem, onde paramos? Ah, sim…  Nesse lugar de claridade e nuvens, misto de realidade e irrealidade, nossos dois personagens se encontram.

- Serra! [Falso espanto]

- Dilma, como vai? [Pensando: "Mas é tanto que eu rezo... Ai, minha gastrite nervosa!"]

- Você por aqui? [Sorriso amarelo]

- Pois é.  Eu que pergunto: há quanto tempo vem frequentando a realidade virtual das obras que se encontram no limbo das possibilidades?

- Ai, Serra, você não nega que é tucano mesmo. Fala a língua do povo, homem de Deus!

- Olha quem fala. Até esses dias você usava um burocratês…

- Mas se esqueceu que tenho tido aulas intensivas com o mestre da oratória popular? Pois é. Lamento, mas aquela Dilma não existe mais. E desse jeito, se você continuar falando esse tucanês seu aí, ih, meu filho, você vai levar é um chocolate nas urnas…

- É, deu pra perceber que você aprendeu mesmo depressa…

- Tá, respondendo sua pergunta: frequento essa espelunca aqui desde minha aclamação pelo meu partido. Evento esse, aliás, que deve ter te matado de inveja [Risada diabólica]

- Nem tanto, minha cara, nem tanto [Ar professoral]. E o que vai inaugurar?

- Ah, leia os jornais amanhã [Ligando o celular]. Alô, avisem os jornalistas, quero mais flashes por aqui. O chefe não está. Como assim tem que esperar por ele? Ele me incumbiu disso, seu incompetente!

- Bem…. [Constrangido]

- Mande logo! [Desligando]

- Bem, Dilma, vou indo agora mesmo para outra região virtual do estado para inaugurar uma obra imprescindível para o povo de São Paulo. Foi bom te encontrar por aqui.

- Passe muito bem.

- Boas não-inaugurações pra você.

- Pra você também. Excelentes inaugurações de moinhos-de-vento.

E assim, cada um seguindo seu caminho, ambos os candidatos majoritários partem para seus afazeres. Afazeres esses que, no vale tudo da campanha, têm mais a ver com a impalpabilidade das coisas que ainda não existem na realidade…

Surpresa para quê, cara pálida? (vermelha seria melhor?)

      O atual inquilino do Palácio da Alvorada não poderá bancar o salvador da classe operária. Coisa que nunca foi. Ontem, a se reunir com a alta cúpula da Embraer, nosso Grande Líder, que disseram estar indignado com as demissões na empresa joseense, foi, dizem, de uma pusilanimidade patética.   As lideranças sindicais botavam uma baita fé nele. Ele falaria grosso com os “cruéis” empresários que dispensaram mais de 4.200 funcionários na semana passada. Ele, diziam por aí, botaria sua carranca e iria tirar satisfações com a fabricante de aeronaves. Afinal, o BNDES havia sido magnânimo ao abrir suas linhas de crédito. “O governo tem uma cota naquela joça, caramba!”… Setores da esquerda já diziam: “Agora quero ver essa corja de empresários dar explicação para o nosso presidente!”.

   Que nada! Lula ouviu quietinho o que os empresários tinham a dizer. Quando muito, esboçou algo do tipo: “Ah, vejam se vocês (dirigentes da Embraer) podem fazer algo mais para os trabalhadores”. Como se só ele, Luiz Inácio, poderia ter essa luz, essa magnanimidade de pensar nos trabalhadores… E o que eles, empresários, tinham a dizer é de uma obviedade escancarada: dependente do mercado externo, a empresa sofreu prejuízos decorrentes da queda das encomendas. Como manter-se no azul sem recorrer a tais medidas amargas, mas necessárias?

     Em países cujas lideranças têm um tantico só de bom senso, já se sabe: em questões administrativas de empresas privadas, o governo, seja ele qual for, não tem voz ativa. As decisões gerenciais tomadas por uma companhia de capital aberto, ainda que nela aquele governo tenha uma golden share, não precisam ter o aval do Estado. O papel deste último, então, seria apenas de arbitragem em questões relacionadas à entrada de capital estrangeiro (informação que, basta ler os jornais, está aí para quem quiser saber). Tamanha platitude só mesmo em países ainda atrasados cujo verniz de civilidade e modernidade é por demais ralo, uma mera “casca” para inglês ver.

     A Embraer, como uma empresa privada, tem todo o direito de agir da forma que quiser, até para respeitar as ações nela investidas. É uma catástrofe para o empregado, seus familiares? Sim, é! (Tive uma pessoa próxima demitida, com ela me solidarizo. Mas essa pessoa por si só já refletiu muito e resolveu se reerguer). Mas as regras são essas! O mundo não acabou para os demitidos. Como disse uma jornalista daqui de São José dos Campos, o “crachá não é identidade”. A questão é se reciclar, erguer a cabeça e continuar a manter a fé em si próprio.

     Lula nem nenhum outro político poderia fazer nada mesmo. Lula então errou onde? Errou ao investir na pantomima de salvador dos  trabalhadores. Se desde o começo ele mantivesse o “pé no chão”, até porque fontes de seu governo já o avisavam desde segunda passada da iminente “tesourada” da empresa de aviões, e agisse como um governo soberano, que paira acima dessas questões, o constrangimento não seria tamanho. Não deu para fazer a empresa reavaliar as demissões? Então tasca lá (como fez Nosso Líder) um “veja o que vocês podem fazer mais aos trabalhadores” (Já está assegurado o plano de saúde por mais um ano aos funcionários demitidos, diga-se).

     Seu erro é mais um daqueles antológicos que ficarão para sempre no rol de lambanças deste desgoverno.

     O Grande Ilusionista foi desmascarado. De novo. Só não vê quem não quer!

Somos todos Jarbas.

A entrevista-marretada que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) deu à Veja parece que vai render muita coisa. O que ele disse ali é sabido por todos que têm um pingo de senso crítico e bom senso: seu partido, o carcomido PMDB, é um antro de interesses escusos, falcatruas, fisiologismo e tudo mais que possa vir de uma fossa séptica. Claro, não foram estes os termos. Mas ficam estes mesmos. Dizer que tal “agremiação política” não tem nenhuma bandeira, “nenhum norte” (a não ser o rumo do compartilhamento do poder com o governo da vez) é a constatação que há muito já se chegou. Mas que precisava justamente da voz de alguém que conhece do traçado – e que não compactuou com o que ali viu -  para ganhar a ressonância de que precisava. Tal legitimidade é do que não padece o senador pernambucano.

Só os ingênuos para achar que tal câncer será extirpado do dia para a noite da nossa paisagem política. As velhas raposas felpudas peemebistas já se assanharam todas. Já tentam desqualificar o senador colocando-o numa espécie de limbo.

Não, eles não vão conseguir. Gradativamente será formada uma massa crítica que, aos poucos, na cabine eleitoral, mandará para o Hades político essa nojeira chamada PMDB. Seus caciques, seus Dons Corleones, mesmo tendo colocado um dos seus maiores representantes justamente na presidência do Senado, podem já ir preparando as malas. No que depender de pessoas íntegras com seus discursos secos, ásperos, grosseiros mesmos, mas não menos sinceros, como o de Jarbas Vasconcelos, vamos defenestrar essa súcia de coronéis perdidos no tempo.

A balela que é o partido com  a maior capilaridade e poder de penetração no país não cola mais. Falemos claramente que se trata, isso sim, de uma quadrilha. De uma quadrilha feita, em sua maioria, daquilo que de pior temos.

Que a eleição no Senado seja o canto do cisne desses fora-da-lei!

Valeu, Senador, disseste o que estava aqui entalado.

A democracia do bocejo.

   Os analistas e cientistas políticos gastam saliva. Os jornais, tinta e mais tinta. Os sites noticiosos, bytes e bytes. Vários são os pontos de vista, diversos os enfoques, variadas as concepções e visões de mundo.

   Mas há sim um substrato, uma espinha dorsal que perpassa toda essa cacofonia opiniática. Algo, em suma, que dá contornos nada esmaecidos a uma idéia: a de que, não obstante todos os percalços, toda a famigerada apatia que cercou esta eleição (a ponto de parecer que estávamos numa democracia escandinava, tal o ar blasé de muitos, como se fosse já algo naturalíssimo o processo eleitoral. Na verdade, o grosso disso era mesmo apatia, aquela idéia de que “não-vai-mudar-nada-mesmo”, “tanto-faz-quanto-tanto-fez” ), é “quebrando a cara”, “dando com os burros n’água”, e, enfim, vendo a relação custo-benefício embutida no ato de votar em tal ou qual “tipo” de político, é assim, aos trancos e barrancos, que vamos, queiram alguns ou não, amadurecendo politicamente, mesmo que a passos de tartaruga, mesmo que bocejando ao teclar aqueles botões.

   Chegará um tempo em que aquele enfado tão visto neste domingo por esta imensa terra brasilis será apenas e tão-somente a calmaria que vem da certeza de que as coisas estão azeitadas. De que aqueles que estão no “pudê” são de fato os mais capacitados para ocuparem um lugar de proeminência na tomada de decisões que a todos nos afetam.

   De bocejo em bocejo pode-se ir longe…

Dane-se a Responsabilidade Fiscal então? Com uma oposição dessas, o que será de nós?

  Deprimente o papel da oposição no Senado. Que vergonha de ser simpatizante do PSDB! Numa improvável aliança com a parte “governista” da Casa, os distintos senadores oposicionistas, que deveriam observar e se pautar pela coerência política, se “mancomunaram”, para usar um termo assim sem maiores sutilezas semânticas, com petistas e companhia para o quê? Pasmem! Para aprovar três propostas perdulárias na área de gastos com a Saúde pública e com a Previdência. Perdulárias pois, se passarem pela Câmara (torcemos que não passem!), elevarão em muito o potencial de estrago em termos fiscais. Seria outro gigantesco rombo… Ou seja: dane-se a Responsabilidade Fiscal, oras. Se é para ser demagogos, sejam na plenitude, não é mesmo? Se é algo que colocará Nosso Grande Líder contra a parede (pois ele passaria, necessariamente, a imagem para a patuléia de inimigo dos pobres, ao ter de vetar tais propostas irresponsáveis), pensaram os vira-casacas do Senado, tudo vale a pena! A ala “governista” do Senado, representada  por Tião Viana (AC), só com muita ironia recebe tal definição. Pois vai de encontro ao que prega a ortodoxia econômica de seu próprio governo apenas para fins de ascensão política, oportunismo deslavado e picaretagem.

  Mas da oposição se esperava mais. Muito mais. Desse jeito, vamos todos de mal a pior. Nossos representantes, que deveriam ter o mínimo de coerência (sempre ela!), estão mais dignos da alcunha de bundas-moles do que de homens íntegros do pensamento politicamente destoante e com propostas sérias para o país.

  

Para que tanto alvoroço, por que tanta celeuma?

Para que tanta azáfama, caros senadores oposicionistas? A nova CPI dos Cartões, essa agora exclusiva da ex-Casa de ACM, digo, de Jader Barbalho, ôps, de Renan Calheiros, pois bem, dizia eu, com uma nova comissão estalando de novo e cuja composição estará nas mãos da ala governista, teremos mais uma farsa: a oposição dando cabeçadas, a retórica-bomba do Arthur Virgílio, competente, mas sabem, uma andorinha só não faz verão, blá blá blá, cruzando as páginas dos jornais, o Governo Gambiarra posando de donzela ofendida etc e tal.

Não seria mais fácil suas excelências centrarem o foco em propostas de mais longo prazo e abrangência menos provinciana? De nada vai adiantar mais um desgaste desses. Serão semanas de material requentado e discussões estéreis.

Não queremos saber quem gastou tantos e tantos com o vinho tal e qual.

Se nos falassem o autor do dossiê, não aquele que o divulgou (para ficar no assunto candente do momento), já valeria mil CPIs.

Mas o Senado não poderia ficar de fora da avacalhação geral mesmo.

Preparem as pizzas!

De pequenas gambiarras e da Grande Gambiarra.

Nosso Grande Líder disse hoje que no Planalto há gambiarra, falando das condições do carpete há muito usado, cheio de sujeira de café e anos e anos de uso. Falou também da “questão hidráulica”, que teria muitos e muitos gatos…

Ele esqueceu de dizer que o Governo dele é que é uma gambiarra… Uma leve diferença conceitual, não?

The tapioca is ours! É the end of the narrow path cut through a virgin forest!

  Sobre a pornográfica (certo, em tempos de desbunde, tal termo está saindo de cena) questão dos cartões corporativos, duas observações:

    1.   Os petistas incrustados na máquina do Estado que dispõem de tal mordomia (dipunham, segundo a Folha de sexta) se melaram com o doce. O que falar lá em casa? Era essa a política que o PT tinha para modernizar o país e tirá-lo do atraso? Era isso o que tanto queriam os viúvos de Che?
    2.   Fica estabelecido que a tapioca [o ministro Orlando Silva, dos Esportes, teve a pachorra de gastar 8 reais numa tapiocaria em Brasília, sendo que o cartão corporativo foi concebido para outros fins mais urgentes e, vá lá, republicanos. Afinal, dispor assim de uma ferramenta criada para dar agilidade nos trâmites da administração, e não para questões tão triviais, é the end of the narrow path cut through a virgin forest: o fim da picada!. Fica a impressão -ou a certeza?- de que os recursos públicos estão aí para isso mesmo: servir os nossos empregados, nossos servidores. E de 8 em 8 reais...] representará, de agora em diante, todas as nossas mazelas. Ao lembrarmos dela, teremos o símbolo perfeito da locupletação, cara de pau e cinismo de pústulas que infelizmente vivem no mesmo país que a gente e (que vergonha!) nos representam.

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Ao som de Bob Dylan, Ballad of a thin man

Ah, fosse no tempo de FHC…

  Todos viram: no primeiro dia útil do ano o governo de Sua Santidade Dom Inácio III baixou um pacotezinho de maldades aumentando o Imposto Sobre Movimentações Financeiras (IOF) e também a Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL). Isso porque o próprio excelentíssimo havia prometido que não existiria tal pacote. Cadê a oposição? Que venha uma ação judicial contra tal pacote!

  Fico a imaginar: se fosse FHC, naquela época, que fizesse o mesmo… O que estariam fazendo o PT e seus vizinhos “ideológicos”? Ah, como é o governo do ídolo das massas, está tudo desculpado.

  Onde estão aqueles movimentos voltados à defesa dos interesses do povo? Sim, porque esse aumento tributário vai incidir sim, no final da cadeia, sobre aqueles que um dia eram “defendidos” pelos petistas hoje envergonhados de seu passado.

  (Exceção aos petistas íntegros, ou seja, aos coerentes, àqueles que se mantiveram fiéis às suas convicções).

  Agora que podemos dar adeus à uma reforma tributária decente. E quanto a cortar gastos, nem pensar!

  Enquanto isso…

  … desfrutemos de nossos serviços públicos de primeiro mundo!

É o começo do fim deste governo de araque!

 45 votos a favor X 34 contra. Faltaram 4 votos aos governistas!

 Toma, Senhor Presidente Lula. Engole essa, Mercadante. Olha o que é bom pra tosse, dona Dilma! Petralhas deste imenso Brasil, demorou, mas, enfim, este (des)governo começa a colher da sua histórica incoerência e arrivismo político. O mesmo partido que lá atrás vociverava contra a CPMF, hoje teve que engolir sua maior derrota. E pasmem: por pura incompetência. De nada valeram as demonstrações de fisiologismo explícito, de nada valeram as perorações do Apedeuta e seus sambas-do-crioulo-doido. Ora, ora: acabou!!!!! como diria o maior dos locutores ufanistas deste país. A CPMF, o imposto que começou provisório e se tornou permanente, quer dizer, quase, enfim chega ao fim. A grande garfada que insidia em toda a cadeia produtiva, que ”mordia” mundos e fundos, pretos, brancos, corinthianos e santistas, pagodeiros e jazzistas, funkeiros e admiradores de Bach, enfim, que era uma ofensa, que chegou e foi ficando, portanto, eis que por uma luz, por um milagre, o Senado deste país, tão desacreditado, deu uma lição na petralha hipócrita. A partir do ano que vem, nunca mais a tal da contribuição menos “contribuição” que já existiu por aqui. A verba ia em grande parte para fechar os rombos anualmente cada vez maiores, fruto da má administração, incompetência e jeitinho.  

 Enfim, o país não perde nada não: o negócio agora é cortar gastos, remanejar verbas, modernizar a estrutura da máquina. Chega desses remédios paliativos! A coisa é estrutural! Qualquer ser minimamente inteligente sabe disso. Há muito tempo!

 Bem feito, Mr. da Silva! É bom ver este (des)governo sair derrotado. Isso não tem preço. Se virem agora pra administrar bem as contas públicas, súcia de incompetentes!

 Que dia histórico…

Ainda o Charles Foster Kane das Alagoas.

 Pelas barbas do Lula!!! Este Senador calhorda (iupiiiiiiiii, nada melhor que a liberdade de um blog!!!) chamado renan calheiros (as minúsculas lhe caem muito bem, não?) não irá nos poupar de sua presença lastimável? Ao ouvir seu nome, tenho engulhos. Ao ver sua imagem nos jornais, tenho ganas de rasgar e picotar em mil sua cara de sacripanta, sua figura repugnante. Enfim, já chega! Sua arrogância transatlântica só é menor do que sua importância para este país. No entanto…

 No entanto, ele continua lá, apesar de todas as falcatruas, de toda lama que cerca sua pessoa mesquinha, vil e representativa do atraso!

Uma medida óbvia, mas bem-vinda e há muito desejada.

Mais um exemplo da consonância entre a opinião pública e a mais alta corte de justiça. Lemos nos jornais hoje que o Supremo Tribunal Federal estabeleceu: o mandato pertence aos partidos, não aos candidatos. Uma decisão óbvia, quando comparamos nosso carcomido sistema político com o das mais modernas democracias ao redor do mundo? Sim, sem dúvida. Mas, por aqui, nesta terra do “jeitinho”, onde o personalismo e a fulanização da política são moeda corrente, elogiemos, aplaudamos e teçamos loas à tal medida. Já passa da hora dos que fazem do ato político uma forma de auferição de vantagens próprias, dos “profissionais” da política (e sobretudo dos “feudos” oriundos dessa forma de se apropriar do que é público) e de todos aqueles cujo escopo de atuação é apenas e tão-somente os próprios interesses, já passa da hora de todos esses parasitas e espertalhões despreparados escafederem-se da cena pública. É chegada a hora de os políticos se reportarem ao partido, instância (que deveria ser) inibidora de atitudes aventureiras e distantes do interesse daquele que realmente deve contar, diante do qual o político deve se pautar: o eleitor. A fidelidade partidária pode matar no nascedouro muitos inescrupolosos vira-casacas e mercenários que pulam de galho em galho apenas tendo em vista critérios pe$$oais.

Seria o início do fim do tão execrado fisiologismo? Quem viver…

Tudo bem que vai caber ao partido entrar na justiça para reaver o mandato do político que sair dessa sigla e ir para outra. Mas já é um passo importante, reconheçamos. A figura do mandato parlamentar como algo pertencente a uma instituição e não mais ao político já dá uma nova configuração em termos de representatividade. A pecha de “vira-lata” vai se apegar àquele parlamentar. O ônus de se pagar por tal “infedelidade” vai ser dele.

Que tal medida de “profilaxia” vingue!

“O sertão vai virar mar e o mar virar sertão” e nada de Renan Calheiros tirar seu nobre “derrière”daquela cadeira azul?

 

O deputado Fernando Gabeira acaba de criar o movimento “Se entrega, Corisco!” que tem como salutar e bem-vindo objetivo  expelir o desonrado, jurássico e sacripanta Renan Calheiros da presidência do Senado. A frase remete ao clássico de Glauber Rocha “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) que, aliás, acabo de rever numa edição estupenda. O dvd 2, recheado de extras, é de um capricho incrível e não menos informativo.

Assisti a esse filme por volta dos 17 anos e, na época, não entendi, confesso, nada. Faltava-me muita informação…

Hoje, me deparei com uma obra atemporal, gigante, feita por um gênio precoce. Estivesse vivo, Glauber seria um dos grandes diretores da atualidade, tenho certeza!

A montagem, o enredo, a música, as locações, muitas cenas, o retrato daquela gente sofrida e humilde, massa de manobra disponível para muitos fins… Eis o que mais me ficou na memória. Vi uma referência (posso ter visto demais…), na cena da matança do povo de Montes Altos, ao clássico “O Encouraçado Potemkin” (1925), de outro gigante, o russo Sergei Eisenstein. Aquela seqüência ultra-célebre da escadaria de Odessa, para mim, teria sido ”citada” por Glauber. Teria mesmo?

A influência do neo-realismo italiano e da nouvelle vague é nítida. E não deixa nada a dever a eles. Martin Scorsese, não por acaso, coloca “Deus e o Diabo…” na lista dos dez maiores filmes de todos os tempos. Pasolini (que quase surtou quando o viu) o inclui na sua célebre categoria de “cinema de poesia”, junto com obras de Antonioni e outros grandes.

O filme já teve todo tipo de análise. Sua grandiosidade, sua precisão em mostrar uma realidade ainda atual, o misticismo, a precariadade de todo um povo e, obviamente, com interpretações mais do que convincentes, tudo isso faz esse filme, cujo final é mais do que apoteótico, uma forma de fábula até mesmo metafísica.

O próximo de Glauber que verei em breve será ”Terra em Transe”, outro momento de glória de nosso cinema.

Claro que esses são apenas apontamentos, impressões bem aquém do que o filme na verdade é.

Quanto ao movimento “Se entrega, Corisco!”, uma observação. Corisco, o cangaceiro impiedoso (uma redundância?), ficaria anos-luz em comparação com um certo senador. O jagunço matador tinha um resquício de honra. Algo alucinado, mas tinha. Enquanto o senadorzinho arrogante e jurássico… 

Na terra de Cervantes, Dalí e Buñuel, nosso Apedeuta dá um show. De auto-ilusionismo e surrealismo caboclo.

 

Preparem-se para mais uma demonstração de insensibilidade e alucinação de nosso excelentíssimo presidente. Tapem o nariz, tirem as crianças da sala.

Lulla disse ontem na Espanha que não viu impunidade na absolvição de Renan Calheiros. Disse também que não teme que o julguem alguém (usando das artimanha$ de seu governo) que tenha ajudado no vexaminoso resultado de quarta-feira passada. Disse o Apedeuta que o povo brasileiro o conhece. Leiam nas entrelinhas: qualquer coisa que Mr. Silva faça, é como se ele tivesse um eterno e incondicional perdão (carta branca) por parte do “extraordinário” povo brasileiro. Falou também que não é juíz o que, na sua visão torta e tacanha, o impede de dar opiniões… Mas, vejam como o homem se perde nas próprias palavras. Ora, se ele não é juíz, e todos nós disso já sabemos, como diabos ele pode afirmar que não houve impunidade? Se ele não é um magistrado (ainda bem!), como ele pode saber onde começa a impunidade e termina o âmbito da justiça? Isso é lá coisa que diga um presidente de uma nação? E outra coisa: antes de ontem, ele deu um “pito” na Vera Rosa, competentíssima jornalista do Estadão só porque ela teve o “desplante” (oh, que heresia!) de perguntar ao homem lá na Dinamarca (‘Há algo de podre no reino da Dinamarca…’) se seu governo tinha mesmo trabalhado na articulação (como trabalhou de fato) para a pornográfica absolvição do “Doutô” Calheiros. E o que disse o Apedeuta? Que estava cansadinho, no Brasil ele falaria para o Estadão, que o poupassem, não era para falar de Brasil (sic) naquela altura do campeonato… Ué, pergunto eu, então o que valia para a Dinamarca não vale para a Espanha? Ou o nosso representante-mor (por força das circunstâncias, frisemos bem!) é um ciclotímico, um bipolar, ou se trata de uma grande razão (mais uma) para termos vergonha de tal “ser”: quer dizer que ele só fala da nação que representa apenas quando está bem?! Quando lhe dá na telha? Ora, se isso não é motivo para nos ruborizarmos, me conte outro…

Na sua entrevista na terra de Dom Quixote, Salvador Dalí e Luis Buñuel, ele também foi de CPMF: que quando se torna presidente da República (alto tão corriqueiro…), não se pode abrir mão de uma verba de dezenas de bilhões de reais. Disse que o mencionado imposto é “justo” (sic!!!).

Tantas palavras tortas, tantos “raciocínios” canhestros…

Sua “capacidade” de ver o ilusório e de se auto-iludir é muito maior do que a de um certo cavaleiro (mas esse pelo menos lia!) cujo cavalo se chamava Rocinante

Sua lenga-lenga é mais muito mais incoerente do que poderia supor qualquer surrealista. Os surrealistas ainda tentavam ver a lógica do ilógico no âmbito artístico. Já o Apedeuta, esse distorce o lógico e a lógica para refestelar-se no paroxismo da ilogicidade com um pé na empulhação… Não entenderam? Tentem perguntar a um petista autêntico…

Outra coisa: o homem fala em transe. É nítido que ele não pensa (não aprendeu isso) antes de expressar o que lhe vai na caixola…

Procuram-se 46 senadores vivos ou (de preferência!) mortos.

 

 

Crime: traição lesa-pátria

Pena: morte na fogueira, amputação de membros, decapitação, enforcamento, afogamento etc e tal ou prisão na solitária. Qualquer cidadão brasileiro tem o direito e o dever de abater tais facínoras da forma que bem lhe aprouver. Tortura está permitida.

Descrição da ação dos meliantes: agem na surdina, conspiram contra a Nação, locupletam-se, camuflam-se no corporativismo, abusam da inteligência alheia, vivem de conchavos e, acima de tudo, ou por isso mesmo, fedem e enfeiam o ambiente.

Recompensa: o título de herói ou heroína e lugar eterno no panteão dos grandes brasileiros.

Aconteceu.

Acaba de sair o resultado que a maior parte pensante deste país tanto temia. Por 40 votos a favor da absolvição, Renan Calheiros será mantido no cargo.

De nada adiantaram as denúncias, os clamores, os litros e litros de tinta de material impresso, milhões e milhões de bites de matérias nos sites de notícia, nem tampouco os bastas. Nada disso demoveu os sacripantas, os infratores, os verdadeiros salafrários travestidos de senadores. Daquela reunião a portas fechadas, enclausurado, isolado do retumbante clamor da sociedade, mesmo assim, vergonhosamente, o Senado Federal, com o número sugestivo de 40 covardes e traidores da nação, absolveu o homem menos honrado para presidir o Senado. O homem que usou o cargo para se defender de denúncias pesadas, quando poderia ter ao menos a honradez e hombridade para se defender… do indefensável.

E lá vamos nós, com nossas gritantes desigualdades, imensas carências, voltar ao nosso dia-a-dia. Educação lastimável, violência sem fim, injustiças infindáveis. É isso que merecemos. Por colocar 40 ladrões no Senado, merecemos mesmo tudo isso.

Choremos. Abaixemos a cabeça. A vergonha é imensa.

O horror, o horror…

Está chegando a hora de começarmos a nos desvencilhar (ou não) de uma mentalidade jurássica.

  entre a espada e a espada.

  Está chegando a hora. Será que o Senado Federal irá destituir seu presidente por quebra de decoro? Ou os nobres senadores irão optar (no escurinho de suas consciências e por trás do biombo da sessão e voto – ambos! - secretos, o que por si só é uma afronta a todos nós, eleitores, visto que a cassação de mandato de um senador é uma questão pública, e como tal deveria em tese ser tratada) deslavadamente por não punir o homem que tem tanta moral para estar lá na presidência da Casa quanto um cafetão numa reunião de sociedade de defesa dos bons costumes?

  É mais do que patente, é mais do que óbvio, é mais do que certo que a vida do cidadão brasileiro não irá alterar nada, seja o Charles Foster Kane de Alagoas cassado ou não. Mas também é igualmente seguro o fato de que o trabalho que os senadores fariam em destituir tal aberração de seu convívio iria nos dar uma ponta de esperança em afirmar que começa a ficar para trás, na história do nosso país, o tempo em que a truculência, a mentira deslavada, os “trambiques”, as “associações” suspeitas, o uso do voto como trampolim para a defesa dos próprios intere$$e$, enfim, ficaria para trás o tempo em que tudo isso era visto como algo natural, folcloricamente passível de no máximo um “político é tudo igual mesmo!”  E a chancela para todos aqueles males resumidamente expostos acima que é ter como presidente do Congresso alguém envolvido até a medula com tais desvios, crimes, falcatruas e todo o vocabulário da ilegalidade, enfim, esse símbolo máximo dessa mentalidade jurássica iria aos ares.

  Se o Senado, contudo, optar pela continuidade do mandato do senhor Renan Calheiros, um vírus letal vai ganhar força. O exemplo da impunidade vai sobressair. E o atraso de mentalidade, esse irá prevalecer por mais um longo tempo.

Direto para o esgoto.

Ninguém neste país tem mais autoridade moral e ética do que nosso partido

 

Ele disse isso. Luiz Inácio Lula da Silva, o Messias, aquele que nos “comanda”, que nos “guia” há quase cinco anos, disse a frase mais mentirosa, hipócrita e desconectada dos fatos de nossa história recente. No 3º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores ontem, em São Paulo, para uma platéia alucinada pela presença de seu líder, de seu führer, a fazer sua sessão particular de descarrego de bravatas, aconteceu a mais transparente demonstração de incompetência daquele partido que outrora se dizia o mais ético, o mais… Espera um pouco? “Se dizia?” Eles ainda dizem! Eles ainda têm a petulância, a cara-de-pau, a sem-vergonhice, a suprema arrogância doentia de crer nessa alucinação coletiva! Mesmo após a chuva de denúncias; mesmo após, pela imprensa, conhecermos as nuvens negras que pairam sobre não um petista isolado, mas sobre a alta cúpula que até outro dia ditava os comandos do mais ético, do mais perfeito dos partidos. Se isso é ética, se isso é autoridade moral, senhor Presidente, seu partido, e por extensão, grande parte do seu governo, já está na lama, na sarjeta, quase entrando no bueiro, prestes a ir pela tubulação, para chegar ao mais putrefato dos esgotos.

Aos petralhas, com carinho.

O que dizem agora os petralhas radicais que antes afirmavam que toda aquela nojeira chamada mensalão era apenas e tão-somente uma conspiração da elite, a dona Zelite? Que tudo não passava da direita e dos tucanos ressentidos? O que dizem agora os petistas hidrófobos, raivosos e hipócritas, que insistiam em infernizar o governo FHC com denúncias sem nexo, sem lastro na realidade? Em que governo mesmo aconteceu o maior assalto aos cofres públicos da atualidade? Foi o governo FHC que teve ex-ministros, assessores, simpatizantes e membros da sua cúpula expostos em praça pública, objetos de análise e colocados no limbo da desconfiança pelo Supremo Tribunal Federal, a instância máxima da justiça em nosso país? Não quero, com isso, dizer que todo petista compactuou com aquela pornografia toda. Quero apenas saber onde estão todos aqueles párias que defendiam aquele politburo que era (é ainda?) a cúpula petista, o núcleo da “organização criminosa”. E quem leu a entrevista de Mr. da Silva para o Estadão de domingo passado pôde vê-lo fazer-se de joão-sem-braço, de um traído, de vítima das circunstâncias. Pobrezinho, seus asseclas montando um mega-esquema para perpetuar seu partido no poder – ou seja a ele mesmo - e ele nunca viu, ouviu ou soube de nada! Petralhas, manifestem-se! Mesmo se for para ficarem vermelhos de vergonha. Se bem que a vergonha é, na maioria das vezes, a consciência martelando, a constatação da própria “mancada”…  Esperar isso daquela gente…

"Querem matar minha honra". EXTRA! Dramalhão no Senado!

 

 

   São estas as inacreditáveis palavras do Presidente do Senado, Renan Calheiros, leio na Folha de hoje.
Pergunto: ele também vai querer sair da vida para entrar na História?
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  Era tudo que faltava para termos um dramalhão de quinta. A mise en scène está montada, os canastrões estão a postos, a peça vai começar. Pegue seu lenço, prepare-se para assistir ao espetáculo mais lacrimoso e tocante dos últimos anos vindo de Brasília. A catarse valerá a pena!

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  A canastrice de nossos políticos, aliada à hipocrisia e total falta de senso do ridículo de nossas esçselênçssias, faz-nos a todos descrer cada vez mais da tal representatividade de nosso sistema político.
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  Ao som da Eldorado FM de S.Paulo.

Que progresso efêmero esse, hein, ministro?

   O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, seguindo o exemplo da Ministra do Turismo, Marta Suplicy, deixou sua contribuição para o Rol de Besteiras Petistas Já Ditas, o RBPJD (quando o PT sair de onde está alojado, depois de sua farra, vamos ter todo um calhamaço dessas besteiras. Vamos fazer a festa na campanha eleitoral!). Para quem não soube, o perspicaz e sutil ministro disse que a situação de caos nos aeroportos era apenas e tão-somente (que genialidade!), fruto do progresso de nosso adorado Brasil varonil.

   Bem, leio nas agências de notícias que a situação está sob controle. Depois da voz grossa da FAB, ufa, até que enfim aquele caos nada excitante (sorry, dona Marta!) acabou. Que bom, hein? Que bom nada! Se aquele caos era resultado do vigor econômico e pujança financeira dos brasileiros, quer dizer então que a bonança já se foi também, certo?, já que  no caos estava implícito o progresso. Extinto o caos, extinto o progresso. Trata-se do espetáculo do crescimento de mais curta duração da Terra! Mais uma originalidade nossa! Mas, puxa, justo agora que eu iria aproveitar para comprar uma tv de plasma, uns 30 livros, 15 dvds etc etc… Alegria de gente próspera dura pouco!

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Ao som de Charles Mingus, Caroline Keiddi Mingus

De calhas e quedas em geral até desembocar em Cidadão Kane, de Orson Welles

   
                                       

   Tudo o que sobe, desce. Isso vale para tudo.

    A calha, artefato tão útil, faz com que a água da chuva não fique represada. Faz com que ela flua, escorra, dilua e geralmente caia. No chão. E se vá. E seque. E finalmente evapore. 

    Calheiro, termo menos usado que calheira, seu sinônimo, é da família de calha. Trata-se de um cano aberto na parte superior, ou sulco, usado para… escoar água. Tudo que passa por um calheiro é escoado, segue seu rumo natural. De preferência, a evaporação, o nada do nada.

     O Senador Renan Calheiros - enroladíssimo com questões pesadas envolvendo documentos que, ao invés de tirar-lhe as suspeitas, apenas tiram-lhe a autoridade; denúncias de superfaturamento, notas fiscais frias e envolvimento com lobistas e empreiteiras, e cujas terras são uma verdadeira Xanadu* cabocla (cascatas d’água, campos verdejantes, rios caudalosos, plantações, animais bem-tratados) encravada em pleno sertão de Alagoas, como li ontem no Estadão – está caindo. No conceito de milhões de brasileiros, já caiu há muito tempo. Apenas a arrogância desse Charles Foster Kane* do nordeste explica sua permanência no cargo. Sem falar, claro, do corporativismo obsceno de seus colegas de parlamento.

    Que este senhor seja levado pelas águas do esquecimento. Que seja evaporado da condição de presidente do Congresso. Ou, medida mais apropriada, que sua insolência e altivez ridículas o levem para o esgoto da história!

    Sua queda não tem conserto. Seria negar a lei da gravidade se tal gravidade acontecesse.

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*Xanadu e *Charles Foster Kane. Este último, personagem do filme sobre o qual escrevo acima (em muitas listas, nada menos que o melhor filme de todos os tempos) Cidadão Kane, de Orson Welles (que tinha na época apenas 25 anos, ex-garoto-prodígio), de 1941. Kane foi baseado descaradamente na figura de William Hearst, o magnata da imprensa que viveu seu apogeu nas primeiras décadas do século passado, a imagem exata da arrogância, da falta de escrúpulos, do ego faraônico, da total falta de limites para sua ambição e soberba, para as quais não havia oponentes. O faraó da imprensa moveu mundos e fundos para impedir que sua vida fosse parar nas telas do cinema. Conseguiu por uns tempos. Mas no começo da década de 50 o filme virou um dos mais cultuados de todos os tempos. Welles, que teve carta branca inédita para produzir, dirigir e tocar o projeto praticamente sozinho, nunca mais atingiu o grau de perfeição. Já o império império de Kane-Hearst (que começou com a fortuna herdada da mãe, que lhe transmitira a exploração de uma mina de ouro na Califórnia) o permitiu construir um castelo grandioso, símbolo do luxo estravagante e inspirado na lenda de Xanadu, construída por Kubla Khan, e que reprensenta no imaginário ocidental a perfeição na terra, algo equivalente ao Eldorado, o Éden na sua forma mais avançada.

Chinatown é aqui sim senhor!

        

Lendo as notícias estarrecedoras com as quais o Conselho de E(s)tética do Senado Federal e essa própria Casa têm nos brindado ultimamente, não há como não se lembrar do final do filme Chinatown (de Roman Polanski, EUA, 1974), filme que acabei de rever e cujo roteiro (de Robert Towne) está sempre na lista dos melhores do cinema. Um companheiro de um Jack Nicholson (o detetive Jake J. Gittes) desolado e que se vê impotente na sua missão de esclarecer ou consertar as coisas, lhe diz: “Esqueça, Jake, (isso) é Chinatown”, se referindo àquela região infestada pela criminalidade, onde se constatava a gratuidade de qualquer medida saneadora, enfim, um lugar onde a justiça era pisoteada e o mal sempre prevalecia. Hoje, podemos dizer, “Esqueça, Brasil, isso é o Senado Federal!”.

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Ao som de John Coltrane, “My favorite things”

Ciranda eterna

Era uma vez um país que era criticado pelo próprio povo que era criticado pelo presidente que criticava também a imprensa que mostrava a realidade nua e crua que por isso era (a imprensa) criticada pelo povo que era criticado pelo presidente…

 

A “chave” para interpretar o que vai acima vocês encontram nos jornais da semana…

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Ao som de gatos se amando pelos telhados banhados pela luz da lua…

Mendicância em todos os sentidos.

Lula diz que Vavá é ingênuo, mas não esclarece “bronca” (Manchete da Folha de S.Paulo de hoje).

 

Penso cá com os meus botões: realmente, um sujeito enrolado com lobistas (ele mesmo um lobista?) que pede descaradamente para outro sujeito encrencado, “ô, me arruma dois pau pra eu” (sic ao infinito!) é uma grande síntese do que vivemos politicamente nestas terras tropicais.

(Realmente, usar do português dessa forma é muita “ingenuidade”, Vavá!. Grave “não” é o irmão de Lula pedir dinheiro para operar suposto lobby).

Agora sem o laivo da ironia: realmente, o irmão do presidente da República não ter o pingo de circunspecção compatível com o que se espera de alguém tão próximo ao homem mais poderoso da nação, é de fazer chorar. Bem, sou do tempo em que irmãos eram próximos, pelo menos no sentido mais fraternal do termo… Mas, espera aí. Com relação ao português morto-vivo do senhor Vavá, o que esperar do irmão do “ómi”, que ele recitasse Camões?

E é incrível a proximidade de pessoas ligadas ao excelentíssimo enroscadas em assuntos muito, muito feios…

Só não reparem no caráter realmente errante deste post.

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Ao som de Ella Fitzgerald, Lullaby of Birdland