Das mil faces da tragédia.

    
    A ideia de que a tragédia tem que ser necessariamente algo grandioso, épico, está tão impregnada no inconsciente coletivo que, por qualquer motivo besta, usamos a palavra “trágico” e seus familiares semânticos com um misto de espanto compatível com a grandiosidade suposta de um acontecimento que nos deixe meio nocauteados.
    Na verdade, [...]

Ode ao efêmero.

Do dicionário Houaiss:
Etimologia: gr. ephêmeros,os,on ‘que dura um dia’, pelo lat. ephemèron,i ‘lírio branco, silvestre; animal que nasce e morre no mesmo dia’; nas acp. de angios, pelo lat.cien. gên. Ephemerum (1754); f.hist. 1712 ephemero
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Ainda bem que há o efêmero.
Fôssemos eternos, a certeza do fruir contínuo e do sofrer sem fim seria uma espécie de [...]

Pensata 2 (com uma pequena correção).

Ideias esparsas.
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O desejo humano de transcender a própria limitação, de ir sempre além do que as circunstâncias “determinam”, está na raiz da arte. Ou da religiosidade.
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Querer sempre ir mais distante do que se pode ir, não se contentar com o que “se é”, eis o que explica a necessidade da arte. Somos todos aparelhados -, [...]

Pensata.

Ideia para ser desenvolvida:
Se a vontade humana é infinita, e o entendimento é finito, se aquilo que desejamos pode assumir todas as formas e com a intensidade que for, e se nossa capacidade para obter o que tanto queremos é limitada, estamos, então, fadados a viver num imenso gap, num constante déficit. Para preencher essa [...]

Da nossa solidão intrínseca, Dia dos Namorados e Tchaikóvsky para um possível fundo musical…

Véspera de Dia dos Namorados. A essa hora, presentes já comprados e devidamente embrulhados, cartões igualmente prontos, por este país afora muita gente só tem na cabeça uma coisa: o ser amado. Ou, vá lá, o que significa “amado” em tempos de superficialidades e intere$$e. Mas não. Não sejamos tão mesquinhos e nada… amados. Suspendemos [...]

Ciclotimia, ciclotímico…

O barato de ser um soi-disant ciclotímico (e não, thank Goodness!, um bipolar) é que se consegue ter, de tempos em tempos, uma visão mais matizada e menos estereotipada de tudo. Algo assim como ver as mesmas coisas sob novos prismas. Nessa gangorra, e graças a ela, estamos sempre nos renovando, nos reciclando e, mais importante, nos reinventando. [...]

Variações em torno da palavra INTELECTUAL: quando os estereótipos prevalecem.

  Quanto mais uma palavra é usada de forma descuidada como marcadora/limitadora de identidades, mais ela se torna vaga e, assim, indefinida. Ou seja, mais distante fica um sentido preciso daquilo que se busca definir.
   Vejamos a palavra-muleta “intelectual”. O termo caiu no gosto popular e se desgastou. E, com essa acepção, já não expressa fatos nem [...]

Em busca da autenticidade mais que necessária.

   Quanto de autenticidade suportamos? Até onde aguentamos viver sem a zona de (falso) conforto da maioria das concepções que herdamos, que não foram por nós assimiladas sob o crivo de uma crítica racional, mas sim a nós transmitidas, assim como, mal comparando, nossos genes e características hereditárias?   Eis perguntas que derivam dessas acima: o que é “nosso” para [...]

"Eu era. Eu fui".

 
    Fragmentei-me.
   Minhas partes/partículas se dispersam ao sabor dos ventos errantes que findam acertando em seu propósito. Tento, em vão, desesperadamente, ir juntando, catando, tentando reuní-las. Esta. Aquela. Aquela outra. Todas me humilham em seus volteios. São várias. Que um dia já juntas estiveram e assim constituíram algo parecido com uma unidade. [...]

Contrariando os tempos atuais, cultivando a tristeza.

     
         Tristeza. Falar desse sentimento num mundo em que tudo gira em torno de uma constante busca pelas vivências excitantes, pelos risos desenfreados, pelas gargalhadas fáceis; mundo em que a maioria busca o Santo Graal, ou seja, a tal da Grande Felicidade; mundo em que todo e qualquer tipo de não-aceitação das regras e [...]

Experiência philozóphika com o Tempo: faça isso em casa (Texto revisto e corrigido!)

                             
     Ultimamente, tenho tido umas idéias meio obsessivas no que diz respeito à duração do tempo. Ou melhor, à duração subjetiva do tempo. Quer dizer: a forma com a qual ou a partir da qual mensuramos o tempo. Sim: esqueçamos por um momento (um minuto contado!) o tempo cronológico convencional… Claro, isso não é [...]

A arte do desapego.

                    
 
       “Reivindica a propriedade do teu ser”.
                   Sêneca (4 a.C.? – 65 d.C.)

 
     Pela vida afora, vamos deixando um pouco de nós mesmos. À medida que vivenciamos as mais diversas experiências, desde as mais comezinhas até as mais grandiosas (sob nossos olhos, claro), inevitavelmente vamos nos soltando, nos desamarrando de um sem-número [...]

A quadratura do círculo: céu de brigadeiro em tempos dionisíacos.

  Não sei bem por que abri o Windows Live Writer. Enquanto digito estas palavras, não tenho nada importante que justifique este post. Apenas me deu na veneta, sei lá. Terremoto na China, Cannes, Minc no Ministério outrora da Marina Silva, as eleições americanas começando a pegar fogo, o cerco fechando na terra de Fellini para [...]

Miragens.

    
               Sobre noites profundas, desertos e miragens   
                                       A Arthur Schopenhauer
 

 
Quando a noite se avoluma em sua espessura de silêncio; quando os sons mais ínfimos ganham em intensidade; quando o que era invisível à luz do sol se faz visível na escuridão sem fim; quando se aproxima mais um dia; quando, isolados da azáfama da vida, [...]

Do baú – 2

 Texto originalmente publicado em 2 de agosto de 2006
 
 
                                     Da sarjeta existencial, com carinho
 
 
                                
  A sensação de estar preso a um lugar é uma das mais desagradáveis. Sabe aquele sentimento de que os vínculos com o lugar acabam sobrepujando toda e qualquer possibilidade de vislumbrar o horizonte? Ou, mais precisamente, e por outro enfoque: [...]

Do baú – 1

Texto originalmente publicado em 3 de agosto de 2006
 
 
                              Depressão? Impressão sua!
 
 
  Sono, desânimo, tristeza esparsa, preguiça de existir, tédio, melancolia, perda dos ideais, apatia, indiferença, falta de interesse geral, aversão ao barulho, a vozes, a futilidades. Desamparo, sensação de extravio existencial. Tem como, disso, sair algo proveitoso? O que nos leva a isso? Falta [...]

Ser escritor (re-re-re-revisto).

Eu devia estar já na segunda-série. Era fraco em matemática. Muito fraco (e disso nunca me orgulhei. Nunca vi isso como um mecanismo compensatório: “Ah, se era fraco em exatas, em compensação nas humanas…”. Nada disso!). Tímido ao extremo, na hora do intervalo ficava encostado numa pilastra, ou sentado na mesa de refeições, ou [...]

Em descompasso de espera.

  O descompasso entre o meu “eu”, aquele a partir do qual vejo o mundo e com o qual interajo com tudo o que está à minha volta, e os outros “eus”, é algo deveras incômodo. Ele me tira do eixo e me coloca num estado constante de neurastenia, tédio e cansaço.  Os outros sempre [...]

Estreando a Operação Resgate, passo a pinçar alguns textos de outrora aqui publicados.

Para que escrever?
Alinhavar palavras, tecer comentários, escolher termos, cortar outros, ligar idéias aparentemente desconexas. Escrever, escrever mesmo para que ninguém mais leia. Encher a folha ou a tela em branco. Inserir letras, sílabas, palavras, frases, orações, períodos, parágrafos. Tirar conclusões, observar uma idéia se desenvolver, tomar forma, ganhar corpo, vida. Engravidar as palavras com novos sentidos, [...]

Pseudofilosofices

O acaso, a gratuidade e o caráter não-programado de toda aquela teia de acontecimentos que nos cercam, tudo isso faz de nós meros fantoches, pequenos bonecos ao sabor das circunstâncias.
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O múltiplo em mim não enxerga o múltiplo em você e você, sendo para você mesmo múltiplo, me vê apenas como uno. De onde [...]

Ponderações fastasmagóricas.

OS MAIS PROFUNDOS, impublicáveis e inomeáveis produtos de nossas fantasmagorias estão a anos-luz da realidade sem relevos, sem sobressaltos, plana, banal, lisa como vidro. Isso não é novidade. Bem, exceto para os que vivem sem questionar, sem ir às profundezas das coisas.
Um ato simples como nos desfazermos de algo muito ligado a nós, por exemplo, [...]

"Às almas desconsoladas deste mundo e também (principalmente) às devidamente já consoladas: tudo de passar há de!" (Discurso para quem tiver peito de encarar o Speaker’s Corner no Hyde Park, em Londres…Mas citem a fonte, tá?).

 
“PASSA, meus filhinhos, praticamente tudo passa! Apenas uma coisa não passa. Ouçam este vetusto ermitão das montanhas rochosas de Saint Claude e descobrirão o que é que não passa! Atentem para as minhas palavras, que são sábias e cortantes como uma adaga, penetrantes como a mais afiada das lâminas e cristalinas como a água das [...]

Em que tento explicar meu desinteresse (transitório?) por política.

                                    
Bem, o Tiranossauro barbudo largou o osso e nada de se comentar aqui neste blog. As movimentações para a criação da CPI dos Cartões e nada aqui. O corre-corre para as eleições municipais. Nem um pio por aqui. What on earth is goin´ on over here?
É, quem me viu, quem me vê! Já escrevi [...]

Estréia da série: Tratado Sucinto das Pequenas Coisas – Parte 1

 
                
 
             De onde viria o encanto da Lua?
 
NOTA DE ADVERTÊNCIA: Se você for (ainda que seja algo raro de acontecer tais eminências aqui aportarem): intelectualmente esnobe, pseudo-intelectual, pseudo-pseudo-intelectual, descolado demais, com Ph.D. em qualquer área do saber, não leia tal texto que vem a seguir. Ele foi escrito para os sentimentais, os fracos destituídos da arrogância [...]

O triste fim dos ideais perdidos: visão superficial sobre a superficialidade do mundo moderno.

   Onde andam os ideais? O que fizeram das utopias? Que fim levaram as quimeras? E os sonhos? Desses mais não se diz nada, pois eles viraram sonhos de consumo, apenas. Limitou-se o caráter abrangente e multifacetado dos sonhos-aspiração a um nicho, a uma estreita visão de mundo. A qual a todos induz ao desejar, [...]

Filô de boteco: papos estranhos, conversa sem sentido, gente sinistra.

     O atrito entre as nossas mais profundas quimeras e utopias, de um lado, e a “frieza” do monstro da realidade, de outro, nos esmaga e nos desalenta e nos destrói por completo, com o tempo. O que temos é que arrostar toda e qualquer ilusão de que um dia poderemos nos desvencilhar desse determinismo, [...]

Relâmpago nas trevas do supostamente insondável.

“Escrever é uma aventura de explorador. Você começa do nada e aprende à medida que avança”. E. L. Doctorow

 
    Gosto de escrever a partir do nada e ir, aos poucos, farejando um tema aqui, outro ali. Sem bússolas nem sextantes, sem mapas nem tampouco roteiros astronômicos ou de qualquer espécie, sigo minha intuição. É [...]

S.O.S. nossos tímpanos

  Nunca antes, na história da humanidade, viveu-se com tanta oferta de ruídos, sons, numa palavra: tanta poluição sonora.
  Antigamente, ter acesso a amplificadores e potentes aparelhos de som era algo apenas para os profissionais. Hoje, o que vemos, ou melhor, ouvimos, é uma variedade de fontes de som (na maioria das vezes indesejabilíssima) inimaginável. Equipar [...]

Reflexões sobre a escrita.

“Os pensamentos voam e as palavras andam a pé. Esse é o drama de quem escreve”. Julien Green
“A palavra escrita permanece”. Provérbio Latino
“Não gosto de escrever, mas depois adoro ter escrito”. Michael Kanin
“Um escritor está trabalhando quando ele está olhando pela janela”. Burton Rascoe
“Só existe um jeito de aprender a escrever melhor: escrever”. Doris Lessing, [...]